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04/06/2007
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Por Marcelo Belpiede

O velejador Ricardo Winnick, o Bimba, ficou conhecido pelo público em um momento difícil: a conquista da quarta colocação nos Jogos Olímpicos-2004. Na teoria, seria um bom resultado, mas é preciso levar em conta o fato de que o brasileiro liderou praticamente toda a classificação em Atenas. Mas ele garante que a frustração faz parte do passado.

Depois das Olimpíadas, Bimba teve que se adaptar às mudanças de sua classe, que passou de Mistral para RS:X, mas conquistou bons resultados (recentemente ganhou a badalada Holland Regatta) e deixa claro: está amadurecido. Por isso, é uma esperança importante de medalha para o Brasil nos Jogos Pan-americanos.

Em entrevista exclusiva à GE.Net durante a disputa do Match Race Brasil, competição de barco contra barco no Iate Clube de Búzios, Bimba falou um pouco sobre a superação do trauma das Olimpíadas e da preparação para o Pan. “Se eu começar a liderar uma regata terei mais tranqüilidade e maturidade para lidar com isso”, explicou o velejador, campeão pan-americano em 2003 na classe Mistral.

Para completar, Bimba também destacou a importância de participar de um evento no estilo match race, algo totalmente diferente do que encontra em sua classe habitual. “Acho que mais atrapalhei o meu barco”, opinou de forma humilde, depois da quarta colocação de sua embarcação.

Confira a entrevista:

GE.Net: Você é campeão pan-americano, mas por outra classe. É melhor essa situação de não ter que defender o título?
Bimba:
Não concordo com essa coisa de que não tenho que defender. Preciso defender sim. Mudei de classe, mas continua sendo windsurf e vou com esse pensamento. Mas estou tranqüilo e ficaria feliz em ganhar qualquer uma das medalhas nesse Pan, independente se for ouro, prata ou bronze.

GE.Net: Já conseguiu digerir o quarto lugar nas Olimpíadas?
Bimba:
Se a gente tivesse esse poder de voltar no tempo... Mas prefiro ver pelo lado positivo. Quantos atletas não gostariam de conquistar um quarto lugar em uma edição de Jogos Olímpicos? Claro que foi uma situação complicada, liderei a competição intera. Mas existem pessoas em situação pior, em miséria, doentes. Acho que não posso reclamar do que aconteceu comigo.

GE.Net: Mas qual foi o grande aprendizado desse resultado em Atenas?
Bimba:
Infelizmente foi uma experiência muito ruim, mas, na vida, qualquer coisa que vier é lucro. Posso deixar claro uma coisa: se eu começar a liderar uma regata, desta vez terei mais tranqüilidade e maturidade para lidar com toda essa situação.

GE.Net: Do pessoal da vela, alguém em especial te ajudou a superar esse momento de Atenas?
Bimba:
Todos me ajudaram. Claro que tive o apoio dos amigos, mas a minha esposa esteve ao meu lado em todo esse tempo.

GE.Net: Você vinha invicto em sua classe nas Américas, mas perdeu o Pré-Pan para o venezuelano Carlos Flores. É um resultado preocupante se formos pensar em Pan?
Bimba:
Eu fiz essa regata do Pré-Pan com o material velho e também preocupado apenas com meus adversários brasileiros. Eu tinha que conseguir a classificação, nada mais do que isso. Então eu nem me preocupei com os estrangeiros que estavam lá. Quando iniciava a regata, eu visualizava na largada apenas aqueles que competiam comigo para o Pan. Mas falando especificamente do venezuelano, eu já ganhei dele outras vezes.

GE.Net: Além dele, quem mais pode dar trabalho no Pan?
Bimba:
Acho que tenho outros adversários de respeito, os representantes do México e da Argentina podem dar muito trabalho no Rio de Janeiro. Tenho que ficar em alerta com todos os adversários.

GE.Net: E como foi essa vitória na Holanda? O que representa em sua carreira?
Bimba:
Foi uma conquista muito importante. Sempre estava chegando bem nas competições, alcançando bons resultados, mas nunca havia vencido. É um evento de Grand Slam, apenas nomes consagrados da vela brasileira, como o Robert Scheidt e o Torben Grael, conseguiram vencer um título desse porte. É um orgulho muito grande.

GE.Net: Em um curto espaço de tempo, você tem duas competições importantes pela frente, o Mundial e o Pan. Com é o planejamento para esses dois eventos?
Bimba:
É complicado mesmo. No Rio de Janeiro, a previsão é de ventos fracos. Já no Mundial, que acontece antes (na cidade de Cascais, em Portugal), será o contrário, com expectativa de ventos fortes. O modo de velejar é totalmente diferente, exige esforço de partes diferentes do corpo, mas todos os velejadores precisam se adaptar a isso. Não tem jeito.

GE.Net: Como você espera a participação do público no Pan?
Bimba:
Se todo mundo que está prometendo for assistir à disputa da vela, não irá caber na Baía da Guanabara. Mas, falando sério, espero a participação do pessoal que gosta da modalidade. As pessoas não imaginam, mas tem muita gente que entende e pratica a vela.

GE.Net: Mas e o público leigo em vela?
Bimba:
Acho que seria importante a presença deles também. As pessoas não devem prestigiar apenas as modalidades mais tradicionais como o futebol, vôlei ou basquete. Espero que todos possam assistir também às competições menos conhecidas, não só a vela, mas a esgrima e todas as outras.

GE.Net: No Pan, o que você acha que vai fazer a diferença?
Bimba:
Acho que a diferença é a dedicação. Quem se dedicar em 100%, vai sair com uma medalha. Quem vai ganhar com isso é público, que terá a chance de acompanhar um ótimo evento no Rio de Janeiro, com grandes velejadores.

GE.Net: E sobre sua participação no match race na tripulação do Alan Adler, o que dá para falar?
Bimba:
São esportes completamente diferentes, mas o Alan queria contar com atletas que vão disputar os Jogos Pan-americanos. Trata-se de uma competição com poucos competidores. Acho que mais atrapalhei, mas o Alan é um grande velejador.

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