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27/12/2002


Por Fernando Narazaki


Ele foi à final de Acapulco, às semifinais de Estoril e ainda completou dez anos seguidos entre os cem melhores do mundo. É muito? Para Fernando Ariel Meligeni, ainda falta um título. E será este o objetivo de Fininho para a temporada 2003. O jogador de 31 anos sonha com o quarto título na carreira para deixar de vez o espaço para novos valores do tênis nacional.

Na equipe da Copa Davis, Meligeni assiste à renovação com a vinda de André Sá para o seu lugar nas partidas de simples. No ranking de entradas, foi ultrapassado pelo próprio mineiro e ainda é ameaçado pelo paulista Flávio Saretta. "Eles já são realidade, mas ainda outros precisam quebrar esta barreira", analisa o terceiro melhor tenista do país e 74º do mundo em entrevista exclusiva a Gazeta Esportiva.Net.

Bem descontraído, o tenista conversou com a reportagem após o desafio-exibição entre Brasil e Argentina, em novembro, e comentou sobre a temporada 2002 e os planos para o futuro. Fora das quadras, Meligeni seguirá como apresentador do programa MTV Sports em 2003. Veja abaixo os melhores trechos da entrevista:

Gazeta Esportiva.Net: Como você avaliou a temporada?
Fernando Meligeni: Acho que foi mais um ano que venho provando que meu lugar é entre os 100 do mundo. Fiz um ótimo resultado no início do ano em Acapulco (chegou à final), me mantive perto dos 50 do mundo e no final dei uma caída. Foi um ano produtivo. É o décimo ano que estou entre os cem, estou feliz, estou curtindo jogar e para o ano que vem é fazer o meu papel.

GE.Net: É uma resposta para muitos que te criticaram durante o ano?
Meligeni: Olha, sobre crítica, sempre vai ter alguém que vai criticar. Todos os nossos passos são olhados, alguns são positivos e outros negativos para as pessoas. Agora, acho que as coisas que já fiz pelo tênis brasileiro, tem de tomar um pouco mais de cuidado ao escrever. Não tem jogador do Brasil que ficou entre os cem do mundo por dez anos direto. Acho que é muito fácil anotar no jornal e ficar falando um monte de besteira porque tem o jornal ou o rádio na mão. Agora, eu sei o meu valor. Sei o que posso render na quadra. Se querem escrever mal, que escrevam

GE.Net: Você completou dez anos entre os 100 do mundo, chegou a uma final e mostrou bom jogo. Para 2003, qual é o seu objetivo? Meligeni: Gostaria da ganhar mais um ATP Tour. Passei os últimos dois anos muito perto, fiz duas finais, duas semifinais em momentos que estava jogando muito bem. Acho que já mereço ganhar um outro campeonato. Agora, está muito nivelado e muito difícil o tênis atual. Tem semana que você acha que está jogando bem e cai na primeira rodada. Em outras, você não está jogando tão bem, ganha um jogo meio perdido, se encontra e você chega nas semifinais. Tenho de batalhar e trabalhar. A hora que você consegue isso, você consegue resultados. Eu já não estou mais para brincadeiras, para jogar campeonato pequeno. Quero ganhar de jogadores expressivos.

GE.Net: No início deste ano, você afirmou que alguns jogadores brasileiros precisam peitar um pouco mais os adversários e dar as caras. O Saretta e o Sá conseguiram bons resultados em 2002. Eles passaram deste estágio de provação?
Meligeni: O André já é uma realidade. Não dá mais para olhar para ele com: "Ah, ele vai vingar". Realmente, ele já vingou, foi muito bem no ano, jogou bem contra os melhores e é mais do que merecido os resultados dele. O Flavinho é um grande jogador, mas tem ainda os seus altos e baixos. No dia que ele centrar um pouco mais, ter mais experiência no circuito, vai ter resultados melhores do que já tem. Agora, o resto dos jogadores precisa saber que o tênis é a única coisa que eles sabem fazer de melhor na vida. Se for outra coisa que eles sabem fazer melhor, que parem e façam outra coisa, porque tem de se dedicar muito nesse esporte. Mas acho que o ano que vem vai ser um grande ano para o tênis brasileiro e, quem sabe, teremos até seis entre os 100 do mundo. É isso que a gente espera.

GE.Net: E para 2003 fora das quadras, você continua como apresentador do programa na MTV?
Meligeni: Continuo no ano que vem. Já gravei dois programas para a próxima temporada e, bom, eu volto em março para a televisão. Estou adorando, curtindo, vendo se realmente isso que eu faço legal, pois não é fácil. É uma experiência e sei que tive altos e baixos no primeiro ano. No começo, eu estava muito preso. Nos últimos programas, eu já estava começando a entender um pouco mais sobre como levar o programa. É muito mais fácil estar desse lado e respondendo o que estou afim. Quando você está do outro lado, você tem de saber levar o fato das pessoas estarem tímidas e quebrar este gelo. É bem difícil, mas estou curtindo.

GE.Net: Você pensa em jogar no carpete em 2003?
Meligeni: Olha desde que comecei a trabalhar com o Enrique (Perez, técnico de Meligeni desde o início de 2001), a gente mudou um pouco a visão e só quer jogar torneios grandes. Eu não vejo problema no carpete, não fujo de grama, de carpete. Não é o que eu melhor jogo e onde me sinto mais à vontade, mas não fujo do desafio. Sei que não tenho mais o que aprender, mas eu vou lá e tentando ganhar o máximo de jogos. De repente, em um Wimbledon da vida, eu enloqueço e chego nas oitavas.

GE.Net: Como será a sua temporada?
Meligeni: Eu devo começar em Auckland, depois vou ao Aberto da Austrália e aí a temporada começa a rolar e vou estudando conforme os jogos.

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