| Novata, Veruska Clednev fala em surpreender
no Pan
Pan-americanos
revivem as origens no Paulista |
| “Tirar foto quando estou me trocando é fogo, hein?”.
Com imenso bom humor e humildade, César Cielo veio
especialmente dos Estados Unidos para representar
o Esporte Clube Pinheiros no Campeonato Paulista
de Natação. Foram inscritos 14 atletas classificados
para os Jogos Pan-americanos, mas apenas o velocista
e a jovem Veruska Clednev aceitaram ajudar seus
clubes em uma competição que está longe de apresentar
o mesmo nível técnico das principais disputas internacionais.
Mesmo com todo o glamour do quarto lugar obtido
no Mundial de Melbourne na prova dos 100m livre,
César Cielo caminhava tranqüilo e sorridente pelo
Tênis Clube de Campinas. Afinal, foi a chance
de reencontrar amigos, reviver histórias do passado
e também pagar uma dívida com seu clube de origem,
o Pinheiros.
”Disputar esse Campeonato Paulista é uma situação
diferente para mim. Estou aqui mais para me divertir,
já que venho de um período forte de treinos. Também
é a chance de comparecer com meu clube, já que
não pude ir ao Troféu Maria Lenk”, reconhece o
atleta, que estuda e treina nos Estados Unidos.
Nascido em Santa Bárbara D´Oeste, César Cielo
não deixou de lado o jeito simples do interior
durante sua passagem pelo Tênis Clube de Campinas.
Paciente, tirou fotos com os colegas e respondeu
a todas as dúvidas sobre suas experiências fora
do Brasil. “Alguns me questionavam sobre a parte
técnica da natação, sobre os treinos. Outros querem
saber como é disputar um Campeonato Mundial”,
explica.
Um dos que se arriscou a tirar uma foto com
a estrela brasileira foi Cauê Paciornik,
de apenas 17 anos. O atleta garante que já conhecia
César Cielo de uma experiência na seleção brasileira
juvenil. Mas reconheceu a importância da presença
do nadador no Campeonato Paulista.
Ӄ um cara que admiro. Vejo como um exemplo
para todos que estão aqui. Como atleta, eu também
tenho o sonho de alcançar o nível dele e disputar
um Pan-americano e até os Jogos Olímpicos”, diz
Cauê, que divide a rotina de treinos com a faculdade
de fisioterapia na cidade de Santos.
Enquanto César Cielo concedia entrevista à reportagem
da GE.Net, houve uma situação curiosa.
Maria Luiza dos Santos, mãe da nadadora Laís D´Agostini,
de apenas 17 anos, não perdia um detalhe das respostas
do nadador. Seu objetivo: passar os ensinamentos
do campeão para a filha, que também participa
do Campeonato Paulista.
”Gostei principalmente quando ele falou que
não ficou satisfeito com o quarto lugar no Mundial.
O pessoal da natação é assim mesmo. Minha filha
era segunda, terceira colocada nas provas e não
gostava, pensou até em desistir”, afirma Maria
Luiza dos Santos. “Agora, ela está empenhada na
natação. No meio do ano, até vai passar um tempo
nos Estados Unidos”, completa.
Já Veruska Clednev, de somente 17 anos, ainda
não tem a mesma visibilidade de César Cielo na
natação mundial. Mesmo assim, também foi destaque
na competição estadual para tentar ajudar o São
Caetano na disputa por equipes.
“Estou vindo aqui para treinar. Passei por uma
carga dura de trabalhos recentemente e ainda estou
pesada. Então, não estou preocupada com os tempos
aqui em Campinas. Meu principal objetivo é ajudar
meu clube, o São Caetano, a ganhar pontos importantes
na competição”, confirma a nadadora, classificada
para os 200m peito no Rio-2007.
Vitória - Em seu primeiro dia no
Campeonato Paulista, César Cielo já
mostrou todo seu potencial. Na disputa dos 50m
borboleta, ganhou a medalha de ouro e ainda bateu
o recorde da competição. Acho
que foi meu melhor tempo nesta prova em piscina
curta, garante o nadador, que ainda participa
dos 50m e 100m livre no Estadual.
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Aos 17 anos, a jovem Veruska
Clednev terá uma oportunidade única: vai disputar os Jogos
Pan-americanos do Rio de Janeiro sem a pressão de uma
medalha. Classificada nos 200m peito, ela não está
entre as principais estrelas brasileiras da modalidade
– como César Cielo, Kaio Márcio e Thiago Pereira – e reconhece
que seu principal objetivo no Rio de Janeiro é adquirir
experiência para o futuro.
Só que Veruska Clednev também se mostra ambiciosa.
Em entrevista exclusiva à reportagem da Gazeta Esportiva.Net
durante sua participação no Campeonato Paulista, em
Campinas, a nadadora deixou claro que trabalhará
para aprontar uma surpresa em julho. Suas maiores adversárias:
norte-americanas, canadenses e a também brasileira Tatiane
Sakemi, que se classificou com o melhor tempo do país
nos 200m peito.
Para pensar em pódio, Veruska Clednev será obrigada
a trabalhar duro nos dias que faltam para o Pan. Fã
de Fabíola Molina e Thiago Pereira, a atleta do São
Caetano acha que precisa melhorar seu melhor tempo em
quatro segundos para brigar por uma medalha. Será possível?
Confira o bate-papo.
GE.NET: Aos 17 anos, qual sua perspectiva
no Pan?
Veruska Clednev: Essa será meu primeiro Jogos
Pan-americanos. Vou para adquirir experiência, conhecer
como as coisas acontecem. Acho que, pelos meus tempos,
tenho até possibilidade de sonhar com uma medalha na
competição.
GE: Mas quanto você precisa melhorar para
sonhar com uma medalha?
Veruska: Acho que teria que melhorar uns quatro
segundos para pensar em uma medalha. Ano passado, havia
a chance de eu evoluir no meu tempo, mas não foi possível.
Acho que agora tenho totais condições, mesmo com menos
de dois meses para o início da competição
GE: Quem são as principais adversárias no
Rio?
Veruska: Acho que as principais adversárias
serão norte-americanas e canadenses. O time dos Estados
Unidos não será o principal no Pan. Elas competem com
a equipe B, mas a diferença é muito pequena em relação
aos principais atletas deles.
GE: E ainda tem a disputa interna com a Tatiane
Sakemi?
Veruska: É verdade, a Tatiane Sakemi também
tem totais condições de alcançar um bom resultado no
Pan. Temos um bom relacionamento, chegamos até a treinar
no mesmo clube, mas não somos de comentar muito a parte
técnica. Quando estamos juntas, preferimos conversar
sobre outras coisas.
GE: Uma chance boa de você evoluir era participar
dos treinos na Espanha com parte da delegação que embarcou
nesta quinta. Porque você não foi?
Veruska: Infelizmente não houve a possibilidade
de eu viajar para a Espanha com os outros atletas. Foi
uma escolha técnica. Primeiro, iam 24. Aí o número caiu
para 15. No final, foram apenas os nove com índice melhor.
Eu até propus pagar para estar com a delegação, mas
não aceitaram.
GE: Muito se fala no sucesso do Michael Phelps
na natação. É possível ter um fenômeno feminino como
ele entre as mulheres?
Veruska: Acho difícil aparecer uma mulher como
o Michael Phelps. As atletas do feminino costumam nadar
uma prova específica. Além disso, ele tem um desempenho
físico impressionante, algo que não vejo em alguém do
feminino
GE: Você ainda é muito jovem. Como vê essa
pressão por resultados na natação? Como pensa em administrar
o desgaste físico e emocional?
Veruska: É complicado, mas não podemos ficar
pensando nessas coisas. Se ficar preocupado com o treino,
provavelmente algo de errado vai acontecer. Acho que
os atletas devem levar tudo numa boa.
GE: Você tem algum ídolo na natação?
Veruska: Tenho dois grandes ídolos. Uma é a
Fabíola Molina, que ainda está em atividade e até vai
para o Pan. Ela começou muito cedo como eu (disputou
o primeiro Pan-americano em 1991, em Havana, aos 16
anos). Cheguei até a pedir autógrafo para ela. Quem
sabe não possa conversar mais com ela no Rio de Janeiro?
Também gosto muito do Thiago Pereira, uma pessoa que
já conversei e tenho relacionamento mais próximo. Admiro
jeito de ele nadar.
GE: No Pan, você tem curiosidade em conhecer
atletas de outros esportes?
Veruska: Sim, é claro. Gostaria de conhecer
as meninas da ginástica artística, que fazem um ótimo
trabalho. Também acharia legal um contato com o pessoal
do vôlei, que sempre traz excelentes resultados para
o Brasil.
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