Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
24/02/2006
Montagem sobre foto de Marcos Campos/Gazeta Press

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Os sobrenomes são conhecidos: Mossa e Resende. O talento vem de família. Filho da ex-jogadora Vera Mossa e do técnico Bernardinho, Bruno Mossa Resende também escolheu o vôlei como carreira. E não tem decepcionado a linhagem: com apenas 19 anos, ganhou a confiança do técnico Renan Dal Zotto, tornou-se titular da Cimed, uma das equipes mais fortes da competição, e atualmente ocupa o posto de melhor levantador da Superliga masculina de vôlei.

Tal desempenho surpreendeu até mesmo o técnico da seleção masculina. "É uma surpresa para mim o Bruno estar neste nível tão elevado, mas ainda tem que se confirmar para sonhar com uma chance no futuro", declarou Bernardinho, não descartando a chance de a torcida ver pai e filho defendendo o Brasil no futuro.

Além da semelhança física com Bernardinho, Bruno mostra a mesma obsessão pela perfeição. Em uma conversa exclusiva com a GE.Net, o levantador falou sobre a pressão de ser filho de dois dos maiores nomes do vôlei nacional, de seu início no esporte, do atual nível dos levantadores brasileiros e, claro, sobre seleção brasileira. Modesto, ele garante que sonha em vestir a camisa amarela. Porém, acredita ainda não estar preparado e dedica suas atenções à Superliga.

Coincidência ou não, Bernardinho tem a mesma opinião. "Ainda há tempo para ele, uma longa estrada a ser percorrida", afirma o técnico. De uma forma ou de outra, Bruno já começa a fazer seu próprio nome e tem tudo para ser um dos astros do time bicampeão olímpico no futuro. Que ninguém se surpreenda quando sair a convocação.

Gazeta Esportiva.Net: Você é o melhor levantador da Superliga masculina, segundo as estatísticas da CBV. Há algum segredo para conseguir isso tão jovem?
Bruno Resende:
Sinceramente, eu não vejo estas estatísticas, nem sei como funciona isso. Não acho que eu seja o melhor. Só estou vivendo um bom momento, amadurecendo cada dia mais. Há outros levantadores que são melhores do que eu no momento e com certeza isso é uma motivação a mais para mim. Eu me sinto muito orgulhoso e vou continuar trabalhando porque ser o melhor da Superliga é só uma responsabilidade a mais.

GE.Net: Sente pressão por ser filho do Bernardinho e da Vera Mossa?
BR:
Quanto a isso eu já amadureci bastante, não sinto mais nenhum problema com relação a este assunto. Tento levar pelo lado bom, porque meu pai é um cara que está no meio, minha mãe também e eles me mostram qual é o melhor caminho para eu tomar. Eu procuro fazer o meu trabalho com a minha equipe, deixando a pressão do lado de fora da quadra.

GE.Net: Já teve problemas por causa disso?
BR:
Já ouvi várias coisas. Que eu teria vida fácil, por exemplo. Quando eu estava defendendo as seleções de base, ouvi gente que disse que eu só estava lá porque eu era filho do Bernardinho. Também senti que alguns jogadores ficaram com um "pé atrás" comigo, mas hoje em dia todos me respeitam.

GE.Net: Como você lida com esta questão atualmente?
BR:
No começo era difícil para mim, mas estou me desvencilhando desta imagem. Agora sou o Bruno e não o filho do Bernardinho. Estou bem tranqüilo, às vezes, a torcida adversária pega no pé por isso, mas o importante é que estou aí, jogando bem na Superliga. Mas sei que ainda tenho muito a melhorar.

GE.Net: Mas você foi influenciado pelos seus pais, não foi?
BR:
Não tem jeito, né? Você nasce, vive dentro de quadra, todos os dias brinca com a bola... Acaba sendo uma pressão, sem eles quererem fazer isso. Foi uma coisa que eu acabei gostando e eu sabia que não iria fugir disso.

GE.Net: Quando você decidiu ser jogador profissional de vôlei?
BR:
Não me lembro a idade certa. Eu sempre via os jogos do meu pai, então acabou sendo uma coisa natural. Não foi nada forçado, sempre gostei de estar na quadra. Já pratiquei vários esportes, mas foi com 14 para 15 anos que decidi levar o vôlei mais a sério. Então meu pai me falou foi que, se essa era a minha escolha, eu tinha que me esforçar ao máximo.

GE.Net: Quais foram os outros esportes que você praticou?
BR: J
oguei futebol, basquete, tênis, badminton, que é um esporte que pouca gente conhece. Mas eu sabia que uma hora ou outra meu caminho seria o vôlei mesmo.

GE.Net: Como seus pais reagiram à sua decisão de ser jogador de vôlei?
BR:
Meu pai queria que eu me esforçasse ao máximo em qualquer coisa que eu fizesse, me dedicasse bastante, inclusive nos estudos. Mas no fundo, eles gostaram da minha decisão. Para eles deve ter sido um orgulho e acho que até hoje eles sentem isso. Meu pai e minha mãe nunca ficaram receosos. Eles sempre me deram força, mas nunca me obrigaram a nada.

GE.Net: Por que decidiu ser levantador?
BR:
Por causa da altura. Teve uma época que comecei a ficar muito baixo para ser atacante, então comecei a perceber que tinha que ser levantador ou líbero para me destacar e chegar à seleção brasileira. Não gostava de levantar, mas tive que me acostumar. Eu queria mesmo era fazer ponto, mas depois vi que o levantador é o cara que tem a bola na mão toda hora, que pensa o jogo. Hoje não quero mais mudar de posição.

GE.Net: Você tem algum ídolo no vôlei?
BR:
Meu pai, com certeza. Pela dedicação e por todo o trabalho que ele já fez. Também tem o Kiraly e o Renan, que são dois dos maiores jogadores da história. Dos jogadores atuais, não tem quem eu seja fã, mas sim que eu me espelho e um deles é o Ricardinho.

GE.Net: O que acha do Ricardinho e do Marcelinho, atuais levantadores da seleção?
BR:
O Ricardinho é extremamente habilidoso e ousado. Para mim, é o melhor levantador do mundo atualmente. O Marcelinho é mais tático, não arrisca tanto. Já pude jogar com ele e sei que é um cara muito bom.

GE.Net: Então acredita que será uma parada dura ser convocado para a seleção?
BR:
Ainda não estou pensando nisso. Primeiro quero chegar à final da Superliga. Mesmo entre outros levantadores, há quem tenha mais chance, como o Marlon, do Minas. Para mim, será bom se eu for convocado, nem que seja para treinar, mas só depois de 2008 essa possibilidade é real. Agora, eu não me vejo preparado para defender a seleção.

GE.Net: Na sua opinião, o que você precisa melhorar?
BR:
Tudo, mas principalmente ser mais preciso e bloquear melhor.

GE.Net: Como é ser titular de uma Superliga aos 19 anos?
BR:
É um ponto positivo para mim. Acredito que poucos jogadores tiveram essa chance. Atuando como titular amadureço cedo e vou trabalhando para melhorar. O levantador é a posição mais importante do jogo, é uma pressão grande, porque acredito que o campeonato tem uns sete times em condições de ser finalista. Fiquei meio inseguro no começo, então comecei a me dedicar, ficava treinando bastante, chegava antes do treino e só saía depois. Agradeço ao Renan, que me deu essa chance mesmo quando ainda não estava confiante. Poucos dariam uma oportunidade dessas a um garoto novo como eu.

GE.Net: Dá para perceber que você tem a mesma obsessão pela perfeição que o Bernardinho. É influência dele?
BR:
Não digo nem que é influência, é genética mesmo. Eu sou vidrado, me cobro muito, a cada bola, a cada dia. E acho que é isso que faz o trabalho dele tão bom.

GE.Net: Não são raros os casos de atletas que, na sua idade, eram apontados como grandes talentos e depois não deram em nada. O que fará para evitar que o mesmo ocorra com você?
BR:
Tenho pais que já passaram por isso, então acredito que eles vão me mostrar qual o melhor caminho. Uma coisa que acontece bastante é que quando um jogador novo tem destaque, as pessoas e a imprensa ficam falando que o cara é uma promessa e ele acaba perdendo o foco, acha que é melhor do que realmente é. Eu sei que tenho que melhorar o infinito ainda. Não vou deixar me levar pelos comentários. Isso não vai acontecer comigo.

GE.Net: Seu pai disse que, se você continuar bem, pode até sonhar com a seleção no futuro. O que você tem a dizer sobre isso?
BR:
Eu acho que a seleção é o caminho natural de qualquer atleta. Todos querem buscar isso. Graças a Deus, com a oportunidade que o Renan, o Pacheco (assistente técnico) e toda a comissão técnica me deram aqui na Cimed, eu estou jogando minha primeira Superliga como titular aos 19 anos. Isso é muito difícil de alguém fazer. Estou amadurecendo cada dia mais cedo e a seleção é um sonho. Falta um pouco para eu conseguir, mas com certeza é onde eu quero chegar.

GE.Net: Não vai ser estranho você em quadra e seu pai no comando?
BR:
(Risos) Vai ser no mínimo engraçado. Será uma experiência bacana, mas vamos ver o futuro. Se Deus quiser, um dia vai acontecer.

anuncie seu carro
Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net