| Único atleta brasileiro a se sagrar campeão mundial de
três categorias do vôlei (infanto-juvenil, juvenil e adulta)
e dono de uma medalha de ouro olímpica, o ponta Nalbert se
prepara para iniciar uma nova fase de sua vitoriosa carreira:
o vôlei de praia. Ainda se acostumando com os novos ares,
o atleta busca aprender o possível com Guto, seu primeiro
parceiro nas areias, onde quer conquistar o Pan-americano
e até mesmo uma nova medalha nos Jogos Olímpicos, desta vez
em Pequim-2008. Treinando para seu jogo de estréia, que deve
acontecer no próximo mês no Circuito Nacional, Nalbert vê
as duplas Marcio/ Fábio Luis, Harley/ Benjamim, Ricardo/Emanuel
e Tande/Franco como suas principais adversárias neste começo.
Obstinado, acredita que só precisa treinar para conquistar
bons resultados e garante: não voltará para a quadra.
Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Gazeta Esportiva.Net: Como está sendo sua adaptação ao
jogo na praia?
Nalbert: Está ótima. Estou há três meses treinando
e já estou próximo de entrar na quadra. Na verdade, não tem
muita dificuldade, mas sim ansiedade de começar a competir.
O meu treinador, que tem um ótimo conhecimento, está me ajudando
muito, assim como o meu parceiro, que está colaborando para
elevar o nível dos treinos. Também estou com uma equipe boa
de trabalho e com três patrocinadores. Agora é só treinar
e jogar.
Guto: Na verdade, o Nalbert não tem muito a aprender.
Ele tem um talento nato. Mas vou tentar passar para ele alguns
toques do vôlei de praia. Ele também vai poder me passar toda
a experiência que tem na quadra e em grandes competições.
GE.Net: Você enfrentou um pouco de dificuldade para encontrar
um parceiro na praia. Como foi essa fase?
Nalbert: No início, nem estava muito preocupado em
encontrar um parceiro logo. Mas, depois encontramos o Guto
que era o que mais se encaixava no que a gente queria e estava
disponível para jogar comigo
Guto: Nossa, eu fiquei muito feliz em ser chamado
para jogar com ele. Vou fazer o possível para agarrar essa
oportunidade
GE.Net: Quais são as características do Guto que te fizeram
convidá-lo para ser seu parceiro na praia?
Nalbert: Ele é um bloqueador nato e um jogador
jovem que pode crescer muito, além de morar no Rio de Janeiro.
GE.Net: Está se sentindo um novato agora?
Nalbert: Eu já conhecia um pouco do vôlei de praia,
então já tinha idéia das dificuldades. Mas estou me sentindo
um juvenil com novos desafios.
GE.Net: O fato de você ser tanto um bom defensor quanto
um bom atacante deve fazer com que os adversários saquem em
cima do Guto, obrigando-o a executar a posição de levantador.
Como você pretende lidar com isso?
Nalbert: Eu tenho um bom toque, pois já fui levantador
na quadra. Mas vou ter que me acostumar a exercer bem todos
os fundamentos
GE.Net: Como você vê sua chance de disputar a Olimpíada
de Pequim-2008? E de ganhar uma medalha?
Nalbert: Acho que temos que pensar uma coisa de cada
vez. Tem que ser passo a passo. Começar pelo Brasileiro, depois
Mundial... Mas, com certeza, o meu objetivo é chegar às Olimpíadas.
Se eu não conseguir, vou continuar jogando. Em 2012 vou ter
38 anos e, caso ainda esteja bem, tento novamente.
GE.Net: Por que jogar na praia ao invés de se "aposentar",
ou virar dirigente?
Nalbert: Porque acho que ainda tenho muito o quê jogar.
Posso virar dirigente, mas só quando não tiver mais condições
físicas pra jogar.
GE.Net: As duplas no vôlei de praia não costumam ser
muito estáveis. Acredita que esta será uma dificuldade a mais
para você, uma vez que na quadra os grupos permanecem os mesmo
por um período mais longo?
Nalbert: Espero poder jogar bem com o meu parceiro
e poder ficar muito tempo. Mas esse tipo de coisa não dá para
prever.
GE.Net: Ainda sofre muito assédio dos clubes para voltar
a atuar na quadra?
Nalbert: Agora não. Já está tudo mais tranqüilo. Não
tenho mais nenhum vínculo com o Banespa/São Bernardo e também
não voltaria para as quadras. Meu ciclo na quadra já acabou.
GE.Net: Faltou ganhar alguma coisa na quadra?
Nalbert: O título do Campeonato Italiano e o Pan-Americano.
Este último eu vou tentar ganhar agora, no vôlei de praia.
GE.Net: O rendimento financeiro dos jogadores na praia
depende muito dos resultados, ao contrário do que acontece
na quadra. Como você está lidando com isso?
Nalbert: Estou bem. Agora estou com o apoio dos meus
patrocinadores, mas com certeza a premiação ajuda muito.
GE.Net: Como você avalia a nova fase da seleção brasileira?
Nalbert: A seleção está muito bem. Novos valores estão
surgindo, então acredito que o Brasil vai ter um grupo tão
homogêneo como na Olimpíada. Não acredito muito em substitutos
para quem saiu: acho que cada um tem o seu valor e suas características.
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