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02/01/2008
Montagem sobre foto de Marcelo ferrelli/Gazeta Press

Por Paulo Amaral

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Após vencer a São Silvestre, Cheruiyot beija o chão da Avenida Paulista e aproveita os dias antes de voltar....
Foto: AFP
...ao Quênia, que vive um conflito interno violento na virada do ano e já matou mais de 300 pessoas
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Cheruiyot recebe do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab o troféu "Marco da Paz", que lhe concede o título de "Mensageiro da Paz"

Tricampeão da tradicional corrida de São Silvestre (2002, 2004 e 2007) e vencedor de um prêmio de US$ 500 mil por ter obtido o melhor desempenho no circuito das principais maratonas do mundo (Londres, Chicago, Nova York, Boston e Berlim), o queniano Robert Cheruiyot pode ter de se ausentar de seu principal objetivo em 2008: as Olimpíadas de Pequim.

A guerra civil que tomou conta de Nairóbi, capital do Quênia, está fazendo o tricampeão temer por sua presença em território chinês. Depois do contestado resultado das eleições presidenciais que mantiveram Mwai Kibaki no poder, o país enfrenta conflitos que já mataram pelo menos 300 pessoas nas ruas até a manhã desta quarta-feira.

Na terça-feira, o confronto recebeu contornos dramáticos com um incêndio em uma igreja próximo à cidade de Eldoret, que matou cerca de 50 pessoas. Os especialistas temem um conflito étnico entre as tribos Lui e Kikuyu. A situação já levou a seleção de Camarões de futebol a cancelar a pré-temporada que faria no país para a Copa da África, que começa em 20 de janeiro.

No dia seguinte à sua terceira conquista no Brasil, Cheruiyot recebeu a reportagem da Gazeta Esportiva.Net no Hotel Trianon Paulista, quartel-general da elite da São Silvestre, e concedeu uma descontraída entrevista exclusiva.

Durante o bate-papo, o atleta comentou sua relação com Patrick Ivuti, amigo inseparável e vice-campeão da prova e descartou veementemente abandonar sua pátria, mesmo admitindo o medo de retornar ao país e ser impedido de disputar as Olimpíadas.  Disse também acreditar na volta da paz e avisou que irá trabalhar forte já no início do ano para realizar seu grande sonho: conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Pequim.

Gazeta Esportiva.Net – Como você avalia mais uma passagem por São Paulo?
Robert Cheruiyot – Maravilhosa. Sempre fui muito bem tratado e, por isso, gosto bastante do Brasil. Recebi o carinho de todos e espero estar aqui para vencer novamente no final do ano.

GE.Net – Você mostrou uma ligação muito grande com o Patrick Ivuti (vice-campeão), passando todo o tempo junto dele e levando essa amizade para a pista, o que resultou na dobradinha. Vocês treinam juntos no Quênia?
Cheruiyot – Não. Somos amigos desde 2003, mas treinamos separados. Na hora da prova, nem vi que era ele quem estava atrás de mim, pois, quando corro, me transformo e não vejo mais nada na pista.

GE.Net – Depois de se consagrar novamente no Brasil, qual seu grande projeto para o ano de 2008?
Cheruiyot – Espero buscar mais uma vez o primeiro lugar na Maratona de Boston e conseguir realizar um bom treinamento para disputar os Jogos de Pequim com chances de conquistar uma medalha. Boston e Pequim estão me esperando.

GE.Net – O que pode lhe atrapalhar na busca pelo ouro olímpico. Quem são seus adversários?
Cheruiyot – Acho que o principal problema é a guerra que está acontecendo em meu país, pois não sei se o governo permitirá aos atletas quenianos disputar os Jogos de Pequim. Torço para que tudo isso termine o mais rápido possível.

GE.Net – Você pensa em realizar sua preparação para as Olimpíadas em outro país?
Cheruiyot – Não. Apesar do medo, tenho que voltar para o Quênia, pois minha vida toda está lá, meus pais estão lá e é lá que tenho minha estrutura toda montada para treinar.

GE.Net – Passados os problemas no Quênia e confirmada sua presença nos Jogos, dá para prometer uma vitória tão fácil quanto a da São Silvestre 2007?
Cheruiyot – Não. A São Silvestre também não é uma prova fácil, mas eu consegui impor um bom ritmo e fiz com que ela ficasse fácil. Em Pequim, a maratona será uma prova completamente diferente e terei de trabalhar duro se quiser conquistar meu objetivo, que é a medalha de ouro.

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