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Por Marcelo Belpiede
O velejador Ricardo Winnick, o Bimba, ficou conhecido
pelo público em um momento difícil: a
conquista da quarta colocação nos Jogos
Olímpicos-2004. Na teoria, seria um bom resultado,
mas é preciso levar em conta o fato de que o
brasileiro liderou praticamente toda a classificação
em Atenas. Mas ele garante que a frustração
faz parte do passado.
Depois das Olimpíadas, Bimba teve que se adaptar
às mudanças de sua classe, que passou
de Mistral para RS:X, mas conquistou bons resultados
(recentemente ganhou a badalada Holland Regatta) e deixa
claro: está amadurecido. Por isso, é uma
esperança importante de medalha para o Brasil
nos Jogos Pan-americanos.
Em entrevista exclusiva à GE.Net
durante a disputa do Match Race Brasil, competição
de barco contra barco no Iate Clube de Búzios,
Bimba falou um pouco sobre a superação
do trauma das Olimpíadas e da preparação
para o Pan. “Se eu começar a liderar uma
regata terei mais tranqüilidade e maturidade para
lidar com isso”, explicou o velejador, campeão
pan-americano em 2003 na classe Mistral.
Para completar, Bimba também destacou a importância
de participar de um evento no estilo match race, algo
totalmente diferente do que encontra em sua classe habitual.
“Acho que mais atrapalhei o meu barco”,
opinou de forma humilde, depois da quarta colocação
de sua embarcação.
Confira a entrevista:
GE.Net: Você é campeão
pan-americano, mas por outra classe. É melhor
essa situação de não ter que defender
o título?
Bimba: Não concordo com essa coisa de
que não tenho que defender. Preciso defender
sim. Mudei de classe, mas continua sendo windsurf e
vou com esse pensamento. Mas estou tranqüilo e
ficaria feliz em ganhar qualquer uma das medalhas nesse
Pan, independente se for ouro, prata ou bronze.
GE.Net: Já conseguiu digerir o quarto
lugar nas Olimpíadas?
Bimba: Se a gente tivesse esse poder de voltar
no tempo... Mas prefiro ver pelo lado positivo. Quantos
atletas não gostariam de conquistar um quarto
lugar em uma edição de Jogos Olímpicos?
Claro que foi uma situação complicada,
liderei a competição intera. Mas existem
pessoas em situação pior, em miséria,
doentes. Acho que não posso reclamar do que aconteceu
comigo.
GE.Net: Mas qual foi o grande aprendizado desse
resultado em Atenas?
Bimba: Infelizmente foi uma experiência
muito ruim, mas, na vida, qualquer coisa que vier é
lucro. Posso deixar claro uma coisa: se eu começar
a liderar uma regata, desta vez terei mais tranqüilidade
e maturidade para lidar com toda essa situação.
GE.Net: Do pessoal da vela, alguém em
especial te ajudou a superar esse momento de Atenas?
Bimba: Todos me ajudaram. Claro que tive o
apoio dos amigos, mas a minha esposa esteve ao meu lado
em todo esse tempo.
GE.Net: Você vinha invicto em sua classe
nas Américas, mas perdeu o Pré-Pan para
o venezuelano Carlos Flores. É um resultado preocupante
se formos pensar em Pan?
Bimba: Eu fiz essa regata do Pré-Pan
com o material velho e também preocupado apenas
com meus adversários brasileiros. Eu tinha que
conseguir a classificação, nada mais do
que isso. Então eu nem me preocupei com os estrangeiros
que estavam lá. Quando iniciava a regata, eu
visualizava na largada apenas aqueles que competiam
comigo para o Pan. Mas falando especificamente do venezuelano,
eu já ganhei dele outras vezes.
GE.Net: Além dele, quem mais pode dar
trabalho no Pan?
Bimba: Acho que tenho outros adversários
de respeito, os representantes do México e da
Argentina podem dar muito trabalho no Rio de Janeiro.
Tenho que ficar em alerta com todos os adversários.
GE.Net: E como foi essa vitória na Holanda?
O que representa em sua carreira?
Bimba: Foi uma conquista muito importante.
Sempre estava chegando bem nas competições,
alcançando bons resultados, mas nunca havia vencido.
É um evento de Grand Slam, apenas nomes consagrados
da vela brasileira, como o Robert Scheidt e o Torben
Grael, conseguiram vencer um título desse porte.
É um orgulho muito grande.
GE.Net: Em um curto espaço de tempo,
você tem duas competições importantes
pela frente, o Mundial e o Pan. Com é o planejamento
para esses dois eventos?
Bimba: É complicado mesmo. No Rio de
Janeiro, a previsão é de ventos fracos.
Já no Mundial, que acontece antes (na cidade
de Cascais, em Portugal), será o contrário,
com expectativa de ventos fortes. O modo de velejar
é totalmente diferente, exige esforço
de partes diferentes do corpo, mas todos os velejadores
precisam se adaptar a isso. Não tem jeito.
GE.Net: Como você espera a participação
do público no Pan?
Bimba: Se todo mundo que está prometendo
for assistir à disputa da vela, não irá
caber na Baía da Guanabara. Mas, falando sério,
espero a participação do pessoal que gosta
da modalidade. As pessoas não imaginam, mas tem
muita gente que entende e pratica a vela.
GE.Net: Mas e o público leigo em vela?
Bimba: Acho que seria importante a presença
deles também. As pessoas não devem prestigiar
apenas as modalidades mais tradicionais como o futebol,
vôlei ou basquete. Espero que todos possam assistir
também às competições menos
conhecidas, não só a vela, mas a esgrima
e todas as outras.
GE.Net: No Pan, o que você acha que vai
fazer a diferença?
Bimba: Acho que a diferença é
a dedicação. Quem se dedicar em 100%,
vai sair com uma medalha. Quem vai ganhar com isso é
público, que terá a chance de acompanhar
um ótimo evento no Rio de Janeiro, com grandes
velejadores.
GE.Net: E sobre sua participação
no match race na tripulação do Alan Adler,
o que dá para falar?
Bimba: São esportes completamente diferentes,
mas o Alan queria contar com atletas que vão
disputar os Jogos Pan-americanos. Trata-se de uma competição
com poucos competidores. Acho que mais atrapalhei, mas
o Alan é um grande velejador.
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