| Com a sombra das obras de infra-estrutura
da Vila Pan-americana como ‘única preocupação’, o secretário
de Obras da cidade do Rio de Janeiro, Eider Dantas,
garante e assina em baixo: “No dia 13 de julho todas
nossas obras estarão prontas, acabadas e entregues aos
organizadores dos Jogos Pan-americanos”, afirma, lançando
um desafio: “... me cobra dia 14”. Em sua promessa,
Dantas marca a entrega do Estádio João Havelange (Engenhão)
para 15 de junho e da Arena multiuso (no Complexo do
Autódromo) para o final de maio. “Ou seja, pretendemos
entregar os equipamentos da Prefeitura do Rio 30 dias
antes do começo dos Jogos Pan-americanos”.
Responsável também pelo gerenciamento das obras no
entorno da Vila do Pan, o secretário diz que o calendário
só não se concretiza em caso de greve dos operários
e encara o desafio de cumprir os prazos acordados com
o Comitê Organizador dos Jogos (CO-Rio) sem deixar a
cidade ao léu em seu dia-a-dia.
Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net, ele
fala sobre os problemas enfrentados para concretizar
os projetos, no risco de a Vila ficar sem infra-estrutura
na parte externa e no abatimento pelo acidente fatal
com um operário de suas obras. “Em seis anos como secretário,
isto nunca havia acontecido”.
De olho nas contas, Dantas questiona os cálculos do
Governo Federal em seu registro de despesas e diz que
a União deveria contribuir ainda mais com os custos.
Sobre os gastos municipais, rebate as críticas ao valor
de construção do Engenhão (avaliado em R$ 350 milhões
no último relatório) e garante que o estádio não será
um ‘elefante branco’ para o erário público após os Jogos.
À comunidade, Dantas também afirma que os benefícios
do Pan são uma realidade mesmo que ainda não percebida
e garante que serão investidos mais recursos na recuperação
de vias públicas.
Com os olhos já voltados para a briga pelos Jogos
Olímpicos de 2016, Dantas considera que o Rio se credencia
no que diz respeito às instalações, mas reconhece que
as questões sociais são o ponto frágil a ser melhorado
para a conquista.
Gazeta Esportiva.Net – Qual avaliação a Prefeitura
faz do andamento das obras até agora?
Eider Dantas - A preparação está indo dentro
daquilo que prevíamos. Há três anos, o prefeito César
Maia está arcando com custos financeiros muito pesados.
O que está acontecendo? O Governo Federal em recursos
financeiros até agora só entrou com R$ 60 milhões, a
Prefeitura do Rio já desembolsou quase um bilhão. É
desproporcional. Uma prefeitura que arrecada R$ 9 bilhões
por ano gastar R$ 1 bilhão, R$1,2 bilhão em um evento
como esse, e o Governo Federal que arrecada bilhões
e bilhões no Brasil por ano entrar com R$ 60 milhões.
Eles vão dar segurança, mas vão dar comida para o cara
do Exército, fardamento, combustível para os carros
e estão incluindo tudo isso como se fosse uma participação
financeira, o que não é. Então, a situação da Prefeitura
é muito justa.
GE.Net – Como assim?
Dantas - O prefeito tem muita competência.
Privatizou o complexo do Riocentro, o complexo da Marina
e a Vila do Pan. Isso tirou de nossas costas algo em
torno de R$ 750 milhões de desembolso. Mas nós estamos
desembolsando, no Estádio Olímpico, R$ 350 milhões,
no Complexo do Autódromo, R$ 300 milhões. E a infra-estrutura,
as ruas, a drenagem e os melhoramentos que estamos fazendo
na cidade em locais diferentes para que os Jogos tenham
uma boa receptividade para a população? Mas acho que
isso vale a pena porque os Jogos Pan-americanos são
assistidos por 800 milhões de pessoas no mundo todo.
Depois dos Jogos Olímpicos, é o segundo evento esportivo
mais importante do mundo. Acho que isso é um fator importante,
mas estamos fazendo isso com muito sacrifício.
GE.Net – O sr. tem certeza que estes prazos
são viáveis?
Dantas - Tenho certeza absoluta. Mas e se tiver
uma greve e os operários da construção civil pararem
um mês? Então não vai ter Pan. Tem uma série de imponderáveis
que eu não controlo. Mas dentro de condições normais
de altitude e temperatura, nós vamos cumprir e entregar
os equipamentos nos prazos estabelecidos. Claro que
eu gostaria de ter terminado o Estádio no ano passado,
mas é o que falei: o desembolso financeiro não é um
desembolso que pudesse ser feito em curto prazo.
GE.Net – Neste meio tempo, os custos foram
aumentando...
Dantas – O Governo Federal previa gastar R$
700 milhões e está em R$ 1,5 bilhão. Nosso estádio (Engenhão)
está custando, por acento, mais barato que os estádios
da China com a mesma similaridade. Ele nunca custou
R$ 60 milhões. Fizemos uma primeira licitação de R$
90 milhões, depois fomos concluindo (o projeto). Fizemos
uma segunda de R$ 150 e a última de R$ 43. Estas três,
com a correção do período, somam R$ 350 milhões. A obra
nunca tem o mesmo preço do começo ao fim.
Tinha uma adutora no meio do campo de futebol, que não
estava no projeto. Depois teve uma série de indenizações:
a associação dos aposentados da RFFS, o museu do trem
e a escola, que só resolvi agora.
GE.Net – Mas a solução é definitiva....
Dantas - Sim, facilitou nossa vida total. Outra
dificuldade nossa é a cobertura do telhado. Este projeto
é ultra-ousado. Só o estádio do Benfica tem isso e nós,
no começo, sofremos muito para adaptar o projeto. Somos
obrigados a fazer o encaixe e a solda a 70m de altura.
Imagine o vento que o trabalhador enfrenta.
GE.Net – E com isso chegamos ao acidente com
o operário (dia 5 de fevereiro). O que aconteceu exatamente?
Dantas - É uma equipe de funcionários qualificados
do Paraná, Curitiba, que trabalhavam juntos há seis
anos. O rapaz solteiro, 28 anos, bom nível de escolaridade,
ganhava R$ 2.500 por mês, algo em torno disso, e era
psicótico por segurança. Foi o que chamam de ‘ato inseguro’.
Você repete a mesma coisa tantas vezes que uma hora
você falha. Ele estava com três cintos de segurança,
cada um tem um gancho e só podia partir para a segunda
presilha quando armasse o outro. Ele colocou, não testou
e colocou o outro. Quando puxou, não estava preso. Caiu
de 15 metros. Foi uma comoção. Estive lá, conversei
com muitos deles para levantar o moral. Precisamos do
estádio e eles sabem disso. É um pessoal de altíssimo
nível. O pai veio buscar o corpo, tinha seguro, mas
uma vida não volta. Eu fiquei arrasado. Foi o primeiro
acidente fatal em seis anos como secretário depois de
realizar 3 mil obras na cidade.
GE.Net – Por causa disso houve alguma mudança
no esquema de segurança?
Dantas - Conversei com engenheiros, técnicos...
A questão da segurança não vai ser modificada em nada
porque está completamente correta. O CREA (Conselho
Regional de Engenharia e Arquitetura) esteve lá fazendo
a investigação no dia seguinte e constatou que as normas
e os procedimentos são adequados e que aquilo foi uma
fatalidade. Um ato inseguro, que pode ocorrer e, infelizmente,
ocorreu.
GE.Net – O Governo do Estado solicitou mais
verbas à União para completar o orçamento. A Prefeitura
também precisará de recursos que não estavam previstos?
Como fica a situação da Vila Pan-americana?
Dantas - O Governo Federal bateu o martelo
e vai bancar os R$ 53 milhões que faltam, porque senão
os atletas terão que andar na lama para pegar o ônibus
na porta da Vila. Não tem rua. Se (o Governo) liberar,
nós vamos usar a própria empresa que já está na Vila
para fazer a obra. Isto estava pendente e poderia ter
problemas em relação à realização do Pan. Ia ser um
caos.
GE.Net – Segundo o ministro (do Esporte) Orlando
Silva, o Governo pediu mudanças no projeto original.
Quais foram?
Dantas – Eu não sei. O que sei é o seguinte:
o que a Prefeitura prometeu fazer, tinha começado a
fazer. Queriam que fossem feitas todas as ruas, o rio
canalizado, que construíssem uma estação de tratamento.
Nisso iriam R$ 150 milhões. O prefeito cortou tudo isso
e fez só o acesso. Agora que o Governo Federal autorizou
que as obras fossem concluídas, vamos fazer a estação
de tratamento de esgoto e a canalização do Arroio Fundo.
Talvez seja a contrapartida da Prefeitura. Eles aplicaram
R$ 53 milhões dentro da Vila do Pan, então a Prefeitura
deve aplicar uma porcentagem disso em uma obra no entorno.
Nós vamos fazer a Airton Senna, ligando a rótula, a
Jacarepaguá e a Linha Amarela com mais duas pistas de
cada lado, o reasfaltamento dela toda e isso vai custar
uns R$ 16 milhões, que o prefeito já autorizou.
GE.Net – E quando a infra-estrutura fica pronta?
Dantas - Preciso, pelo menos, de cinco a seis
meses para terminar esta obra. Eu não posso licitar,
tenho que fazer como emergência. Esse é um problema
que estou levando para o TCU e, se eles não aceitarem
a emergência, não faz a obra.
GE.Net – Ou seja, a Vila corre o risco de
ficar sem as obras de infra-estrutura...
Dantas - Acho que como as coisas estão sendo
feitas com critério, eles vão aceitar. Mas se não derem
ok, eu não faço. Não vou colocar minha assinatura em
um negócio que depois vou ser responsabilizado como
ordenador de despesa. Eu vou licitar, vou começar as
obras e, quando chegar o Pan, estará metade da pista
pronta e a outra sem começar.
GE.Net – E com o caráter emergencial em quanto
tempo fica pronta?
Dantas - Com a empresa que já está lá dentro,
posso começar esta obra entre dia 1º e 10 de julho.
GE.Net – O prazo fica justinho...
Dantas - Vai ficar. Não tenho folga e temos
que rezar para não chover demais, porque a obra é aberta.
E como você trabalha na rua com chuva?
GE.Net – Desde o início o sr. enfrenta o desafio
de conjugar a preparação para o Pan sem parar as outras
obras da cidade. A Secretaria teve de reduzir investimentos...
Dantas - Isso é coisa muito complicada. Uma
coisa é a manutenção da cidade: tapar buraco, fazer
novas ruas, não tem nada a ver com Pan. Outra coisa
é você conjugar uma parte da Secretaria para cuidar
da cidade e outra para o Pan. Uma parte da população
acha que o Pan está causando o buraco, mas buraco sempre
teve. Tapo 200 mil buracos por ano. A população sempre
tem razão, isso faz parte. Estamos gastando na conservação
o que sempre gastamos historicamente. Não houve redução.
Não houve queda orçamentária, mas o fato é que o bom
é inimigo do ótimo.
GE.Net – É possível quantificar a porcentagem
de obras feitas para a cidade e para o Pan?
Dantas - Se analisar que equipamentos do Pan
vão servir à cidade depois, eu não posso separar as
coisas. Não tem um equipamento que vá ficar parado,
todos vão ter serventia depois e alguns vão dar retorno
financeiro para a Prefeitura. O prefeito vai terceirizar
a Arena Multiuso. Depois do Pan, vamos fazer a licitação.
O estádio (Engenhão) ninguém quer.
GE.Net - Por causa da pista?
Dantas - Não. Eles acham que custa caro. O
Flamengo quer ter seu estádio, o Fluminense. O Vasco
já tem. O Flamengo está construindo um na Gávea, com
o Engenhão sendo oferecido de graça. O Flamengo tem
torcida para encher todo dia de jogo. Este é um estádio
construído para a Copa de 2014 e uma arena, porque vai
ter 50 lojas. Vai ter vida permanente, não igual ao
Maracanã que só reabre se tiver outro jogo. Ele vai
dar muita vida ao Engenho de Dentro, Méier, Água Santa.
É o único que vai ter estação rodoviária dentro, basta
pegar a rampa.
GE.Net – E como estão as obras de acesso?
Dantas - Começou agora. A Supervia está fazendo
uma parte, nós outra. Fica pronto em três meses. Não
há problema.
| Estádio
de primeiro mundo a preço de banana? |
| Com investimento orçado,
até agora, em R$ 350 milhões para sua construção,
o Estádio João Havelange, o Engenhão, aparece como
a construção mais cara para o Pan, superando até
mesmo o total das três instalações dos Complexos
do Autódromo e do Maracanã.
Reunindo arena multiuso, velódromo e parque
aquático, o Autódromo irá custar cerca de R$ 203.723.112,76.
O Maracanã, com ginásio, estádio e parque aquático,
R$ 252 milhões, segundo a mais recente estimativa
de despesas divulgada em fevereiro.
Apesar disso, o secretário de Obras do Rio,
Eider Dantas, garante que o Engenhão está saindo
até barato quando comparado a outros estádios
similares. Para provar sua teoria, ele fez um
comparativo (ver quadro) com instalações como
o Estádio Nacional de Pequim, construído para
os Jogos Olímpicos, e o Allianz, em Munique, que
recebeu jogos da Copa do Mundo de 2006.
“Nosso estádio é o mais barato”, garante, descontando
a disparidade no valor do salário mínimo entre
Brasil e China (o equivalente, respectivamente,
a US$ 153,5 e US$ 40). “Não é só isso que conta
na confecção do estádio. Há uma série de itens
e a obra nunca tem o mesmo preço do começo ao
fim”, diz para explicar a evolução nos custos
da instalação, objeto de reportagem especial do
programa Grandes Estruturas do Discovery Channel.
Entre os fatores que ajudaram a inflacionar
o gasto (ver quadro), Dantas destaca a ‘descoberta’
de uma adutora no meio do terreno onde ficará
o campo de futebol. “Não estava no projeto e custou
mais R$ 3 milhões para tirar de lá e colocar do
lado de fora”. Os impasses judiciais também deram
sua contribuição na conta de adição. “Embora o
terreno tenha sido doado gratuitamente, tivemos
gastos com intervenções”.
Para manter o projeto original, prevendo acessos
por quatro direções (Norte, Sul, Leste e Oeste)
e a possibilidade de expansão da capacidade de
público de 45 mil para 60 mil (adequando-o assim
às exigências para uma Copa do Mundo), a Prefeitura
precisou remover o Museu do Trem com todos os
seus equipamentos e negociar a liberação do terreno
pertencente à Escola Técnica Silva Freire.
A solução foi transferir a escola. “Eles queriam
R$ 1 milhão, mas nós trocamos por um campo de
futebol que já existia a 400m e era usado pelos
operários. Em troca, nós pudemos absorver o espaço
para fazer a rampa Leste, senão não teria acesso
por este lado. Isso atrasou a obra em dois anos”,
explica o secretário.
Fazendo os cálculos na ponta do lápis, ele garante.
“O preço, em dólar por acento, está em US$ 2.100,
aproximadamente. Está custando, por acento, mais
barato que os estádios da China com a mesma similaridade”.
Data
|
Instalação |
Valor orçado |
2003
|
Complexo do Maracanã |
R$ 17,9 milhões |
Dez/2004 |
Complexo do Maracanã |
R$ 67 milhões |
| Fev/2007 |
Complexo do Maracanã |
R$ 252 milhões |
| 2003 |
Estádio João Havelange |
R$ 250 milhões |
| Nov/2006 |
Estádio João Havelange |
R$ 315.131.618,24 |
| Fev/2007 |
Estádio João Havelange |
R$ 350 milhões |
|
GE.Net – Não há perigo de o estádio virar
um elefante branco?
Dantas – Não. O prefeito vai licitar. O Fluminense
já se interessou com a Unimed. O Botafogo também está
interessado com um grupo norte-americano. Mas ninguém
foi ao estádio ainda para ver, quando vai é que entende
o que significa. Como posso vender um produto antes
de acabar? Quando ficar pronto, acho que vai ser fácil.
Os clubes e empresas de eventos esportivos vão entender
que é um excelente negócio alugar um estádio da Prefeitura.
E ela faz o mesmo negócio que fez com a Liesa (Liga
das Escolas de Samba na Cidade do Samba): cede com 10%
do lucro bruto.
GE.Net – No projeto do Pan estava implícito
que a cidade ganharia muito em infra-estrutura...
Dantas - Não ganhou tanto, né. Isso é uma falha
porque, na verdade, o dinheiro não deu em nenhuma das
instâncias para fazer aquilo tudo que nós gostaríamos
de fazer na área de transporte, de infra-estrutura.
Mas a Prefeitura está fazendo um superesforço na área
de infra para honrar quase tudo que foi combinado que
caberia a ela. Estou levando para o prefeito uma relação
com mais de 250 ruas que serão asfaltadas antes do Pan.
São R$ 30 milhões. A licitação já está na rua porque
temos que arrumar a cidade. E isso fica. Áreas onde
terão os Jogos serão reasfaltadas, receberão sinalização
horizontal, vertical...
GE.Net – Mas o que a cidade já ganhou na prática?
Dantas - Várias obras de asfalto, Airton Senna,
Desembargador Abelardo. Várias que a população já está
usando, mas ainda não percebe. Os equipamentos que começam
a tomar forma. Infelizmente, desgraça tem manchete,
a lógica é esta. Embora o esgoto seja obrigação do Governo
Estadual, do Sedae, nós pegamos R$ 50 milhões nossos
e fizemos todo o saneamento básico do Recreio dos Bandeirantes,
Base Grande, Base Pequena e Cambonin. A gente pega esgoto,
purifica 95% e joga na lagoa só com 5% de resíduo. São
140km de rede para recolher.
GE.Net – Santo Domingo ficou marcado como
a edição das sedes inacabadas...
Dantas - Acabou, porém, acabou no dia. Alguns
até entraram na semana seguinte. Aqui no Rio, na parte
da Prefeitura, eu posso garantir que nenhum equipamento,
a partir do dia 13 de julho, será tocado para terminar
nenhum tipo de obra. Ou seja, todas as obras da Prefeitura
serão entregues a tempo para realização dos Jogos Pan-americanos.
Ou seja, no dia 13 de julho, que é o dia de abertura
dos Jogos, todas nossas obras estarão prontas, acabadas
e entregues aos organizadores dos Jogos Pan-americanos.
Todas. Isso eu posso garantir. Pode colocar que eu estou
garantindo. Cobre-me dia 14.
GE.Net – Nas conversas com Nuzman (Carlos
Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro
e do Comitê Organizador dos Jogos), ele chegou a dar
alguma recomendação ou pediu algum cuidado especial
quanto a isso?
Dantas - Converso com Nuzman muito pouco. Conversei
acho que cinco vezes neste período todinho e nunca foi
para tratar de obras. Porque cada macaco no seu galho.
Eu não trato da área de esportes, de organização dos
Jogos, ele também não vem se meter na minha área para
dar palpite de obras. Se nós falharmos, vamos pagar
o preço por isso. Se ele falhar na área dele, também
vai. Claro que se tem uma interface: a gente mostrar
o que está sendo feito para que tenham tranqüilidade
que os prazos serão realizados na hora do combinado,
na forma que foi combinada.
GE.Net – Como fica o caixa da Secretaria pós-Pan?
Depois de todo este esforço concentrado para o Pan,
o que vocês já têm programado para a cidade?
Dantas – O prefeito vai procurar entregar a
Cidade da Música no primeiro semestre do ano que vem,
uma obra que vai marcar a gestão dele, e vai continuar
fazendo aquilo que sempre fizemos: vilas olímpicas.
Já temos dez e mais duas estão em construção. Ele vai
continuar os programas Rio Cidade, Rio Comunidade, Favela
Bairro. São programas que já têm 12 anos e deram certo.
É isso. Ninguém vai inventar a roda a esta altura do
campeonato. Falta um ano e dez meses para terminar o
mandato dele. Tem que cumprir o que prometeu lá atrás.
O que plantou e semeou vai colher no final do mandato.
Muitas obras serão inauguradas este ano e ano que vem
exatamente por isso.
GE.Net - Qual será a cara do Rio depois que
tudo que é voltado ao Pan estiver pronto e entregue?
Dantas - Vai ser uma cidade com expertise muito
grande na área de esportes, uma vocação natural do Rio,
que é turismo, esporte e serviços. O Rio não é uma cidade
industrial, São Paulo é. O turismo de São Paulo 90%
é de negócios. O cara aproveita para ir a um restaurante,
ver uma boa peça de teatro, um show, mas o turismo de
São Paulo é voltado para o negócio, business. Aqui o
contrário, o turismo é de lazer, cultural e, se Deus
quiser, será o esportivo porque já convencemos de certa
forma a burguesia da Avenida Atlântica que a praia é
de todos. Há quatro anos, a gente montava uma arena
lá para ter um campeonato mundial de futebol de praia
e era um drama, agora acalmaram. Viram que o mundo não
acaba.
Então é isso, o Rio tem sua vocação natural e acho que
o grande legado do Pan é qualificá-lo como a cidade
de esportes que tem competência para realizar eventos
esportivos de grande porte e que vai talvez beneficiar
a gente nas Olimpíadas de 2016.
GE.Net – Com tudo o que foi realizado para
o Pan, o que ainda fica por fazer para as Olimpíadas?
Dantas - Acho que o Rio tem que se qualificar
melhor na questão da infra-estrutura: saneamento, água
e tem que se qualificar melhor em diminuir as desigualdades
entre suas áreas. Tem algumas áreas que estão precisando
de investimentos maciços e nós fizemos isso, nosso dever
de casa foi feito. O Rio tem 600 favelas aproximadamente,
200 delas sofreram intervenção do maior programa mundial
de inclusão social urbana: o Favela-Bairro. Nós investimos
US$ 1 bilhão, em 12 anos de Governo, em um programa
que é modelo do BID (Banco Internacional de Desenvolvimento),
que exporta isso para países da África. Mas ainda faltam
400 favelas. O trabalho é longo, isso demora 30 anos,
fizemos 12 tem mais 18...
| Estádio |
Cidade |
Intervenção |
Capacidade |
Invest.(*) |
Invest./
Assento(*) |
Invest./
Assento(**) |
| Hanouver |
Hanouver |
Reforma |
39.287 |
64.000€ |
1,63€ |
R$4,26 |
| Olympiastadion |
Berlim |
Reforma |
66.021 |
242.000€ |
3,67€ |
R$9,59 |
| Frankfurt |
Frankfurt |
Reforma |
43.324 |
125.000€ |
2,89€ |
R$7,54 |
| Gelsenkirchen |
Gelsenkirchen |
Construção |
48.426 |
191.000€ |
3,94€ |
R$10,31 |
| Hamburgo |
Hamburgo |
Reforma |
45.442 |
97.000€ |
2,13€ |
R$5,58 |
| Colônia |
Colônia |
Reforma |
40.590 |
119.000€ |
2,93€ |
R$7,67 |
| Zentralstadion |
Leipzig |
Reconstrução |
38.898 |
90.600€ |
2,33€ |
R$6,09 |
| Allianz |
Munique |
Construção |
59.416 |
280.000€ |
4,71€ |
R$12,32 |
| National
Stadium |
Pequim
(Olympic Green) |
Construção |
91.000 |
374.000€ |
4,11€ |
R$8,75 |
| João Havelange |
RJ |
Construção
(somente estádio) |
45.000
(c/ infra-estrutura
p/ 60.000) |
R$26.3149 |
- |
R$5,01
(capacidade média p/ 52.500) |
| João
Havelange |
RJ |
Construção
(Complexo Olímpico) |
45.000
(c/ infra-estrutura
p/ 60.000) |
R$315.000
(***) |
- |
R$6,00
(capacidade média p/ 52.500) |
(*) x 1.000 (**)
R$ Mil (cotações em 06/04/2006)
(***) Estádio - R$ 263.149 / Edf. Adm - R$
7.830 / Edf. Garagem -R$ 44.021 |
|