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Por Fernando Narazaki
Segundo melhor do Brasil, Flávio Saretta tem um ano de afirmação
pela frente no circuito profissional. Depois de entrar no
grupo dos top 50, o paulista começou na última terça-feira
a temporada 2004, com a meta de atingir o tão sonhado grupo
dos top 30, feito que até hoje apenas Guga, Thomaz Koch e
Fernando Meligeni atingiram entre os homens.
Para isso, Saretta escolheu o Challenger de São Paulo, torneio
no qual o paulista obteve o primeiro título profissional (2001)
e o bicampeonato em 2003. Depois disso, ele parte para a Austrália
e inicia a caminhada para se firmar entre os melhores.
Em 2004, a grande vantagem de Saretta será jogar os torneios
da Masters Series, segundo em importância no circuito ATP.
No ano passado, o tenista de Americana participou de apenas
duas destas competições (Miami e Cincinnati). Agora, Saretta
pode até jogar os nove eventos da série, caso permaneça no
grupo dos 50 melhores do mundo.
Ao mesmo tempo, o paulista encara a responsabilidade de
defender os pontos obtidos com os títulos nos challengers
de São Paulo e Bermudas, da semifinal no ATP de Valencia,
e das quartas-de-final em outras três competições da ATP.
Para ele, a prova de fogo começou no final de novembro, quando
iniciou a pré-temporada em São Paulo.
De técnico novo, Saretta conversou com a Gazeta Esportiva
Net sobre seus planos para 2004, as expectativas de trabalho
com o novo treinador (o gaúcho Fernando Roese) e a possibilidade
de jogar as Olimpíadas.
Gazeta Esportiva Net - Como você avalia a última temporada
e o que espera de 2004?
Flávio Saretta - Tive um ano muito bom. Estou muito
feliz com o que fiz em 2003, pois tive vitórias importantes
como a de Valencia (sobre o argentino Gastón Gaudio) e fui
bem em Roland Garros. Também consegui mais do esperava que
era terminar entre os top 50 e posso dizer que vivi o melhor
ano da minha carreira. Para este ano, quero melhorar, crescer
um pouco mais em todos os pisos e aproveitar a experiência
que tive neste ano. Minha meta é chegar entre os top 20 e
estou esperando muito de mim, principalmente pela pré-temporada
que tive.
GE Net - O que falta para chegar lá?
Saretta - Na real, não falta nada. Tenho o mesmo nível
e percebi isso várias vezes neste ano. Só basta a confiança
de acreditar e saber que você pode brigar de igual para igual
com eles. Posso ganhar do Ferrero, do Roddick, de qualquer
um. Só que preciso estar num bom dia e confiante. Não é um
bicho de sete cabeças. Só espero que isso aconteça em um Grand
Slam.
GE Net - Estamos em um ano olímpico. Está entre seus
objetivos também?
Saretta - Lógico. A participação em uma Olimpíada é
o sonho de todo esportista e comigo não poderia ser diferente.
Espero conseguir a vaga e estar lá, ao lado de outros grandes
nomes do Brasil.
GE Net - Para muitos, você é o cara que pode substituir
Guga. Isso te pressiona?
Saretta - Não. O Guga fez e faz muitas coisas boas
para o tênis. Ele é um fenômeno e mostrou para a gente que
podíamos chegar lá. O que ele fez não dá para se comparar.
Quero ser apenas o Flávio Saretta, ter o meu estilo e, se
ganhar uma parte do que ele ganhou, está muito bom. Não tem
nada disso de substituir o Guga.
GE Net - Esta seguida comparação com Guga te incomoda?
Saretta - De forma nenhuma, mas volto a afirmar que
o Guga é o Guga. Estou tentando apenas buscar o meu espaço.
GE Net - Você fez propaganda, apareceu mais na mídia,
ficou famoso. Como é lidar com esta fama?
Saretta - Cara, isso é muito bom. A gente trabalha
duro e, de repente, vê um molequinho te pedir autógrafo, te
apoiar, isso me dá muita força. Por isso que o brasileiro
gosta tanto da Davis, ela tem muito disso. Hoje (terça-feira)
vi um monte de amigos na arquibancada e isso é muito bom.
Acho que o reconhecimento vem junto com o trabalho. Tenho
de trabalhar cada vez mais duro para manter este ritmo e dei
muito duro no final de 2003.
GE Net - Por isso, uma pré-temporada tão longa como a
que você fez neste ano?
Saretta - É, eu ralei a beça. Estamos treinando desde
o final de novembro, ficamos cinco semanas direto contra apenas
duas do ano passado. O Edu (Farias, preparador físico, que
já trabalhou com Fernando Meligeni) judiou muito da gente,
mas tem de ser assim. Temos de chegar inteiro para a temporada,
pois agora é só jogar e manter.
GE Net - Tecnicamente, o que você sente que precisa melhorar
no seu jogo?
Saretta - A chegada na rede. Este ainda é um ponto
fraco meu. Estou trabalhando melhor com o saque, mas ainda
preciso melhorar na rede. Não tem jeito, é um mal do brasileiro,
né?
GE Net - Você jogou em vários tipos de pisos na última
temporada. Acha que o seu jogo se enquadrou em todas?
Saretta - A gente vai se acostumando. Foi um ano de
experiências para mim, estive em muitos torneios, vi lugares
novos e isso foi importante. Estou mais rodado e sei mais
do meu potencial.
GE Net - Esta auto-confiança foi que te motivou a ficar
dois meses sem técnico?
Saretta - Fiquei sem técnico, mas tinha o Chapecó (Carlos
Chabalgoity, coordenador-técnico do paulista) do meu lado.
Ele me dava os toques que precisava e percebi que estou chegando
em um nível bom de amadurecimento.
GE Net - O que aconteceu em 2003 que você trocou duas
vezes de técnico?
Saretta - Os problemas entre técnico e jogadores fazem
parte. O circuito é longo e o desgaste é natural. Não encaro
isso como um problema tão grande assim. É normal.
GE Net - E agora como está o trabalho com o Fernando
Roese?
Saretta - Não tem muita diferença. A gente ainda está
se conhecendo, mas como estou na mesma equipe (PlayTennis)
há muito tempo, isso ajuda e não há grandes diferenças do
que já era feito.
GE Net - O seu primeiro grande compromisso será daqui
a duas semanas. O que espera do Aberto da Austrália?
Saretta - Espero ter mais sorte no sorteio da chave.
Os dois anos que joguei lá, eu não fui muito bem no sorteio
e lógico que quero ter um sorteio melhor. Ainda estou sem
ritmo de jogo, por isso espero jogar bastante em São Paulo.
Estou animado com a minha participação lá em Melbourne, só
espero ter um pouco mais de sorte*.
* Nota da Redação: Em 2003, Saretta estreou contra Roger Federer
e foi derrotado por 3 sets a 0. No ano anterior, o paulista
enfrentou e perdeu do francês Arnaud Clement, que havia sido
vice no Aberto da Austrália em 2001.
GE Net - Você está acompanhando esta briga pelo poder
na CBT?
Saretta - Não. Estou à parte, sou tenista e não
quero tomar partido de nenhum dos lados. A única coisa que
quero é ajudem o tênis brasileiro.
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