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A zebra: coreanos vencem a Itália
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| Coreanos surpreendem e vencem a Itália em Middlesbrough |
A maior zebra da Copa de 66 foi a vitória da Coréia
do Norte sobre a Itália, na época já
bicampeã mundial. Tudo bem que a Azzura não
era aquela força. Havia ganho dos chilenos na estréia
(2 x 0) e perdido da URSS no segundo jogo (0 x 1). Mas a
Coréia não tinha nenhuma tradição
nas Copas. Nas quartas-de-final quase que os coreanos repetem
a zebra. Sempre na base da correria, eles marcam 3 a 0 nos
portugueses, que foram salvos pelos quatro gols de Eusébio.
A surpresa: Portugal
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| Portugal foi a sensação
da Copa até as quartas-de-final |
Portugal também começou surpreendendo logo
nas Eliminatórias européias. Depois de conseguir
pela primeira vez sua classificação, mesmo
estando no grupo dos vice-campeões de 62, os tchecos,
Portugal chegou arrebentando na Copa, principalmente com
a força do atacante Eusébio. Logo na estréia,
a seleção comandada pelo brasileiro Oto Glória
fez 3 a 1 na Hungria. A equipe venceu os três jogos
da primeira fase, fazendo nove gols e sofrendo dois. Uma
das vítimas foi o Brasil que também apanhou
de 3 a 1.
Nas quartas-de-final, os portugueses levaram um susto frente
à Coréia do Norte. Os adversários fizeram
três gols e pareciam ter ganho o jogo. Mas eis que
surge Eusébio e marca quatro na vitória por
5 a 3.
Tudo terminou em Wembley diante dos ingleses, comandados
em campo por Bobby Charlton. Eusébio mostrava afobação
e o time não conseguiu fazer os gols necessários
para a classificação. Resultado: Inglaterra
2 x 1 Portugal.
O artilheiro: Eusébio
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Eusébio marcou 9 gols no Mundial
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Eusébio Ferreira da Silva não foi só
o artilheiro da Copa de 66 com nove gols. Foi também
o principal responsável pela empolgante campanha
da seleção portuguesa. Com 24 anos, o moçambicano
havia sido descoberto pelo futebol da metrópole em
1961. E graças a um brasileiro. José Carlos
Bauer estava excursionando pela África com a Ferroviária,
naquele ano, quando viu um fantástico jogador moçambicano
em ação. Impressionado, quando passou por
Lisboa ele falou a respeito do goleador com Bela Guttmann,
ex-técnico do São Paulo e naquela época
treinador do Benfica. Guttmann mandou observar Eusébio
que logo depois foi contratado pelo time português.
Naquele período, o atacante chegou a ser comparado
com Pelé e ajudou o Benfica a conquistar dez títulos
portugueses (sete como artilheiro), cinco Copas de Portugal
e uma Copa Européia de Campeões.
O destaque: Bobby Charlton
Bobby Charlton foi a grande estrela da Inglaterra campeã
de 1966. O jogador era realmente um homem de sorte: foi
um dos poucos sobreviventes do acidente aéreo que
vitimou a maioria dos jogadores do Manchester, em 1958,
em Munique. Durante a Copa fez apenas três gols, mas
dois deles na semifinal contra Portugal que levaram o time
à fase seguinte. Conhecido como "Our Kid"
(nosso garoto), Bobby Charton defendeu a camisa inglesa
de 1958 a 1970 e, quando abandonou o futebol em 1973, foi
condecorado pelo Reino Unido com o título de cavaleiro.
O destaque brasileiro
A campanha brasileira em 66 foi tão decepcionante
que é impossível destacar um jogador. Se isso
pode ser considerado um mérito, pode-se dizer que
Jairzinho foi o único brasileiro a entrar em campo
nas três partidas que a seleção conseguiu
disputar naquela Copa.
Outro fato para ser lembrado: a convocação
de Edu com apenas 16 anos. O ponta-esquerda foi o brasileiro
mais novo a vestir a camisa amarelinha em um Mundial. Ao
lado de Zito, ele também foi o único jogador
a não entrar em nenhuma das três partidas.
Entre os 22 brasileiros inscritos na Copa de 66, oito haviam
sido bicampeões mundiais Gilmar, Djalma Santos,
Bellini, Orlando, Altair, Zito, Garrincha e Pelé. Com
exceção do Rei, para todos os outros esta também
seria a última Copa.
Curiosidades
1 A despedida de Pelé e Mané. Contra
a Bulgária, na primeira partida da Copa, foi a última
vez que o Brasil teve o Rei e Garrincha juntos em campo.
E eles conseguiram manter o tabu de nunca perderem disputando
juntos uma partida com a camisa da seleção.
Coincidentemente, a primeira vez em que eles estiveram juntos
foi justamente contra a Bulgária, em 1958, no Pacaembu.
2 Em 1966, a seleção teve pela primeira
vez um símbolo oficial: o desenho de um canário
criado por Ziraldo e Carlos Leonam. Uma evidência
de que o tricampeonato mundial era considerado líquido
e certo foi o lançamento dos cigarros Tri.
3 Depois da vergonhosa derrota para a Coréia
por 1 a 0, os italianos tiveram de mudar o local da chegada
de sua delegação na Itália para evitar
a fúria dos torcedores.
4 Logo após a Copa de 66 foram criados os
cartões amarelo e vermelho. Isso muito se deve ao
jogo entre Inglaterra e Argentina, quando o campo ficou
parecendo uma Torre de Babel. O árbitro alemão,
Rudolf Kreitlein, não teria entendido o que dizia
em espanhol o argentino Rattin e expulsou o jogador. Esperto,
o capitão argentino pediu um intérprete mas
não foi atendido. Aí surgiram os cartões,
com o propósito de facilitar a comunicação.
5 A Fifa determinou que haveria apenas uma vaga para
ser disputada entre os continentes africanos e asiáticos
e a Austrália. As federações africanas
acharam um absurdo e queriam uma vaga apenas para o continente.
Diante da recusa da Fifa, as seleções africanas
desistiram das eliminatórias. Melhor para a Coréia
do Norte, que ficou com a vaga depois de derrotar duas vezes
a Austrália.