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Por Paulo Amaral
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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| Após vencer a São Silvestre, Cheruiyot
beija o chão da Avenida Paulista e aproveita os
dias antes de voltar.... |
Foto: AFP |
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| ...ao Quênia, que vive um conflito interno violento
na virada do ano e já matou mais de 300 pessoas
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Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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| Cheruiyot recebe do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab o troféu "Marco da Paz", que lhe concede o título de "Mensageiro da Paz" |
Tricampeão da tradicional
corrida de São Silvestre (2002, 2004 e 2007) e vencedor
de um prêmio de US$ 500 mil por ter obtido o melhor
desempenho no circuito das principais maratonas do mundo
(Londres, Chicago, Nova York, Boston e Berlim), o queniano
Robert Cheruiyot pode ter de se ausentar de seu principal
objetivo em 2008: as Olimpíadas de Pequim.
A guerra civil que tomou conta de Nairóbi, capital
do Quênia, está fazendo o tricampeão
temer por sua presença em território chinês.
Depois do contestado resultado das eleições
presidenciais que mantiveram Mwai Kibaki no poder, o país
enfrenta conflitos que já mataram pelo menos 300 pessoas
nas ruas até a manhã desta quarta-feira.
Na terça-feira, o confronto recebeu contornos dramáticos com um incêndio em uma igreja próximo à cidade de Eldoret, que matou cerca de 50 pessoas. Os especialistas temem um conflito étnico entre as tribos Lui e Kikuyu. A situação já levou a seleção
de Camarões de futebol a cancelar a pré-temporada
que faria no país para a Copa da África, que
começa em 20 de janeiro.
No dia seguinte à sua terceira conquista no Brasil,
Cheruiyot recebeu a reportagem da Gazeta Esportiva.Net no
Hotel Trianon Paulista, quartel-general da elite da São
Silvestre, e concedeu uma descontraída entrevista
exclusiva.
Durante o bate-papo, o atleta comentou sua relação
com Patrick Ivuti, amigo inseparável e vice-campeão
da prova e descartou veementemente abandonar sua pátria,
mesmo admitindo o medo de retornar ao país e ser impedido
de disputar as Olimpíadas. Disse também
acreditar na volta da paz e avisou que irá trabalhar
forte já no início do ano para realizar seu
grande sonho: conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Pequim.
Gazeta Esportiva.Net – Como você avalia
mais uma passagem por São Paulo?
Robert Cheruiyot – Maravilhosa. Sempre
fui muito bem tratado e, por isso, gosto bastante do Brasil.
Recebi o carinho de todos e espero estar aqui para vencer
novamente no final do ano.
GE.Net – Você mostrou uma ligação
muito grande com o Patrick Ivuti (vice-campeão),
passando todo o tempo junto dele e levando essa amizade
para a pista, o que resultou na dobradinha. Vocês
treinam juntos no Quênia?
Cheruiyot – Não. Somos amigos
desde 2003, mas treinamos separados. Na hora da prova, nem
vi que era ele quem estava atrás de mim, pois, quando
corro, me transformo e não vejo mais nada na pista.
GE.Net – Depois de se consagrar novamente
no Brasil, qual seu grande projeto para o ano de 2008?
Cheruiyot – Espero buscar mais uma
vez o primeiro lugar na Maratona de Boston e conseguir realizar
um bom treinamento para disputar os Jogos de Pequim com chances
de conquistar uma medalha. Boston e Pequim estão me
esperando.
GE.Net – O que pode lhe atrapalhar na busca
pelo ouro olímpico. Quem são seus adversários?
Cheruiyot – Acho que o principal
problema é a guerra que está acontecendo em
meu país, pois não sei se o governo permitirá aos
atletas quenianos disputar os Jogos de Pequim. Torço
para que tudo isso termine o mais rápido possível.
GE.Net – Você pensa em realizar sua
preparação para as Olimpíadas em outro
país?
Cheruiyot – Não. Apesar do
medo, tenho que voltar para o Quênia, pois minha vida
toda está lá, meus pais estão lá e é lá que
tenho minha estrutura toda montada para treinar.
GE.Net – Passados os problemas no Quênia
e confirmada sua presença nos Jogos, dá para
prometer uma vitória tão fácil quanto
a da São Silvestre 2007?
Cheruiyot – Não. A São
Silvestre também não é uma prova fácil,
mas eu consegui impor um bom ritmo e fiz com que ela ficasse
fácil. Em Pequim, a maratona será uma prova
completamente diferente e terei de trabalhar duro se quiser
conquistar meu objetivo, que é a medalha de ouro.
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