| Por Carolina Canossa, especial para
a GE.Net
Os sobrenomes são conhecidos: Mossa e Resende. O talento
vem de família. Filho da ex-jogadora Vera Mossa e do
técnico Bernardinho, Bruno Mossa Resende também
escolheu o vôlei como carreira. E não tem decepcionado
a linhagem: com apenas 19 anos, ganhou a confiança
do técnico Renan Dal Zotto, tornou-se titular da Cimed,
uma das equipes mais fortes da competição, e
atualmente ocupa o posto de melhor levantador da Superliga
masculina de vôlei.
Tal desempenho surpreendeu até mesmo o técnico
da seleção masculina. "É uma surpresa
para mim o Bruno estar neste nível tão elevado,
mas ainda tem que se confirmar para sonhar com uma chance
no futuro", declarou Bernardinho, não descartando
a chance de a torcida ver pai e filho defendendo o Brasil
no futuro.
Além da semelhança física com Bernardinho,
Bruno mostra a mesma obsessão pela perfeição.
Em uma conversa exclusiva com a GE.Net, o levantador
falou sobre a pressão de ser filho de dois dos maiores
nomes do vôlei nacional, de seu início no esporte,
do atual nível dos levantadores brasileiros e, claro,
sobre seleção brasileira. Modesto, ele garante
que sonha em vestir a camisa amarela. Porém, acredita
ainda não estar preparado e dedica suas atenções
à Superliga.
Coincidência ou não, Bernardinho tem a mesma
opinião. "Ainda há tempo para ele, uma
longa estrada a ser percorrida", afirma o técnico.
De uma forma ou de outra, Bruno já começa a
fazer seu próprio nome e tem tudo para ser um dos astros
do time bicampeão olímpico no futuro. Que ninguém
se surpreenda quando sair a convocação.
Gazeta Esportiva.Net: Você é o melhor levantador
da Superliga masculina, segundo as estatísticas da
CBV. Há algum segredo para conseguir isso tão
jovem?
Bruno Resende: Sinceramente, eu não vejo estas
estatísticas, nem sei como funciona isso. Não
acho que eu seja o melhor. Só estou vivendo um bom
momento, amadurecendo cada dia mais. Há outros levantadores
que são melhores do que eu no momento e com certeza
isso é uma motivação a mais para mim.
Eu me sinto muito orgulhoso e vou continuar trabalhando porque
ser o melhor da Superliga é só uma responsabilidade
a mais.
GE.Net: Sente pressão por ser filho do Bernardinho
e da Vera Mossa?
BR: Quanto a isso eu já amadureci bastante, não
sinto mais nenhum problema com relação a este
assunto. Tento levar pelo lado bom, porque meu pai é
um cara que está no meio, minha mãe também
e eles me mostram qual é o melhor caminho para eu tomar.
Eu procuro fazer o meu trabalho com a minha equipe, deixando
a pressão do lado de fora da quadra.
GE.Net: Já teve problemas por causa disso?
BR: Já ouvi várias coisas. Que eu teria
vida fácil, por exemplo. Quando eu estava defendendo
as seleções de base, ouvi gente que disse que
eu só estava lá porque eu era filho do Bernardinho.
Também senti que alguns jogadores ficaram com um "pé
atrás" comigo, mas hoje em dia todos me respeitam.
GE.Net: Como você lida com esta questão atualmente?
BR: No começo era difícil para mim, mas
estou me desvencilhando desta imagem. Agora sou o Bruno e
não o filho do Bernardinho. Estou bem tranqüilo,
às vezes, a torcida adversária pega no pé
por isso, mas o importante é que estou aí, jogando
bem na Superliga. Mas sei que ainda tenho muito a melhorar.
GE.Net: Mas você foi influenciado pelos seus pais,
não foi?
BR: Não tem jeito, né? Você nasce,
vive dentro de quadra, todos os dias brinca com a bola...
Acaba sendo uma pressão, sem eles quererem fazer isso.
Foi uma coisa que eu acabei gostando e eu sabia que não
iria fugir disso.
GE.Net: Quando você decidiu ser jogador profissional
de vôlei?
BR: Não me lembro a idade certa. Eu sempre via
os jogos do meu pai, então acabou sendo uma coisa natural.
Não foi nada forçado, sempre gostei de estar
na quadra. Já pratiquei vários esportes, mas
foi com 14 para 15 anos que decidi levar o vôlei mais
a sério. Então meu pai me falou foi que, se
essa era a minha escolha, eu tinha que me esforçar
ao máximo.
GE.Net: Quais foram os outros esportes que você
praticou?
BR: Joguei futebol, basquete, tênis, badminton,
que é um esporte que pouca gente conhece. Mas eu sabia
que uma hora ou outra meu caminho seria o vôlei mesmo.
GE.Net: Como seus pais reagiram à sua decisão
de ser jogador de vôlei?
BR: Meu pai queria que eu me esforçasse ao máximo
em qualquer coisa que eu fizesse, me dedicasse bastante, inclusive
nos estudos. Mas no fundo, eles gostaram da minha decisão.
Para eles deve ter sido um orgulho e acho que até hoje
eles sentem isso. Meu pai e minha mãe nunca ficaram
receosos. Eles sempre me deram força, mas nunca me
obrigaram a nada.
GE.Net: Por que decidiu ser levantador?
BR: Por causa da altura. Teve uma época que comecei
a ficar muito baixo para ser atacante, então comecei
a perceber que tinha que ser levantador ou líbero para
me destacar e chegar à seleção brasileira.
Não gostava de levantar, mas tive que me acostumar.
Eu queria mesmo era fazer ponto, mas depois vi que o levantador
é o cara que tem a bola na mão toda hora, que
pensa o jogo. Hoje não quero mais mudar de posição.
GE.Net: Você tem algum ídolo no vôlei?
BR: Meu pai, com certeza. Pela dedicação
e por todo o trabalho que ele já fez. Também
tem o Kiraly e o Renan, que são dois dos maiores jogadores
da história. Dos jogadores atuais, não tem quem
eu seja fã, mas sim que eu me espelho e um deles é
o Ricardinho.
GE.Net: O que acha do Ricardinho e do Marcelinho, atuais
levantadores da seleção?
BR: O Ricardinho é extremamente habilidoso e ousado.
Para mim, é o melhor levantador do mundo atualmente.
O Marcelinho é mais tático, não arrisca
tanto. Já pude jogar com ele e sei que é um
cara muito bom.
GE.Net: Então acredita que será uma parada
dura ser convocado para a seleção?
BR: Ainda não estou pensando nisso. Primeiro quero
chegar à final da Superliga. Mesmo entre outros levantadores,
há quem tenha mais chance, como o Marlon, do Minas.
Para mim, será bom se eu for convocado, nem que seja
para treinar, mas só depois de 2008 essa possibilidade
é real. Agora, eu não me vejo preparado para
defender a seleção.
GE.Net: Na sua opinião, o que você precisa
melhorar?
BR: Tudo, mas principalmente ser mais preciso e bloquear
melhor.
GE.Net: Como é ser titular de uma Superliga aos
19 anos?
BR: É um ponto positivo para mim. Acredito que
poucos jogadores tiveram essa chance. Atuando como titular
amadureço cedo e vou trabalhando para melhorar. O levantador
é a posição mais importante do jogo,
é uma pressão grande, porque acredito que o
campeonato tem uns sete times em condições de
ser finalista. Fiquei meio inseguro no começo, então
comecei a me dedicar, ficava treinando bastante, chegava antes
do treino e só saía depois. Agradeço
ao Renan, que me deu essa chance mesmo quando ainda não
estava confiante. Poucos dariam uma oportunidade dessas a
um garoto novo como eu.
GE.Net: Dá para perceber que você tem a mesma
obsessão pela perfeição que o Bernardinho.
É influência dele?
BR: Não digo nem que é influência,
é genética mesmo. Eu sou vidrado, me cobro muito,
a cada bola, a cada dia. E acho que é isso que faz
o trabalho dele tão bom.
GE.Net: Não são raros os casos de atletas
que, na sua idade, eram apontados como grandes talentos e
depois não deram em nada. O que fará para evitar
que o mesmo ocorra com você?
BR: Tenho pais que já passaram por isso, então
acredito que eles vão me mostrar qual o melhor caminho.
Uma coisa que acontece bastante é que quando um jogador
novo tem destaque, as pessoas e a imprensa ficam falando que
o cara é uma promessa e ele acaba perdendo o foco,
acha que é melhor do que realmente é. Eu sei
que tenho que melhorar o infinito ainda. Não vou deixar
me levar pelos comentários. Isso não vai acontecer
comigo.
GE.Net: Seu pai disse que, se você continuar bem,
pode até sonhar com a seleção no futuro.
O que você tem a dizer sobre isso?
BR: Eu acho que a seleção é o caminho
natural de qualquer atleta. Todos querem buscar isso. Graças
a Deus, com a oportunidade que o Renan, o Pacheco (assistente
técnico) e toda a comissão técnica me
deram aqui na Cimed, eu estou jogando minha primeira Superliga
como titular aos 19 anos. Isso é muito difícil
de alguém fazer. Estou amadurecendo cada dia mais cedo
e a seleção é um sonho. Falta um pouco
para eu conseguir, mas com certeza é onde eu quero
chegar.
GE.Net: Não vai ser estranho você em quadra
e seu pai no comando?
BR: (Risos) Vai ser no mínimo engraçado.
Será uma experiência bacana, mas vamos ver o
futuro. Se Deus quiser, um dia vai acontecer.
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