
Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Com a autoridade de atual campeão mundial e
olímpico, sem contar os cinco títulos
da Liga Mundial, o técnico Bernardo Rezende acredita
que todo o sucesso dos homens na seleção
brasileira de vôlei vai se repetir no feminino.
A despeito de qualquer desentendimento com o técnico
José Roberto Guimarães – com o qual
não fala, por sinal –, ele avalia que o
grupo formado após o desastre da quarta colocação
em Atenas é o que possui maior potencial na história,
com grande chance até de chegar à tão
sonhada final olímpica, missão abortada
nas últimas três semifinais dos Jogos.
O palpite está longe de ser qualquer provocação
a Guimarães. Além de ter comandado a seleção
feminina nos Jogos Olímpicos de Atlanta, onde
o time conquistou um histórico bronze, Bernardinho
atualmente dirige o Rexona/Ades, atual campeão
brasileiro feminino, que conta com quatro atletas da
seleção: as atacantes Sassá, Fabiana
e Renatinha, além da líbero Fabi. E, exatamente
por conhecer bem as atletas, ele faz sua análise
da situação. “Ajuda o fato de, sem
nenhum demérito para as brasileiras, algumas
seleções importantes como Cuba estarem
passando por uma entressafra. De qualquer forma, o Brasil
se manteve à frente no vôlei feminino”,
comenta.
Em entrevista concedida antes de um treino do Rexona
visando a Salonpas Cup, competição em
que a equipe carioca ficou com a taça pela segunda
vez, o treinador falou sobre esse e outros assuntos.
GE.Net - Como você avalia a seleção
feminina atualmente?
Bernardinho - Uma medalha olímpica certamente
virá porque a geração que está
aí é a melhor que nós já
tivemos e pode abrir um ciclo inigualável, como
faz o atual time masculino. No feminino nós abrimos
um corpo de vantagem sobre as outras seleções.
Sem dúvida, este grupo tem o maior potencial
da história. Primeiro pelo valor da equipe, pela
quantidade de boas jogadoras. Isso é muito importante
e fruto da geração anterior. Como essa
atual do vôlei masculino surgiu? Certamente se
mirando no vôlei do Bernard, Renan, Montanaro,
Giovane, Tande, Maurício e assim vai...Tenho
certeza que essa geração feminina é
também um pouco fruto de Ana Moser, Fernanda,
Ana Paula.... Você se espelha em grandes jogadoras.
Eu sou parte do processo, claro, mas as protagonistas
são elas.
GE.Net - Como você está avaliando
os jogadores mais novos da seleção masculina?
Bernardinho - Eles estão crescendo.
Em 2005, logo depois das Olimpíadas, talvez eu
ainda não tivesse tanta confiança em lançá-los
em certos momentos. Antes, se um Nalbert, um Giovane
estavam fora, era uma coisa automática substituí-los.
É um processo: você tem que ir conhecendo
e confiando nos atletas para as coisas serem construídas.
Em 2006 isso já mudou bastante: tanto o Murilo
quanto o Samuel já participaram efetivamente
do time e já mostraram capacidade, conquistando
não só a minha confiança como a
do grupo. Entraram, foram bem, deram sua contribuição,
mas obviamente tem que melhorar muito para continuar
crescendo.
GE.Net - A diferença grande de idade
dos levantadores da seleção te preocupa
(Ricardinho e Marcelinho possuem cerca de 10 anos a
mais que o Bruno)?
Bernardinho - Não,
isso é ótimo. Que bom que a gente tem
um levantador que está se aproximando com 10
anos de distância. Isso nos dá a condição
de ter uma continuidade de resultados fantástica.
Quando se vêm de resultados difíceis, é
fácil de renovar, mas como se coloca um garoto
no meio de uma geração que só ganha?
GE.Net - O que faz o Brasil sempre estar um
pouco à frente no vôlei masculino?
Bernardinho - Essa geração atual
não escreveu uma página, mas um capítulo
na história do vôlei brasileiro, pois são
seis anos de títulos. Nunca foi fácil:
quando vencemos por mais de dois pontos é um
alívio. As vitórias têm a ver com
a capacidade dessa equipe enfrentar essas dificuldades.
Claro que há talentos individuais, caso do Giba,
Ricardinho, Gustavo, André Nascimento, Anderson,
mas eu acho que a atitude, a forma de trabalhar, talvez
seja o grande legado desta geração. Quando
o Henrique foi cortado das Olimpíadas, ele era
um cara tão importante no processo todo, que
simplesmente representou um sentimento muito importante:
a consciência coletiva de que todos importam.
Por isso, foi feita a homenagem a ele.
GE.Net - Onde mais este legado pode ser visto?
Bernardinho - A coisa do merecimento para mim
também é muito importante. Na Liga Mundial
nós fomos treinar no dia da final contra a França.
Quando estávamos chegando, eu encontrei um rapaz
da comissão técnica italiana e ele perguntou
onde a gente estava indo. Respondi: “Vamos treinar”.
Tínhamos jogado na noite anterior contra a Rússia,
onde houve um desgaste físico e psicológico
grande nos dois últimos sets. Então ele
disse: “Vocês são uns cães.
Não é possível que vão treinar
agora”. Isso, de uma certa forma, incomoda os
caras, suscita um certo: “Vamos ter que socá-los
até morrer e, de repente, eles vão levantar
de novo e vão voltar”. Eu espero que os
jogadores nunca se esqueçam disso.
| Foto: Divulgação/Luiz
Doro Neto |
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| "Somos gente e temos vaidade. As
armadilhas estão ai", alerta o técnico |
GE.Net - É isso que falta para a Itália
que está passando uma crise violenta?
Bernardinho - A Itália se tornou mais
perigosa do que nunca. Essa crise violenta, na minha
opinião, vai gerar aquela coisa neles de fazer
disso uma lição. Talento não basta
e temos esta lição no futebol. Não
adianta culpar A, B, C, mas tentar entender os porquês
para não cair nas mesmas armadilhas. A Itália
tem talento e capacidade, mas falta algo que talvez
este episódio dê a eles para correrem atrás
e se fortalecerem como grupo. Eu preferia que isso não
tivesse acontecido com eles, mas sim que houvesse a
zona de conforto. Essa tempestade pode mobilizar a tropa
dele de uma forma muito perigosa para nós.
GE.Net - Além da Itália, quais
os adversários mais perigosos?
Bernardinho - A questão física
e as ligas européias cresceram tanto no vôlei
masculino que as distâncias entre dez times estão
muito pequenas. A Bulgária é um exemplo:
na fase final da Liga ganhou tudo de 3 a 0 até
a semifinal. Além deles, temos a Sérvia,
Rússia, Polônia, França, EUA, Cuba
... Estamos apenas um nariz à frente dos outros:
se fizer uma plástica acaba vantagem (risos).
GE.Net - A evolução dos rivais
era uma coisa que você já esperava ou acabou
sendo uma surpresa?
Bernardinho - Eu esperava. A Polônia
há muitos anos vem conquistando muita coisa com
seleções de base. A Rússia tende
a nos ultrapassar, se não nos prepararmos para
algumas situações e, principalmente, não
fortalecermos nosso campeonato. Ela tem conseguido uma
consistência enorme no infanto, no juvenil, tanto
que perdemos dois Mundiais destas categorias para eles.
GE.Net – Você tem um grupo vivido.
Ele ainda pode cair em certas armadilhas?
Bernardinho - Somos gente e temos vaidade.
As armadilhas estão aí, apesar de ser
mais difícil acontecer com este grupo em função
do que ele já demonstrou, das posturas que ele
teve ao longo do tempo. A propensão é
menor, mas quanto mais aumentam os resultados positivos,
mais a sedução aumenta. O bicho “mídia”
mexendo com o bicho “gente” é uma
coisa complicada. Temos que estar sempre ligados.
GE.Net - Qual é a maior preocupação
no momento, às vésperas do Mundial?
Bernardinho - A preocupação maior
hoje é a expectativa grande em função
dos resultados. Também haverá uma postura
de treinamento muito pequena, não teremos o tempo
ideal para a preparação. Serão
apenas duas semanas e meia de treinos aqui no Brasil
e depois adaptação de menos de uma semana
lá no Japão. Então, como eu vou
lidar com isso?
GE.Net - Você pensou em algo especial?
Bernardinho - Como quase todos os jogadores
estão atuando lá na Europa, o trabalho
físico vai ser preponderante neste momento. Além
disso, vamos melhorar algumas questões técnicas
individuais e tentar jogar algo novo. Teremos que estudar
o máximo possível, ter a maior qualidade
e o maior volume sem desgastar os nossos atletas excessivamente.
GE.Net - Como você avalia a chave do
Brasil no Mundial?
Bernardinho - Estamos no que eu chamo de lado
da morte. Temos Cuba (estréia), França,
Grécia, Alemanha e Austrália na nossa
chave. Destes seis, classificam-se quatro. Cuba, França,
Grécia e Alemanha incomodam e a Austrália
é um time que tem quatro ou cinco jogadores acima
do normal. Estes quatro se juntam com os quatro que
se classificam da chave da Itália que também
tem EUA, Bulgária e mais alguns menos votados.
Daí, afunila rápido e saem apenas dois
para a semifinal. Já do lado de lá, existem
três rivais tradicionais, onde eu acredito que
dois deles estarão na semifinal: Polônia,
Rússia e Sérvia. Não dá
nem para dizer o campeonato é longo e nós
vamos crescer na primeira fase, pois você carrega
os resultados e se não for bem na primeira fase,
pode não ir para a semi. Talvez seja o nosso
momento mais difícil, o nosso maior obstáculo,
a nossa maior montanha a ser galgada. A montanha mais
íngreme é sempre a próxima, porque
a anterior já foi escalada. Essa é a mensagem
que vai ser dada ao grupo.
GE.Net - Antigamente a sua filosofia era estudar
os adversários para saber o que eles faziam para
vencer o Brasil. Ou seja, era estudar a gente para vencer
a gente mesmo. Você está fazendo algo neste
sentido no Mundial?
Bernardinho - Não ainda tudo o que eu
queria, mas eu já fiz algumas coisas, como avaliações,
tanto vídeo quanto números e procurar
saber os porquês. Um primeiro diagnóstico
que salta aos olhos claramente é o saque. Na
final da Liga Mundial, contra a França, por exemplo,
nós erramos muito sem conseguir o efeito que
precisávamos. Esse é um dos fundamentos
que a gente vai ter que trabalhar mais, gerar nos caras
essa consciência de trabalhar uma estratégia
de saque que nos dê uma condição
melhor de fazer as coisas. Podemos melhorar o nosso
ataque também, que teve um porcentual baixo de
aproveitamento na fase final .
GE.Net - Como isso será feito em apenas
duas semanas e meia de treinos?
Bernardinho - No dia-a-dia mesmo, com conversa
e implementando o treinamento. Tem que ser direto no
que estudamos. Se for o caso (de os jogadores pedirem):
“Olha, não vamos saltar muito porque estamos
cansados”, ao invés de saltar para bloquear,
vamos saltar para sacar. Temos que estabelecer as prioridades
nestas duas semanas e meia.
GE.Net - Os jogadores dizem que o Brasil tem
duas realidades no vôlei: a da seleção
e a da Superliga. Como você faz para aproximar
esses dois lados?
Bernardinho - Temos que pensar nisso. É
claro que existe um aspecto que não depende da
gente, o econômico: quando se fala em um contrato
de R$ 100 mil e outro de 100 mil euros, o segundo é
três vezes o primeiro. Como a carreira do atleta
é curta, ele tem que aproveitar. Então
nós temos que repensar o modelo, angariar investimentos.
O nosso calendário é mal planejado, internamente
falando, e mal executado. Um exemplo claro é
a Salonpas Cup: jogamos um torneio belíssimo,
extremamente bem organizado, o único internacional
que nós temos. Acho inconcebível que se
faça em um momento que as jogadoras de seleção
não estão. É um tiro no pé.
Também não se fortalece o mercado interno.
Na minha opinião, o ranqueamento não
foi bem feito este ano. Muitas jogadoras estão
saindo do Brasil e nós tínhamos condições
de ficar com algumas delas. O Rexona foi o mais prejudicado:
além, de perder a Fernanda – que já
é uma perda enorme -, tivemos que abrir mão
da Jaqueline. Tínhamos condições
de mantê-la e ela queria ficar. A intenção
dela, inclusive, era trazer o Murilo de volta da Itália.
Conversei com os dois lá em Saquarema e não
havia o que fazer: nós já tínhamos
acertado com a Sassá e a Fabiana. Ponto. Caímos
no seguinte absurdo: os times começam a importar
jogadoras, como a Cimed/Macaé trouxe a Danielle
Scott, e deixamos as brasileiras irem embora. Um contrasenso.
GE.Net - No masculino também estão
faltando estrelas jogando internamente....
Bernardinho - Mas lá existem 14 equipes,
uma garotada forte, apesar de não haver a força
do patrocínio do feminino, que conta com Finasa
e Rexona. Há um movimento crescente no masculino,
mas é impossível concorrer com as cifras.
A Rússia, por exemplo, entrou no mercado de uma
maneira tão forte que o Giba não saiu
da Itália para lá, porque a Pirv não
queria morar na Rússia. Mas ele me falou: “Não
vai dar para segurar por muito tempo, porque é
muito dinheiro”.
GE.Net - Então você não
acredita que o problema seja manter os jovens no Brasil?
Bernardinho - Eu não tenho um modelo
amarrado na minha cabeça, mas é claro
que ter ídolos melhora o campeonato, dá
publicidade, chama patrocínios. Só que
tem que haver um mercado grande, com um bom número
de atletas, de times, pois isso faz com que haja qualidade.
A única coisa com relação à
exportação de jogadores é que o
êxodo prematuro tem que ser combatido. E uma coisa
que me preocupa é o procurador. Nesta ânsia
de ganhar dinheiro, ele manda o garoto muito prematuramente
para fora. Um Felipe Chupita, por exemplo, foi cedo
demais e muitas vezes acaba relegado ao segundo plano,
jogando pouco. Isso é a pior coisa.
| Foto: Marcelo
Ferrelli / Gazeta Press |
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Depois da Itália,
Bernardinho teme agora ver atletas da seleção
indo para Rússia
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GE.Net - A Sheilla foi embora jovem e hoje
é destaque da seleção. Ela é
uma exceção?
Bernardinho - Não, porque ela foi jogando
e isso foi muito bom para ela, que já tinha consciência
de trabalho muito boa. No feminino também é
um pouco diferente, porque trabalha-se um pouco mais na
Itália que no masculino. Talvez este tenha sido
um dos agentes da transformação também.
A Sheilla foi no momento certo, taí a prova do
que ela se tornou: uma fora de série. Ela é,
sem dúvida, hoje a principal atacante do mundo
e acho que desde que a Ana Moser estava no auge, nós
nunca tivemos a maior atacante do mundo. Tínhamos
sim uma das melhores levantadoras do mundo e um sistema
que funcionava.
GE.Net - Você se considera um ídolo?
Como você lida com a pressão de ser Bernardinho?
Bernardinho - Longe disso. É claro que
é bacana, me emociona as pessoas me cumprimentarem
no avião, mas minha insônia só aumenta,
pois eu não sou nada disso. Tento obviamente
ser o mais correto possível, dar o melhor que
o meu potencial permite, mas longe de ser qualquer coisa.
Sou passível de críticas e tento não
repetir os meus erros. Esse assédio é
um pouco pelo fato de eu estar no esporte: às
vezes você tem gente muito boa em jornais, empresas,
mas eles ficam escondidos nas redações.
No esporte mesmo isso acontece: veja o Robert Scheidt,
que é um ícone em termos de dedicação,
trabalho, mas não tem tanto assédio por
ser da vela, um esporte mais distante. O mesmo com o
Torben Grael, o Rodrigo Pessoa.... Talvez até
pelo momento que o Brasil vive, com essa descrença,
as pessoas se apegam em qualquer coisa. Não me
sinto e não quero ser assim: eu sou uma pessoa
como qualquer outra, mas tive a oportunidade e a fortuna
de ter grandes equipes, uma boa estrutura para trabalhar.
Muitas vezes eu até me questiono se os meus dirigentes
não vão pensar simplesmente que “o
Bernardinho se vira”.
GE.Net - As pessoas ainda te perguntam se você
iria para o futebol?
Bernardinho - Não, só em casos
especiais. Por exemplo: o Fluminense perdeu de 4 a 1,
e quando eu chego no Rio, algum tricolor mais fanático
me pede para dirigir o time. Mas sempre assim brincando.
Eu só imagino: e quando a seleção
perder? Porque vai perder, não tem jeito.
GE.Net - Você pensa em dar alguma contribuição
em outro esporte?
Bernardinho - Se não me mandarem embora
antes, eu sigo com a seleção masculina
até Pequim. Nunca se sabe, técnico é
técnico (risos). Se você perde já
começam: “Burro, burro...”. Tenho
feito muitos questionamentos em relação
às minhas escolhas. Nunca esqueço quando
a gente era garoto e estava em uma arquibancada qualquer
neste mundo afora, comendo porcaria, o Montanaro dizendo:
“Larga isso, vai trabalhar com o seu pai, ganhar
dinheiro...”. Então eu descobri que a minha
atividade não era fruto da necessidade, mas sim
da paixão. Muitos de meus colegas, inclusive
ele que veio de uma origem mais humilde, encarava o
esporte como uma maneira de crescer, uma necessidade.
Tenho uma admiração grande por essa luta,
porque eu não tive isso, já que nasci
em uma condição bem melhor.
GE.Net - Como é essa relação
hoje, Bernardinho com os grandes nomes do vôlei:
Bebeto, Zé Roberto Guimarães....?
Bernardinho - Com o Bebeto é distante,
a gente quase não se vê, mas é ótimo.
Com o Zé Roberto, após o episódio
da Fernanda, eu cortei. Não tenho mais nada a
dizer, acho que cada um segue a sua vida. Prefiro não
falar a respeito disso, porque as pessoas sabem qual
é a verdade. Não sei se aquilo foi uma
maneira de me valorizar, mas não tenho influência
em nada. Só que é claro que eu, como gestor
e técnico de uma equipe feminina, trabalho com
isso. Dou a minha contribuição, mas nenhuma
relação. Eu faço o meu, ele o dele,
mais nada. E com os ex-companheiros da seleção
de prata, eu tenho mais contato com alguns, caso do
Monta, o Renan, Léo, Fernandão, Bernard,
que são meus consultores para muita coisa.
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