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08/01/2004

Por Fernando Narazaki

Segundo melhor do Brasil, Flávio Saretta tem um ano de afirmação pela frente no circuito profissional. Depois de entrar no grupo dos top 50, o paulista começou na última terça-feira a temporada 2004, com a meta de atingir o tão sonhado grupo dos top 30, feito que até hoje apenas Guga, Thomaz Koch e Fernando Meligeni atingiram entre os homens.

Para isso, Saretta escolheu o Challenger de São Paulo, torneio no qual o paulista obteve o primeiro título profissional (2001) e o bicampeonato em 2003. Depois disso, ele parte para a Austrália e inicia a caminhada para se firmar entre os melhores.

Em 2004, a grande vantagem de Saretta será jogar os torneios da Masters Series, segundo em importância no circuito ATP. No ano passado, o tenista de Americana participou de apenas duas destas competições (Miami e Cincinnati). Agora, Saretta pode até jogar os nove eventos da série, caso permaneça no grupo dos 50 melhores do mundo.

Ao mesmo tempo, o paulista encara a responsabilidade de defender os pontos obtidos com os títulos nos challengers de São Paulo e Bermudas, da semifinal no ATP de Valencia, e das quartas-de-final em outras três competições da ATP. Para ele, a prova de fogo começou no final de novembro, quando iniciou a pré-temporada em São Paulo.

De técnico novo, Saretta conversou com a Gazeta Esportiva Net sobre seus planos para 2004, as expectativas de trabalho com o novo treinador (o gaúcho Fernando Roese) e a possibilidade de jogar as Olimpíadas.

Gazeta Esportiva Net - Como você avalia a última temporada e o que espera de 2004?
Flávio Saretta - Tive um ano muito bom. Estou muito feliz com o que fiz em 2003, pois tive vitórias importantes como a de Valencia (sobre o argentino Gastón Gaudio) e fui bem em Roland Garros. Também consegui mais do esperava que era terminar entre os top 50 e posso dizer que vivi o melhor ano da minha carreira. Para este ano, quero melhorar, crescer um pouco mais em todos os pisos e aproveitar a experiência que tive neste ano. Minha meta é chegar entre os top 20 e estou esperando muito de mim, principalmente pela pré-temporada que tive.

GE Net - O que falta para chegar lá?
Saretta - Na real, não falta nada. Tenho o mesmo nível e percebi isso várias vezes neste ano. Só basta a confiança de acreditar e saber que você pode brigar de igual para igual com eles. Posso ganhar do Ferrero, do Roddick, de qualquer um. Só que preciso estar num bom dia e confiante. Não é um bicho de sete cabeças. Só espero que isso aconteça em um Grand Slam.

GE Net - Estamos em um ano olímpico. Está entre seus objetivos também?
Saretta - Lógico. A participação em uma Olimpíada é o sonho de todo esportista e comigo não poderia ser diferente. Espero conseguir a vaga e estar lá, ao lado de outros grandes nomes do Brasil.

GE Net - Para muitos, você é o cara que pode substituir Guga. Isso te pressiona?
Saretta - Não. O Guga fez e faz muitas coisas boas para o tênis. Ele é um fenômeno e mostrou para a gente que podíamos chegar lá. O que ele fez não dá para se comparar. Quero ser apenas o Flávio Saretta, ter o meu estilo e, se ganhar uma parte do que ele ganhou, está muito bom. Não tem nada disso de substituir o Guga.

GE Net - Esta seguida comparação com Guga te incomoda?
Saretta - De forma nenhuma, mas volto a afirmar que o Guga é o Guga. Estou tentando apenas buscar o meu espaço.

GE Net - Você fez propaganda, apareceu mais na mídia, ficou famoso. Como é lidar com esta fama?
Saretta - Cara, isso é muito bom. A gente trabalha duro e, de repente, vê um molequinho te pedir autógrafo, te apoiar, isso me dá muita força. Por isso que o brasileiro gosta tanto da Davis, ela tem muito disso. Hoje (terça-feira) vi um monte de amigos na arquibancada e isso é muito bom. Acho que o reconhecimento vem junto com o trabalho. Tenho de trabalhar cada vez mais duro para manter este ritmo e dei muito duro no final de 2003.

GE Net - Por isso, uma pré-temporada tão longa como a que você fez neste ano?
Saretta - É, eu ralei a beça. Estamos treinando desde o final de novembro, ficamos cinco semanas direto contra apenas duas do ano passado. O Edu (Farias, preparador físico, que já trabalhou com Fernando Meligeni) judiou muito da gente, mas tem de ser assim. Temos de chegar inteiro para a temporada, pois agora é só jogar e manter.

GE Net - Tecnicamente, o que você sente que precisa melhorar no seu jogo?
Saretta - A chegada na rede. Este ainda é um ponto fraco meu. Estou trabalhando melhor com o saque, mas ainda preciso melhorar na rede. Não tem jeito, é um mal do brasileiro, né?

GE Net - Você jogou em vários tipos de pisos na última temporada. Acha que o seu jogo se enquadrou em todas?
Saretta - A gente vai se acostumando. Foi um ano de experiências para mim, estive em muitos torneios, vi lugares novos e isso foi importante. Estou mais rodado e sei mais do meu potencial.

GE Net - Esta auto-confiança foi que te motivou a ficar dois meses sem técnico?
Saretta - Fiquei sem técnico, mas tinha o Chapecó (Carlos Chabalgoity, coordenador-técnico do paulista) do meu lado. Ele me dava os toques que precisava e percebi que estou chegando em um nível bom de amadurecimento.

GE Net - O que aconteceu em 2003 que você trocou duas vezes de técnico?
Saretta - Os problemas entre técnico e jogadores fazem parte. O circuito é longo e o desgaste é natural. Não encaro isso como um problema tão grande assim. É normal.

GE Net - E agora como está o trabalho com o Fernando Roese?
Saretta - Não tem muita diferença. A gente ainda está se conhecendo, mas como estou na mesma equipe (PlayTennis) há muito tempo, isso ajuda e não há grandes diferenças do que já era feito.

GE Net - O seu primeiro grande compromisso será daqui a duas semanas. O que espera do Aberto da Austrália?
Saretta - Espero ter mais sorte no sorteio da chave. Os dois anos que joguei lá, eu não fui muito bem no sorteio e lógico que quero ter um sorteio melhor. Ainda estou sem ritmo de jogo, por isso espero jogar bastante em São Paulo. Estou animado com a minha participação lá em Melbourne, só espero ter um pouco mais de sorte*.
* Nota da Redação: Em 2003, Saretta estreou contra Roger Federer e foi derrotado por 3 sets a 0. No ano anterior, o paulista enfrentou e perdeu do francês Arnaud Clement, que havia sido vice no Aberto da Austrália em 2001.

GE Net - Você está acompanhando esta briga pelo poder na CBT?
Saretta - Não. Estou à parte, sou tenista e não quero tomar partido de nenhum dos lados. A única coisa que quero é ajudem o tênis brasileiro.

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