| Por Marta Teixeira
| Dirigente
resgata memória olímpica |
Chefe das missões brasileiras desde os
Jogos Pan-americanos de Winnipeg-99 e coordenador-técnico
do Comitê Olímpico Brasileiro (COB),
o ex-jogador Marcus Vinícius Freire ainda
encontrou tempo para mais uma atividade. Após
seis anos de pesquisa, ele lançou o livro
Ouro Olímpico – A história do
marketing dos aros, na última segunda-feira,
em São Paulo. Escrita em parceria com a jornalista
Deborah Ribeiro, a publicação desvenda
os caminhos do marketing esportivo nas grandes competições
esportivas e resgata histórias de grandes
personalidades do esporte.
Uma das poucas publicações do gênero
no país, o livro foi editado pela Casa da
Palavra, no selo COB Cultural. O lançamento
acabou se tornando ponto de encontro de três
gerações do vôlei olímpico.
Antônio Carlos Moreno (Moscou-80) e Leonídio
Pasquali (Seul-88), além dos vice-campeões
olímpicos em Los Angeles-84 Bernard Rajzman,
Domingos Maracanã e Amauri Ribeiro, que também
foi campeão em Barcelona-92, prestigiaram
o ex-companheiro, além do meio-fundista Zequinha
Barbosa. |
Terceiro lugar no quadro geral,
brigando de perto com a delegação cubana,
tradicional vice do torneio. Esta é a meta do
Brasil para os Jogos Pan-americanos do Rio, em julho.
Responsável pelo comando
da delegação, o chefe de missão
e coordenador técnico do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB), Marcus Vinicius Freire, tem seguido
de perto a preparação em todas as modalidades
no país e até ‘espionado’
alguns adversários. Munido destes dados, ele
aposta em boas surpresas para o país na capital
fluminense.
Além das esperadas medalhas em esportes tradicionais
como judô, vôlei, basquete e ginástica,
Freire acha que alguns ‘coadjuvantes’ olímpicos
podem fazer bonito este ano. Não apenas pelo
apoio da torcida local mas, principalmente, porque pela
primeira vez o país contou com recursos financeiros
estáveis para todo um ciclo de preparação.
Em 2002, após a regulamentação
da Lei Agnelo-Piva, as Confederações Brasileiras
passaram a receber parte da renda das loterias federais.
Com a conquista da sede dos Jogos Pan-americanos, a
ajuda passou a incluir também isenções
fiscais para a importação de artigos esportivos
e a contratação de técnicos estrangeiros
em um movimento que, Freire garante, deixa até
as Olimpíadas para trás. “O esporte
brasileiro parou e disse: 2007 é o ano.
Depois a gente vê. Temos 12 meses para ver Pequim”.
Depois de tantas mudanças na situação,
o dirigente não tem dúvidas, os Jogos
do Rio serão um verdadeiro teste para o Brasil
mostrar o verdadeiro patamar esportivo que conseguiu
alcançar. “(o resultado) Vai ficar mascarado?
Lógico, porque vamos estar aqui e é óbvio
que deveria ser melhor que se estivéssemos jogando
na Argentina. Mas vai ser esta a fotografia”.
Estruturalmente, o país também terá
a oportunidade de mostrar suas fichas para a candidatura
como sede dos Jogos de 2016. Ex-atleta olímpico,
foi medalha de prata com a seleção de
vôlei em Los Angeles-84, Freire acredita que o
nível de organização do Pan credencia
o sonho olímpico pela qualidade das instalações
e pelo comprometimento com o projeto.
Responsável pela chefia das missões nacionais
desde Winnipeg-99, ele não tem
dúvidas: o Pan qualifica o país para os
Jogos Olímpicos. “A Vila Pan-americana
é de nível olímpico”, destaca,
comparando com a situação no Canadá
onde as delegações foram distribuídas
em instalações adaptadas.
Mas e a questão financeira? Como bancar os acréscimos
estruturais necessários para receber uma Olimpíada?
Formado em Economia e com longa experiência no
mercado financeiro, o dirigente vê na parceria
público-privada a solução. “É
assim desde Atlanta-92”, explica.
A fórmula foi a proposta apresentada pelo Brasil
para o próprio Pan deste ano. Mas nas contas
do Governo Federal acabou não funcionando exatamente
desta maneira. Em março, a União calculou
seus números e chegou à conclusão
que 50% do orçamento dos Jogos saem dos cofres
federais. Vinícius discorda. “Não
dá para fazer as contas assim. Você precisa
separar o que é investimento que vai ficar para
o país, do orçamento com a organização”.
Público ou privado, o Pan promete ser um termômetro
esportivo no Brasil.
Nesta entrevista concedida anteriormente à GE.Net,
o dirigente fala sobre a expectativa do COB para este
Pan e as mudanças ocorridas na mentalidade esportiva
do país, desde a estrutura de bastidores até
os recursos.
Gazeta Esportiva.Net – Você é
o responsável por acompanhar a preparação
de todas as equipes brasileiras para o Pan. Como está
o seu trabalho agora?
MV – Vamos levar a maior delegação
da história brasileira, quase 900 pessoas (700
atletas). É o primeiro Pan para o qual conseguimos
realmente fazer uma programação de quatro
anos, graças à Lei Agnelo-Piva e a patrocinadores,
em alguns casos. Desde a República Dominicana
até meados deste ano, cada Confederação
conseguiu se programar e fizemos a melhor preparação
de todos os tempos.
Em função do Pan, importamos muito material
que será usado nos Jogos, mas que também
já começamos a usar em treinamento (barcos,
aparelhos de ginástica, pisos, bolas). Todo este
material (em torno de US$ 10 milhões) é
um dos legados que vai ficar dos Jogos para treinamento
e competições.
Outro ponto importante são os técnicos
estrangeiros que trouxemos para várias modalidades,
mas sempre com uma preocupação: pelo acordo,
tem sempre um brasileiro junto e ele tem a responsabilidade
de passar este conhecimento para um corpo técnico,
que vai ser o futuro de cada um destes esportes no Brasil.
Agora eu acompanho as definições das equipes.
GE.Net – A meta brasileira é o
terceiro lugar geral, mas vocês têm expectativas
específicas por modalidade?
MV – Não. Nossa meta parcial (em
todos os Jogos) sempre tem sido classificar o maior
número de atletas. No Brasil não temos
esse problema (como sede, o país tem vaga em
todas). Depois do número de atletas, vem o número
de modalidades, depois ficar entre os dez, apesar de
o brasileiro não gostar de ficar em segundo ou
terceiro e, no caso de alguns esportes, ter chance de
medalha (chegar à fase final). Esses são
nossos parâmetros principais. As conseqüências
vão aparecer no quadro de medalhas, comparável
com os outros países. Nosso papel é muito
mais macro do que pensar em desempenho desta ou daquela
modalidade.
GE.Net – Pela primeira vez na história,
o esporte brasileiro contou com recursos estáveis
em um ciclo completo de preparação. Depois
de tudo isso, o resultado do Pan vai ser encarado como
uma prova?
MV – Sem dúvida. Mas você
vai vendo isso durante os anos, de 2003 para 2007, e
tem que comparar o que aconteceu no meio. Acho que em
2007 vamos ter algumas surpresas agradáveis porque
vem sendo feito um trabalho. Não adianta só
apostar no cara que já é medalhista ou
que eu tenho certeza que será finalista, porque
dez meses depois tem Pequim, depois Sul-americano e
depois o Pan no México. Então, a gente
sempre diz que um pedaço (dos recursos) tem que
ser para o futuro, o que a gente chama de seleções
olímpicas permanentes. E isso já está
dando resultado. Na ginástica, por exemplo, o
técnico já diz que a base das mais novas
é melhor que a de Daiane (dos Santos) e Daniele
(Hypólito).
GE.Net – Para algumas modalidades que
nunca tiveram apoio, este dinheiro foi um diferencial.
Isso aumenta a expectativa em relação
a resultados?
MV – Algumas confederações
são historicamente nossas medalhistas olímpicas
e em Pans e, em função disso, são
as que têm patrocínio. Mas algumas que
não tinham nada mudaram de patamar. O tênis
de mesa é um caso. Não tinha patrocinador
há muito tempo e, até o último
Pan, o Hugo Hoyama era sozinho.
Hoje, tem três garotos na cola dele. Isso é
um exemplo de renovação através
deste apoio. Não gosto de destacar um atleta
ou Confederação especificamente porque
sempre vai esquecer alguém. Mas principalmente
as que não tinham apoio nenhum é que vão
aparecer. Elas serão as surpresas que eu digo.
| Cuba,
a imbatível |
De olho na terceira posição no quadro
de medalhas pan-americano, Marcus Vinícius
faz os cálculos para que o Brasil atinja
sua meta lembrando do desempenho nacional em Santo
Domingo-2003 (ver quadro). “Só precisaríamos
ganhar 17 medalhas de prata a mais ou um ouro resolveria
a situação”.
A disputa com Cuba é mais complicada. Investindo
em modalidades que rendem muitas medalhas individuais,
a ilha de Fidel Castro conquistou mais que o dobro
de primeiras colocações que o Brasil
na República Dominicana. Uma potência
que, bem-humorado, o dirigente só vê
uma forma de superar este ano: impedindo-os de entrar
no país.
| Posição/
País |
Total de
medalhas |
Ouro |
Prata |
Bronze |
| 1º Estados Unidos |
270 |
117 |
80 |
73 |
| 2º Cuba |
152 |
72 |
41 |
39 |
| 3º Canadá |
128 |
29 |
57 |
42 |
| 4º Brasil |
123 |
29 |
40 |
54 |
| Fonte: Comitê Olímpico
Brasileiro (COB) |
|
GE.Net – Você não acompanha
apenas os brasileiros, também segue a preparação
dos adversários...
MV – A gente acompanha todos os resultados
dentro dos mundiais, pan-americanos e sul-americanos de
categoria. Por exemplo, se temos um atleta classificado
nos 200m, temos um por um os caras que têm o tempo
dele e que possivelmente estarão aqui. Por isso,
quando a gente aponta que pode ser terceiro, é
porque sabemos quem vem do Canadá, dos Estados
Unidos... As delegações têm vindo
aqui e temos confirmado o tamanho delas, perguntamos se
vêm com o time principal, quem se aposentou. Temos
esta análise internacional, mas Cuba é uma
incógnita porque sempre faz um filtro interno que
muitas vezes corta alguns que poderiam ser medalhistas.
GE.Net – Além da competição
em si, como isso ajuda as Confederações?
MV – Nós damos o apoio, quem faz
o plano é a Confederação. Junto com
estas informações, ajudamos o departamento
técnico deles, que muitas vezes é pequeno,
a preparar a estratégia. A história do esporte
brasileiro sempre foi imediatista porque não tinha
dinheiro. Perto de um Pan ou Olimpíada o cara vinha
com um patrociniozinho. Mas meu esporte de origem mostrou
que quando você muda isso, passa a ter resultado.
O vôlei apostou nas categorias inferiores, fomos
vice-mundiais em 1981. Nas Olimpíadas de 84, Nuzman
(Carlos Arthur Nuzman, então presidente da Confederação
de Vôlei) e Bebeto (de Freitas, técnico da
seleção) disseram que metade do time tinha
de ser da seleção juvenil e foi o que começou
a dar resultado no adulto. Esse mapa ajuda a mostrar esta
estratégia.
GE.Net – A mentalidade imediatista está
mudando?
MV – Já mudou. Foi até um
susto da primeira vez que chegamos às Confederações
e dissemos: a partir de agora você vai ter de fazer
um plano de quatro anos. Mas eles vão aprendendo
e nós também. Você vê a vela,
por exemplo, que tem uma base na Europa desde Sydney-2000.
Teoricamente, sem nenhum recurso ou com recurso imediato
você não tem a menor chance de manter um
barco no porto do lago de Como (que está mudando
para Timau) e sem planejamento você nunca imaginaria
isso. Na última Olimpíada, levamos os cavalos
do CCE (Concurso Completo de Equitação)
e alugamos uma fazenda na Escócia. Antes, chance
zero de isso acontecer, era ir direto, pagar quarentena,
treinar fechado e depois competir. Mas você vai
aprendendo.
GE.Net – As Confederações
também precisaram se adaptar...
MV – Tem uma história que o Lula
sempre conta. O cara dizia: a Confederação
tá de sede nova, eu troquei de carro. Isso porque
ficava tudo no porta-malas. Mas, desde a Lei Agnelo-Piva,
tem um percentual mínimo que é para manutenção
da sede, porque se você não forçar
há pessoas que não querem se mexer.
GE.Net – É possível mensurar
a evolução do esporte brasileiro nestes
quatro anos?
MV – É difícil dizer e
vamos esperar 2007 para que se possa comparar no resultado.
Vai ficar um pouco mascarado porque você joga
em casa e logicamente tem vários benefícios.
Mas acho que vai ser uma forma de a gente pesar, não
olhando o número de medalhas conquistadas, mas
o que eu já
disse: número de modalidades, número de
atletas que fizeram a final e número de atletas
que tinham chance de ganhar medalha. Na coletiva final
de imprensa a gente abre o mapa.
GE.Net – Desde seu primeiro Pan, em Winnipeg,
seu papel como chefe de missão mudou muito...
MV – Ele cresceu como o próprio
esporte brasileiro. Em 99, fomos tapando buraco. Orçamento
não existia, você vivia um pouco de uma verba
que o COB tinha, um pouco do Ministério. É
meio baba ovo o que vou dizer, mas o Nuzman mudou a função
do COB no esporte. Até ali, a função
do COB era juntar delegação, colocar o mesmo
uniforme e levar para algum lugar. De 96 para frente,
o COB passou a viver com as Confederações
os problemas e os louros. Isso é uma responsabilidade
monstruosa. O COB hoje é formado por uma turma
que tem histórico esportivo e esta é outra
mudança. Nós fizemos o levantamento de quantos
atletas trabalham aqui, são 35-37 e vamos chegar
a 60 caras que viveram esse negócio, ajudando atletas
a ficarem melhores porque o objetivo é 100% este.
Qual a função? Fazer que treinador e atleta
tenham a melhor condição.
GE.Net – A participação
de ex-atletas foi fundamental para redirecionar o perfil
do COB?
MV - Foi. Foi feita aos poucos porque você
tem que preparar o ex-atleta. Mas é um caminho
sem volta. Tem que fazer parte da administração
do esporte quem viveu do esporte para estar contribuindo.
GE.Net – Você chefiou a delegação
brasileira em seis eventos (Pans de Winnipeg-99, Santo
Domingo-2003, Olimpíadas de Sydney-2000 e Atenas-2004,
mais dois Sul-americanos), qual foi a experiência
mais difícil?
MV - O mais difícil foi Sydney por vários
motivos: a cidade era do outro lado do mundo, o transporte
era difícil, a distância era muito grande,
tivemos que viajar muito antes, fomos para Canberra
e estava muito frio. Além disso, foi minha primeira
Olimpíada como chefe de missão e ainda
estava conhecendo as pessoas.
GE.Net – Organizar em casa é mais
difícil?
MV - Acho e espero que este seja o mais fácil,
porque falo com qualquer pessoa sobre qualquer assunto.
Mas é mais preocupante. Participamos da candidatura
e mostramos que era o esporte e não a política.
Mas depois da comemoração é igual
casamento, quem menos aproveita são os noivos.
Vamos viver uma preocupação boa, saudável,
mas é uma preocupação, porque existe
uma responsabilidade.
GE.Net – Seu assunto é esporte,
organização é com o CO-Rio, mas
claro que os problemas relacionados às sedes
também te atingem. Temos este impasse na vela,
o que você acha de tudo isso?
MV – Eu diria que minha preocupação
na Vela é diferente da preocupação
do CO-Rio. A gente desligou, não tô ligando.
Nossa preocupação é dentro do time.
Minha resposta é parecida com a dos atletas:
competição é na água. O
problema é do CO-Rio, da Odepa, a prova vai ser
na água e a água vai ser igual. Independente
de estar na Marina, na Escola Naval, no Iate, a raia
está no mesmo local.
GE.Net – Está mais fácil
ser atleta hoje que no seu tempo?
MV – Muito mais fácil, graças
a Deus. Nossa geração foi a primeira profissional
do vôlei, mas era um começo. Programação
de quatro anos não tinha. Um mês antes você
sabia que o Campeonato Brasileiro ia ser no mês
que vem ou que não ia ter mais naquele ano. As
empresas também passaram a acreditar que esta é
uma bandeira boa. Claro que este ano muito mais, mas tem
muita gente acreditando que isto traz valores positivos
para sua marca, sua empresa. Então, o atleta passou
a realmente poder viver disso. Mas ele tem que se preparar,
porque esta vida é curta. Nós estamos no
caminho de construir um instituto dentro do COB para ajudar
estas pessoas a virarem técnicos, administratores
esportivos ou, se quiser outro caminho, outro caminho.
GE.Net – Jogador ou personagem de bastidor,
o que é mais fácil?
MV – Ser jogador. Aí não
tem jeito, você toma conta da bola. Aqui eu fico
desesperado. Mas eu diria que a alegria é muito
parecida. Quando a tocha (olímpica) passou aqui,
escolheram alguns atletas, a maioria campeão olímpico.
Eu fui vice, mas era reserva. Alguém maldoso perguntou
por que eu achava que tinha sido escolhido e eu respondi:
porque na Dominicana eu ganhei 123 medalhas, um pedaço
de cada uma delas. Em Atenas foram tantas (dez), Sydney
tantas (12), Winnipeg tantas (101). Um pedacinho de todas
elas eu acho que participei. E é verdade. Eu realmente
sinto isso quando um garoto ganha, porque lá atrás
ele disse que ia parar se alguém não ajudasse
ou porque um dia nós o levamos para um médico
e não para outro. E realmente temos um retorno
muito bom desta molecada toda.
GE.Net – De que forma o Pan será
aproveitado para o projeto olímpico?
MV – O Pan é um degrau para a
gente, mas por ser no Rio é um degrau totalmente
diferente. Nós focamos aqui todos os nossos recursos
e objetivos.
Depois vamos ter de fazer o trabalho de burilar tudo
em um ano, desde a classificação dos atletas.
Nós focamos nosso circo para 2007, mas já
estamos fazendo o necessário para 2008. Já
fui três vezes para a China ver locais de competição,
onde vamos fazer aclimatação, mas nosso
foco esportivo é 2007.
Não tem nenhum esporte que esteja pensando: vou
economizar em 2007 porque na Olimpíada... Zero,
nenhum. O esporte brasileiro parou e disse: 2007 é
o ano, depois a gente vê. Depois temos um ano para
ver Pequim. Quer dizer, eles têm 12 meses, eu tenho
uma semana porque a reunião dos chefes de missão
é uma semana depois, em 6 de agosto.
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