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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . COPA DO MUNDO

Inglaterra - 1966

HISTÓRIA
Copa da violência e do apito suspeito

Acervo/Gazeta Press

A expulsão de Rattin contra a Inglaterra: polêmica e tumulto em Wembley

A Inglaterra levantou a taça, mas Portugal teve um passagem marcante na Copa de 1966. Os portugueses, comandados por Oto Glória, teve expressiva campanha nas eliminatórias e o futebol do mulato Eusébio já despontava para o mundo. E Portugal cairia justamente no grupo do Brasil, com sede em Liverpool e Manchester. A anfitriã Inglaterra faria seus jogos em Londres, no estádio de Wembley, contra Uruguai, França e México. O grupo de Sheffield e Birmingham contava com Argentina, Espanha, Alemanha (na época Ocidental) e Suíça. Em Sunderland e Middlesbrough ficaram Chile, Itália, União Soviética e Coréia do Norte.

Portugal mostra sua força no grupo que seria o mais forte do Mundial. Bate a renovada Hungria, temida por sua tradição, por 3 a 1. O Brasil passa pela Bulgária, mas ninguém gostou do que viu: os dois gols de bola parada, marcados por Pelé e Garrincha, foram insuficientes para satisfazer os torcedores que esperavam um show de bola – mal sabiam eles que naquela Copa o Brasil seria uma negação, e vencer a Bulgária por 2 a 0 já estava de bom tamanho.

Contra a Hungria, diante de 57 mil torcedores, o Brasil mostrou sua cara. Perdeu por 3 a 1. Pelé nem chegou a jogar: foi poupado. Tostão marcou nosso gol. Enquanto isso, Portugal metia 3 a 0 na Bulgária.

Era a vez de Brasil e Portugal. Diante de 62 mil torcedores, caímos por 3 a 1 e fomos eliminados ainda na primeira fase – o maior vexame da nossa história. E olhem que naquele time tínhamos Pelé, Gerson, Tostão e Jairzinho, mas a administração foi uma lástima – Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória, daquela vez havia ficado fora.

A Inglaterra passou pela França por 2 a 0 e pelo México pelo mesmo placar, recompondo-se da tímida estréia em que empatou por 0 a 0 com o Uruguai, o segundo colocado da chave.

No grupo 4, que parecia ser fácil, os coreanos surpreenderam o mundo ao empatar com o Chile por 1 a 1 e ganhar da Itália por 1 a 0. Ficaram com o segundo lugar da chave, apesar da derrota para a URSS por 3 a 0.

Os coreanos protagonizaram o jogo mais emocionante das quartas-de-final, e por pouco não se transformam na maior zebra dos mundiais. Em poucos minutos, na base da correria e muita vontade, eles abriram uma vantagem de 3 a 0 contra Portugal. Mas aí começou a brilhar a estrela de Eusébio, que ainda no primeiro tempo marcou dois gols (ele faria quatro naquele jogo e terminaria a Copa como maior artilheiro, com nove). Portugal virou o jogo para 5 a 3.

A União Soviética também passou pela Hungria por 2 a 1, um resultado pouco esperado. Os soviéticos tinham como destaque o goleiro Yashin, o Aranha Negra.

Em Londres, diante de 90 mil pessoas, a Inglaterra despachava a Argentina por 1 a 0, no jogo marcado pela expulsão de Rattin e por uma polêmica declaração do técnico inglês Alf Ramsey sobre os argentinos: "São uns animais".

O Uruguai teve problemas parecidos diante da Alemanha em Sheffield. Os uruguaios começaram melhor e Pedro Rocha teve tudo para fazer o gol: com uma bela cabeçada, venceu o goleiro, mas um toque de mão de Schenellinger tirou a bola em cima da linha. O juiz inglês Finney não marcou o pênalti. Tampouco marcaria falta nos inúmeros pontapés distribuídos pelos alemães. Os uruguaios Troche e Hector Silva revidaram e foram expulsos. No final, a Alemanha goleou por 4 a 0.

Portugal vai a Londres para tentar desbancar os ingleses nas semifinais, mas não repete seu grande futebol. Em Wembley, 94 mil torcedores vêem o melhor jogo do Mundial. Com dois de Bobby Charlton, a Inglaterra vence por 2 a 1. Na outra semifinal, apesar da grande atuação do goleiro Yashin, a União Soviética cai diante da Alemanha por 2 a 1, num jogo marcado pela violência.

Wembley, 95 mil torcedores. Sob a arbitragem atrapalhada e suspeita do suíço Gottfried Dienst, Inglaterra e Alemanha fazem a final. Depois do empate por 2 a 2 no tempo normal, os ingleses vencem na prorrogação por 2 a 0 e ficam com a taça. No último gol já havia gente dentro de campo para comemorar o título.

Forma de disputa

A Copa de 1966 foi disputada entre 11 e 30 de julho. A primeira fase teve quatro grupos assim definidos:

Grupo 1 – Uruguai, França, Inglaterra e México (Londres e Wembley)
Grupo 2 – Argentina, Espanha, Alemanha Ocidental e Suíça (Sheffield e Birmingham)
Grupo 3 – Brasil, Portugal, Hungria e Bulgária (Liverpool e Manchester)
Grupo 4 – Chile, Itália, URSS e Coréia do Norte (Sunderland e Middlesbrough)

As seleções jogaram entre si dentro de cada grupo, classificando-se as duas melhores de cada um para as quartas-de-final. Desta etapa até a final foi adotado o sistema de eliminatória simples.
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