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18/05/2007
Montagem sobre foto de Divulgação

Novata, Veruska Clednev fala em surpreender no Pan

Pan-americanos revivem
as origens no Paulista
“Tirar foto quando estou me trocando é fogo, hein?”. Com imenso bom humor e humildade, César Cielo veio especialmente dos Estados Unidos para representar o Esporte Clube Pinheiros no Campeonato Paulista de Natação. Foram inscritos 14 atletas classificados para os Jogos Pan-americanos, mas apenas o velocista e a jovem Veruska Clednev aceitaram ajudar seus clubes em uma competição que está longe de apresentar o mesmo nível técnico das principais disputas internacionais.

Mesmo com todo o glamour do quarto lugar obtido no Mundial de Melbourne na prova dos 100m livre, César Cielo caminhava tranqüilo e sorridente pelo Tênis Clube de Campinas. Afinal, foi a chance de reencontrar amigos, reviver histórias do passado e também pagar uma dívida com seu clube de origem, o Pinheiros.

”Disputar esse Campeonato Paulista é uma situação diferente para mim. Estou aqui mais para me divertir, já que venho de um período forte de treinos. Também é a chance de comparecer com meu clube, já que não pude ir ao Troféu Maria Lenk”, reconhece o atleta, que estuda e treina nos Estados Unidos.

Nascido em Santa Bárbara D´Oeste, César Cielo não deixou de lado o jeito simples do interior durante sua passagem pelo Tênis Clube de Campinas. Paciente, tirou fotos com os colegas e respondeu a todas as dúvidas sobre suas experiências fora do Brasil. “Alguns me questionavam sobre a parte técnica da natação, sobre os treinos. Outros querem saber como é disputar um Campeonato Mundial”, explica.

Um dos que se arriscou a tirar uma foto com a estrela brasileira foi Cauê Paciornik, de apenas 17 anos. O atleta garante que já conhecia César Cielo de uma experiência na seleção brasileira juvenil. Mas reconheceu a importância da presença do nadador no Campeonato Paulista.

”É um cara que admiro. Vejo como um exemplo para todos que estão aqui. Como atleta, eu também tenho o sonho de alcançar o nível dele e disputar um Pan-americano e até os Jogos Olímpicos”, diz Cauê, que divide a rotina de treinos com a faculdade de fisioterapia na cidade de Santos.

Enquanto César Cielo concedia entrevista à reportagem da GE.Net, houve uma situação curiosa. Maria Luiza dos Santos, mãe da nadadora Laís D´Agostini, de apenas 17 anos, não perdia um detalhe das respostas do nadador. Seu objetivo: passar os ensinamentos do campeão para a filha, que também participa do Campeonato Paulista.

”Gostei principalmente quando ele falou que não ficou satisfeito com o quarto lugar no Mundial. O pessoal da natação é assim mesmo. Minha filha era segunda, terceira colocada nas provas e não gostava, pensou até em desistir”, afirma Maria Luiza dos Santos. “Agora, ela está empenhada na natação. No meio do ano, até vai passar um tempo nos Estados Unidos”, completa.

Já Veruska Clednev, de somente 17 anos, ainda não tem a mesma visibilidade de César Cielo na natação mundial. Mesmo assim, também foi destaque na competição estadual para tentar ajudar o São Caetano na disputa por equipes.

“Estou vindo aqui para treinar. Passei por uma carga dura de trabalhos recentemente e ainda estou pesada. Então, não estou preocupada com os tempos aqui em Campinas. Meu principal objetivo é ajudar meu clube, o São Caetano, a ganhar pontos importantes na competição”, confirma a nadadora, classificada para os 200m peito no Rio-2007.

Vitória - Em seu primeiro dia no Campeonato Paulista, César Cielo já mostrou todo seu potencial. Na disputa dos 50m borboleta, ganhou a medalha de ouro e ainda bateu o recorde da competição. “Acho que foi meu melhor tempo nesta prova em piscina curta”, garante o nadador, que ainda participa dos 50m e 100m livre no Estadual.

Aos 17 anos, a jovem Veruska Clednev terá uma oportunidade única: vai disputar os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro sem a pressão de uma medalha. Classificada nos 200m peito, ela não está entre as principais estrelas brasileiras da modalidade – como César Cielo, Kaio Márcio e Thiago Pereira – e reconhece que seu principal objetivo no Rio de Janeiro é adquirir experiência para o futuro.

Só que Veruska Clednev também se mostra ambiciosa. Em entrevista exclusiva à reportagem da Gazeta Esportiva.Net durante sua participação no Campeonato Paulista, em Campinas, a nadadora deixou claro que trabalhará para aprontar uma surpresa em julho. Suas maiores adversárias: norte-americanas, canadenses e a também brasileira Tatiane Sakemi, que se classificou com o melhor tempo do país nos 200m peito.

Para pensar em pódio, Veruska Clednev será obrigada a trabalhar duro nos dias que faltam para o Pan. Fã de Fabíola Molina e Thiago Pereira, a atleta do São Caetano acha que precisa melhorar seu melhor tempo em quatro segundos para brigar por uma medalha. Será possível? Confira o bate-papo.

GE.NET: Aos 17 anos, qual sua perspectiva no Pan?
Veruska Clednev:
Essa será meu primeiro Jogos Pan-americanos. Vou para adquirir experiência, conhecer como as coisas acontecem. Acho que, pelos meus tempos, tenho até possibilidade de sonhar com uma medalha na competição.

GE: Mas quanto você precisa melhorar para sonhar com uma medalha?
Veruska:
Acho que teria que melhorar uns quatro segundos para pensar em uma medalha. Ano passado, havia a chance de eu evoluir no meu tempo, mas não foi possível. Acho que agora tenho totais condições, mesmo com menos de dois meses para o início da competição

GE: Quem são as principais adversárias no Rio?
Veruska:
Acho que as principais adversárias serão norte-americanas e canadenses. O time dos Estados Unidos não será o principal no Pan. Elas competem com a equipe B, mas a diferença é muito pequena em relação aos principais atletas deles.

GE: E ainda tem a disputa interna com a Tatiane Sakemi?
Veruska:
É verdade, a Tatiane Sakemi também tem totais condições de alcançar um bom resultado no Pan. Temos um bom relacionamento, chegamos até a treinar no mesmo clube, mas não somos de comentar muito a parte técnica. Quando estamos juntas, preferimos conversar sobre outras coisas.

GE: Uma chance boa de você evoluir era participar dos treinos na Espanha com parte da delegação que embarcou nesta quinta. Porque você não foi?
Veruska:
Infelizmente não houve a possibilidade de eu viajar para a Espanha com os outros atletas. Foi uma escolha técnica. Primeiro, iam 24. Aí o número caiu para 15. No final, foram apenas os nove com índice melhor. Eu até propus pagar para estar com a delegação, mas não aceitaram.

GE: Muito se fala no sucesso do Michael Phelps na natação. É possível ter um fenômeno feminino como ele entre as mulheres?
Veruska:
Acho difícil aparecer uma mulher como o Michael Phelps. As atletas do feminino costumam nadar uma prova específica. Além disso, ele tem um desempenho físico impressionante, algo que não vejo em alguém do feminino

GE: Você ainda é muito jovem. Como vê essa pressão por resultados na natação? Como pensa em administrar o desgaste físico e emocional?
Veruska:
É complicado, mas não podemos ficar pensando nessas coisas. Se ficar preocupado com o treino, provavelmente algo de errado vai acontecer. Acho que os atletas devem levar tudo numa boa.

GE: Você tem algum ídolo na natação?
Veruska:
Tenho dois grandes ídolos. Uma é a Fabíola Molina, que ainda está em atividade e até vai para o Pan. Ela começou muito cedo como eu (disputou o primeiro Pan-americano em 1991, em Havana, aos 16 anos). Cheguei até a pedir autógrafo para ela. Quem sabe não possa conversar mais com ela no Rio de Janeiro? Também gosto muito do Thiago Pereira, uma pessoa que já conversei e tenho relacionamento mais próximo. Admiro jeito de ele nadar.

GE: No Pan, você tem curiosidade em conhecer atletas de outros esportes?
Veruska:
Sim, é claro. Gostaria de conhecer as meninas da ginástica artística, que fazem um ótimo trabalho. Também acharia legal um contato com o pessoal do vôlei, que sempre traz excelentes resultados para o Brasil.

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