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"Não
troco treino para ir a um salão de beleza"
A bela Joana Cortez não é tão badalada
pela mídia, mas evolui a cada dia e se firma
como a número 1 do Brasil.
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| "Amo o que faço e o
mais importante é estar motivada e determinada
para alcançar as metas previstas", diz Joana. |
Por Moacir Beggo
Aos 22 anos, Joana Cortez fala com exclusividade para GE Net
sobre o tênis feminino brasileiro e como ela conquistou
a posição de número 1 do Brasil. Para
esta carioca, a carreira está apenas no começo
e hoje, com a "cabeça mais focada no tênis",
os resultados estão aparecendo. Neste foco, para ela
não tem espaço uma preocupação
excessiva com a beleza e muito menos posar nua para revistas
masculinas.
GE Net - Por que você escolheu o tênis, um
esporte individualista. Explico: Por que não o vôlei,
onde a convivência em grupo ajuda a superar as dificuldades?
Cortez - O tênis é um esporte maravilhoso!
Adoro enfrentar desafios e estar me superando a cada dia!
No tênis, o técnico não pode passar instrução.
Ele pode até dar uma força de fora da quadra,
mas só você sabe a hora certa de executar tal
jogada. Gosto dessa responsabilidade. Nos esportes coletivos,
existem técnicos e outros jogadores que podem te ajudar
a mudar a situação de um jogo.
GE Net - Hoje, aos 22 anos, você é uma atleta
realizada?
Cortez - Acredito que ainda tenho muito chão
pela frente! Hoje estou mais madura, experiente e focada no
que quero. O tênis com certeza já me deu grandes
alegrias! Amo o que faço e o mais importante é
estar motivada e determinada para alcançar as metas
previstas.
GE Net - Você acredita ser este o
melhor momento da sua carreira até agora?
Cortez - A cada ano sinto uma evolução
no meu jogo. Nos últimos anos melhorei muito meu preparo
físico. Meus golpes estão mais fortes e estou
mais rápida de perna. A minha cabeça está
mais focada no tênis, hoje tenho mais experiência
e com isso os resultados começam a aparecer. Tenho
patrocínios que me dão condições
para poder viajar e me preparar para os torneios. Minha família
e meus amigos sempre me apoiaram. Acredito que estou no caminho
certo e batalhando para conseguir alcançar meus objetivos.
GE Net - Sua carreira caminha dentro das
metas que você estabeleceu?
Cortez - A cada ano traço metas, objetivos.
Procuro dar o meu máximo para alcançá-los.
As vezes, não podemos ter controle da situação,
quando temos uma lesão e precisamos ficar parada. Isso
pode atrasar um pouco, mas o atleta precisa saber conviver
com isso, pois ele está sempre no limite ou acima dele.
Todo mundo erra e sempre encarei os erros como um aprendizado.
Sempre tive a coragem e determinação para seguir
em frente. Conquistei muitos objetivos que tracei na minha
cabeça e vibrei muito com eles. Tudo que conquistei
não foi por acaso.
GE Net - Você fez um bom primeiro
semestre e quais suas metas nesta temporada?
Cortez - Tive um 1º semestre muito bom! Ganhei
um torneio de simples no Chile ( $ 10,000 ), vice de simples
e campeã de duplas em Biela - Itália ( $ 25,000
), campeã de duplas em Clearwater - USA ( $ 25,000
) e campeã de duplas em Fontanafredda-Itália
($25,000). Fui campeã brasileira de profissionais!
Mais uma vez ,tive a alegria de defender o meu país
na FED Cup! Mas o importante é que venho evoluindo
e hoje sei como se joga. Que tipo de jogada devo fazer para
tentar ganhar tal ponto. Tenho confiança em todos os
golpes. Posso mudar uma situação de jogo, usando
outras jogadas. Meu jogo hoje está mais completo. Tenho
como meta melhorar ainda mais, ter prazer no que faço
e estar entre as 150 do mundo até o final do ano.
GE Net - O que você acha que deve melhorar
no seu jogo?
Cortez - Eu já melhorei muito minha parte
física, mas sei que posso ficar ainda mais rápida.
Tecnicamente evoluí muito. Hoje tenho confiança
em todos os golpes. Quero melhorar mais o voleio e a minha
chegada à rede. Aprimorar meu saque. Às vezes,
preciso colocar mais sangue quente e energia na quadra, pois
sou muito tranquila e isso atrapalha um pouco. São
detalhes que precisam ser trabalhados.
GE Net - Para o Guga, o tri em Roland Garros
foi mais do que ele sonhou. E os seus sonhos como estão?
Cortez - Eu sonho todos os dias, dormindo ou acordada!
Sonho em chegar longe, ter uma carreira brilhante, em trazer
alegrias para o Brasil, em crescer a cada dia! Sonho em ganhar
um torneio importante, mas se eu acreditar, posso torná-los
possíveis.
GE Net - O que você acha do circuito
feminino? Existe união entre as mulheres?
Cortez - Tenho algumas amigas no circuito. Sempre
ando mais com as latino-americanas. Hoje no Brasil são
poucas as que estão viajando. Geralmente viajo sozinha
e acabo conhecendo muita gente. Mas, são poucas que
posso confiar e ter uma amizade sincera. Existe muita rivalidade
e muitas se tornam egoístas e acabam ficando solitárias.
Eu sempre tratei todo mundo igual e procurei ajudar sempre
que posso. Minhas melhores amigas hoje são tenistas
ou ex-tenistas brasileiras.
GE Net - O que você acha que deve ser
feito para o tênis feminino deslanchar?
Cortez - Precisa haver mais torneios no Brasil.
A maior dificuldade das meninas hoje é a falta de patrocínio.
Com isso elas poderiam se preparar melhor e ter uma boa estrutura
para jogar um torneio. Com os torneios poderíamos somar
mais pontos, estaríamos evoluindo jogando em casa e
assim partiríamos para fora para jogar torneios maiores.
Falta também mais profissionalismo, disciplina, responsabilidade,
persistência e determinação por parte
delas. Já vi muitas desistirem no meio do caminho por
falta de dinheiro, persistência, apoio da família,
principalmente dos pais, amigos. Tem que ir atrás do
que quer.
GE Net - Quais juvenis e semi-profissionais têm
condições de despontar no tênis?
Cortez - Muita gente nova está aparecendo!
Hoje o tênis está muito popular no Brasil! Todo
mundo quer aprender, jogar. Mas é preciso "ralar"
muito se quiser chegar longe. Não basta só falar,
tem que percorrer o caminho.
GE Net - O que falta para a sua geração
ficar entre as 50 melhores do mundo, como aconteceu com a
de Patrícia Medrado e de Niege Dias?
Cortez - Falta um pouco de tudo. Estrutura, força
de vontade, patrocínios, apoio dos técnicos,
pais e amigos e persistência e determinação
para alcançar o que quer. O Brasil possui muitos talentos.
Estou batalhando para chegar longe e, sonho um dia estar entre
as 50 do mundo.
GE Net - Como foi para você a passagem
do juvenil para o profissional?
Cortez - Quando saí do juvenil tinha aquela
dúvida básica: ir para uma faculdade nos Estados
Unidos ou encarar o circuito profissional? Nos últimos
anos de juvenil joguei os principais torneios. Fui convidada
para integrar a equipe da Fed Cup e ali tive mais contato
com as jogadoras profissionais. Na época aconteceram
muitos torneios no Brasil, recebi alguns convites e depois
fui morar em SP para me desenvolver melhor. No início
senti uma grande diferença. Comecei a levar mais a
sério, fui morar em Campinas e ano passado voltei a
morar no Rio. Hoje minha cabeça é outra.
GE Net - Você tinha um bom relacionamento
com a Míriam (D´Agostini). Faz falta sua companhia
no circuito?
Cortez - Sempre me dei bem com as jogadoras brasileiras.
Eu e a Miriam viajamos juntas ano passado pois estávamos
com o ranking bem próximos. A gente sempre dava força
uma para outra e na época não tínhamos
grana para levar alguém. Foi uma pena ela ter parado.
Era uma grande companhia no circuito. Acredito que hoje ela
deve guardar grandes lembranças do circuito. O mais
importante é que ela esteja feliz, fazendo hoje o que
gosta. Torço pelo sucesso dela.
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| "Acho
muito importante o papel da mídia no esporte. Um
não pode viver sem o outro", diz Joana. |
GE Net - Atualmente, só você
e a Vanessa Menga viajam para disputar torneios no exterior?
Vocês têm bom relacionamento?
Cortez - São poucas as que estão viajando.
Tem a Nanda Alves também. Eu e a Vanessa nos damos
bem . Jogamos muitos torneios de duplas e tivemos grandes
resultados.
GE Net - Dá para encarar o circuito
no exterior ficando longe da família por vários
meses?
Cortez - Você tem que se acostumar. Faço
isso desde os 11 anos de idade. Sua família e amigos
também acabam se acostumando. O tenista é um
pouco nômade. Viajo bastante. Passo em geral 3 a 4 meses
no Brasil, o resto do tempo estou viajando. Cada semana numa
cidade ou país diferente. Encarando todos os tipos
de adversidades. Sinto falta da minha família e dos
meus amigos. Passo pouco tempo com eles, mas sempre os carrego
no meu coração.
GE Net - Em quem você se espelha no
esporte? Quais são seus ídolos?
Cortez - Pete Sampras e Martina Navratilova sempre
foram meus ídolos favoritos. Hoje, o Guga é
meu principal ídolo. Além de ser brasileiro
é um exemplo como pessoa. Tem um carisma incrível,
talento, determinação, persistência e
um bom coração. Fora do tênis, admiro
muito o Michael Jordan e o eterno Ayrton Senna.
GE Net - Fora das quadras, qual o seu ritmo
de vida?
Cortez - Eu adoro ir à praia. Sou muito
tranquila, gosto de ficar sossegada. Gosto de ir ao cinema,
navegar na internet, ouvir música, escrever, ler, desenhar.
Curto muito estar com meus amigos, sair para dançar
com eles. E não consigo ficar parada. Gosto de estar
sempre praticando esportes. Durante a fase de treinamento
procuro descansar bastante e me alimentar bem.
GE Net - Você tem namorado? Uma profissional
pode conciliar os torneios e a vida pessoal?
Cortez - Não estou namorando. Dá
para conciliar desde que não atrapalhe seus objetivos.
É legal quando se tem um namorado que te apóie!
Dá para ter vida pessoal, estar com a família,
amigos, namorado e ter uma carreira. A única coisa
que atrapalha é a distância, devido às
viagens e à falta de tempo para estar com todos. Valorizo
muito minha vida pessoal! Adoro minha família e meus
amigos! Um dia a correria acaba e o que sempre ficará
guardado aqui dentro são as pessoas!
GE Net - O que você acha dos atletas
que estão aproveitando para ganhar um dinheiro extra
posando nus? Você posaria?
Cortez - Eu acho que posar nu é se expor
demais. Eu não posaria. Prefiro ganhar meu dinheiro
correndo atrás dos meus objetivos! Mas, não
tenho nada contra quem pose. A opção é
de cada um.
GE Net - Você é vaidosa? A
atleta tem de se preocupar com beleza?
Cortez - Gosto de me cuidar, estar bem vestida
e tudo mais. Mas, tenho pouco tempo para isso. Não
trocaria um treino para ir ao salão de beleza. Vou,
quando tenho tempo. Procuro me alimentar bem, descansar e
estar feliz sempre!
GE Net - Você sente essa preocupação
com a beleza maior do que existia até bem pouco tempo,
já que hoje temos belas jogadoras internacionalmente
e nacionalmente?
Cortez - Eu nunca me preocupei muito com isso.
Atleta é um exemplo de saúde e forma física.
Acho importante também valorizar esse lado mas o que
importa é o que temos aqui dentro. A beleza pode chamar
atenção, mas não é tudo. Quero
que as pessoas me admirem pelo que eu jogo e principalmente
pela pessoa que sou!
GE Net - Quem é seu empresário?
Cortez - Meu pai sempre cuidou de tudo para mim.
Ele é ao mesmo tempo um paizão, sempre me apoiou
no que tive vontade de fazer, me mostrou o melhor caminho
a seguir e por muito tempo foi meu "paitrocínio"!
GE Net - Como é seu relacionamento
com a mídia?
Cortez - Acho muito importante o papel da mídia
no esporte. Um não pode viver sem o outro. Não
recuso uma entrevista, a não ser que eu tenha outro
compromisso. Gosto de dar entrevistas, falar o que penso e
passar minha experiência para as pessoas. Através
da mídia, as pessoas nos conhecem melhor.
GE Net - O que você faria se não
fosse jogadora profissional?
Cortez - Sempre gostei muito de esportes! Gostaria
de ser jogadora de vôlei de praia! Amo esse esporte!
Trabalharia com certeza com esportes, seria nutricionista,
me formaria em Educação Física ou seria
desenhista! Adoro desenhar!
GE Net - Você chegou a dar algumas
aulas no Vasco da Gama. Você tem algum plano para quando
deixar de jogar profissionalmente?
Cortez - Fiz uma clínica no Vasco da Gama
com o apoio do meu técnico, o Juan Pablo Etchecoin
e professores da equipe do Kirmayr. Foi muito divertido! Gosto
do contato com as crianças. Gosto de passar minha experiência
para eles. Futuramente gostaria de ter uma academia e formar
atletas.
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