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Por Claudia Andrade
Depois de oito temporadas no Banespa, o técnico Mauro
Grasso, 41 anos, conseguiu o grande objetivo de qualquer time
nacional: o título da Superliga. O elenco jovem, com
média de 22 anos de idade, despontou ao longo da competição
e levantou o troféu no último domingo, quando
venceu o Minas, no quinto jogo da série melhor-de-cinco
das finais, no ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte
(MG).
A conquista fará os jogadores serem mais assediados,
assim como o treinador, que já recebeu propostas de
clubes do Brasil e do exterior. Mas a satisfação
de trabalhar com todas as categorias, do infanto ao adulto,
pode pesar a favor do clube paulista na decisão de
Grasso.
Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net, o
treinador campeão brasileiro fala sobre o futuro do
vôlei masculino.
GE.Net Você conquistou o objetivo máximo
no Banespa, que era vencer a Superliga. Qual sua motivação
para continuar à frente do grupo? Aí já
tem outra pergunta implícita, que é se você
vai continuar no clube?
MG A intenção é prosseguir,
dar seqüência ao trabalho que estamos desenvolvendo
desde o infanto até o adulto. A motivação
é total. É ruim quando o trabalho não
dá certo e quando dá, você tem é
que continuar dando chance aos jovens que estão despontando
e buscar outro título.
GE.Net Você destacou antes mesmo da final
que estava muito satisfeito com o rendimento da sua equipe
de novatos. Quais foram as maiores dificuldades que teve ao
lidar com a garotada?
MG As dificuldades diminuem com a vontade de aprender
dos rapazes e na parte física até facilita,
porque tem menos contusão, não tem esses problemas
de tendinite crônica, que são comuns.
GE.Net O Banespa sempre teve ao menos uma estrela
em seu elenco. Nesta temporada, qual a importância da
presença do Nalbert no meio dos mais novos? É
mesmo indispensável um grande nome no meio da prata
da casa?
MG Como eu disse em várias ocasiões,
a principal colaboração do Nalbert foi dar exemplo.
Mais do que ficar falando: Sou campeão olímpico,
capitão da seleção, foi no dia-a-dia
com o grupo que ele foi imprescindível. Acho sim, muito
importante ter um nome de peso no time, pelo menos até
ele andar com as próprias pernas.
GE.Net A sua equipe já chegou nesta fase,
de andar com as próprias pernas?
MG Ainda não, ainda precisa contar com uma
estrela para dar exemplo.
GE.Net Com os jogadores mais assediados, quais
são os planos do clube? Já negociaram com algum
jogador, pretendem manter todo o elenco?
MG Eu estava conversando agora com o (gerente)
Montanaro e falamos sobre as peças que gostaríamos
de trocar, mas ainda não posso te adiantar nada. A
idéia é continuar investindo nos que vêm
da base.
GE.Net Quais são as características
desta nova geração de atletas que surgiu nesta
edição da Superliga?
MG É uma geração que teve
oportunidade. A minha não teve espaço, mas com
a saída dos principais ídolos para o exterior,
os jovens de agora puderam mostrar o que sabem.
GE.Net E em relação às expectativas
dos jogadores? Eles estão mais ambiciosos, por fazerem
parte do melhor vôlei do mundo?
MG A gente precisa pôr os pés desses
garotos no chão, porque se der espaço você
os perde. Acaba aparecendo a vaidade, que não é
coerente com o esporte em grupo. Mas eles estão conscientes
da responsabilidade e do que precisam fazer.
GE.Net No aspecto físico, o Brasil deve
continuar buscando jogadores mais altos ou vai continuar compensando
a estatura mediana com habilidade?
MG Depende muito da oferta, mas a idéia
é manter a linha de jogadores altos, porque é
isso que a gente precisa para enfrentar o cenário internacional.
O próprio Banespa é um celeiro de atletas com
essa característica. E isso deve me prejudicar na próxima
temporada.
GE.Net Por quê?
MG Porque o calendário das seleções
infanto, juvenil e adulto está muito fechado, aí,
eu tenho que explicar para o patrocinador que dos 18 atletas
da minha equipe, 15 estão nas seleções
e terei de trabalhar com o pessoal do juvenil que, teoricamente,
ainda não está pronto, está sendo preparado.
Mas o banco tem sido compreensivo nesse aspecto e nós
continuamos formando jogadores. Por isso dou muito valor à
continuidade deste trabalho com o Banespa porque não
há nenhum outro lugar, talvez só na Itália,
onde eu possa fazer o que faço aqui, acompanhando todas
as categorias, com o apoio do clube.
GE.Net Nem no exterior? Você recebeu propostas
de clubes estrangeiros?
MG Recebi, recebi. Mas preciso ver para crer. Uma
coisa é você falar que tem uma estrutura, outra
é ter de verdade. É difícil encontrar
um clube em que a engrenagem funcione tão bem quanto
aqui no Banespa.
GE.Net Você passou cinco anos na Itália.
Atuando no vôlei masculino?
MG Não, era no feminino, porque eu vinha
do Sadia, time feminino daqui. O último clube que eu
treinei lá foi o Perugia, mas pedi rescisão
porque tive um problema de saúde do meu pai e precisei
voltar. Voltei e fiquei desempregado, trabalhando em uma indústria,
que não tinha nada a ver com esporte.
GE.Net E como você foi para o masculino?
MG Foi engraçado. O Cacá (Bizzocchi,
então técnico do Banespa) me telefonou chamando
pra jogar futebol. Eu disse que não podia, porque como
hobby, estava treinando um time feminino juvenil do Tietê,
onde me formei. Não queria me desvincular do vôlei.
Mas depois, tive um problema no clube e sai de lá.
Então liguei pro Cacá, que é meu amigo
de faculdade, nós estudamos juntos na USP, e perguntei
se o futebol ainda estava em pé. Nessa, ele me disse
que estava precisando de um assistente e perguntou se eu não
queria trabalhar com ele. Aceitei e destes oito anos no Banespa,
fiquei um como assistente e estou há sete como técnico.
Infelizmente, naquele ano o time foi mal, ele colocou o cargo
à disposição e me convidaram para ocupá-lo.
Falei com o Cacá que eu ia aceitar e deu certo.
GE.Net Então o aprendizado no vôlei
masculino foi do zero. Foi muito difícil?
MG Eu tinha um lado paternalista, e fui criticado
por ser muito amigo dos jogadores, muito bonzinho. Mas é
mais fácil trabalhar com os homens sim, principalmente
por não ter limite físico. Você manda
o jogador passar o peito da rede e ele passa, manda se jogar,
e ele se joga. Com a mulher, você precisa de outros
argumentos para convencer.
GE.Net Com a missão cumprida no Banespa,
você tem vontade de colaborar com a seleção?
MG O técnico que não tiver aspiração
de comandar a seleção tem de mudar de profissão.
Todo trabalho tem ciclos e sei que o de agora é do
Bernardo, mas quando este acabar, quem sabe não será
minha vez de assumir o grupo?
GE.Net Qual será, na sua opinião,
a nova cara da seleção sem Nalbert, Giovane
e Maurício?
MG Será uma perda muito grande, principalmente
pelo Nalbert, que ainda tem muito para jogar. Mas o pessoal
novo está chegando com muita vontade e o Brasil está
bem, ao contrário da Itália, por exemplo, que
não fez uma boa renovação e sofreu um
pouco.
GE.Net Estamos bem servidos em todas as posições?
Não temos problema em nenhuma delas, como a seleção
feminina, que sofre com a falta de levantadoras, por exemplo?
MG Temos boas peças em todas as posições,
jogadores bons para dar seqüência ao trabalho,
atletas como o Riva (oposto), que já nem é tão
novo, o Alberto, o Michael (meios), que são mais jovens,
e devem engrossar as fileiras da seleção.
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