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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . COPA DO MUNDO

México - 1970

BRASIL
O Brasil renasce nas Eliminatórias
Acervo/Gazeta Press
Os tricampeões: Carlos Alberto Torres, Brito, Gerson, Piazza, Everaldo, Tostão, Clodoaldo, Rivelino, Pelé, Jairzinho e Félix


Depois de passar quase toda a década de 60 como a maior potência do futebol após o bicampeonato nas Copas de 1958 e 1962, o Brasil, com o fracasso de 1966, teve de amargar a necessidade de passar pelas Eliminatórias para chegar à Copa de 70.

A América do Sul teria três vagas na competição. No primeiro grupo aconteceu a grande surpresa: a favorita Argentina, eliminada pelo Peru, ficou fora do Mundial. No terceiro grupo, o Uruguai ficou com a vaga passando por Equador e Chile.

No segundo grupo, uma vaga deveria ser disputada entre Paraguai, Venezuela, Colômbia e Brasil. Mas no início da fase eliminatória o Brasil já teria voltado a mostrar seu grande futebol, a arte do país bicampeão. Sob o comando do jornalista João Saldanha, ex-técnico do Botafogo, a seleção aplicaria goleadas históricas e passaria pelas eliminatórias com uma campanha arrasadora que já profetizava a campanha que viria na Copa. Durante a competição, os brasileiros marcaram 23 gols e sofreram apenas seis. O grande craque desta fase da seleção foi o cruzeirense Tostão, que chegou a ser ameaçado de ficar de fora da Copa devido a um desvio na retina.

Apesar da classificação, o técnico João Saldanha bateu de frente com as autoridades militares que controlavam o País e foi demitido pouco antes do Mundial do México, deixando o cargo livre para Zagallo. Não se sabe ao certo o que exatamente derrubou Saldanha, mas houve uma série de fatores. O principal é que o presidente Emílio Garrastazu Médici teria pedido sua cabeça devido às suas convicções políticas de esquerda.

Além disso, Saldanha fazia questão de mostrar sua antipatia ao regime e mantinha fora de sua lista o artilheiro da época, o atacante Dario, do Atlético/MG, apontado por Garrastazu Medici como seu favorito. Nada interferia na escalação do polêmico Saldanha. Ele acabou perdendo o cargo para Zagallo, este sim, bem afinado como o regime e com a comissão técnica da Seleção, toda formada por militares.

No último jogo do Brasil pelas Eliminatórias contra o Paraguai mais de 180 mil pessoas compareceram ao Maracanã. Segundo registros oficiais, este é o maior público do estádio.

A caminhada rumo ao tri

Acervo/Gazeta Press
O capitão Carlos Alberto ergue a Taça Jules Rimet
O Brasil iniciou o torneio nervoso e logo aos 11 minutos do primeiro tempo a Tchecoslováquia saiu na frente com um gol de Petras. Parece que o gol serviu para acordar os brasileiros e colocar a seleção na Copa. Treze minutos depois, uma falta cobrada magistralmente pelo corintiano Rivelino deixou tudo igual no placar. No segundo tempo um gol de Pelé e outros dois de Jairzinho acabariam com qualquer reação tcheca e dariam a sensação que nenhum time poderia vencer aquela seleção. O grande nome do jogo tinha sido Gérson, o Canhotinha de Ouro. Mas o jogador deixou o campo contundido e não participaria do jogo seguinte contra a Inglaterra.

Por sinal, esta seria a partida mais difícil para a seleção brasileira. Um osso duro de roer. O único gol da partida só sairia aos 15 minutos do segundo tempo, com uma jogada toda trabalhada por Tostão, que seria completada por Jairzinho, após um passe perfeito de Pelé. No sufoco, o Brasil venceu mais uma.

No terceiro jogo, contra a Romênia, mais um problema: já sem Gérson, o Brasil agora não teria Rivelino. Mesmo jogando fechados, correndo atrás de um empate em 0 a 0, os romenos não conseguiram segurar o ataque brasileiro, que marcou dois gols no primeiro tempo. No início da etapa complementar, o Brasil tomaria um gol e passaria os minutos seguintes sofrendo com os chuveirinhos em sua área. Mas a defesa resistiu e o Brasil venceu por 3 a 2, dois de Pelé e um de Jairzinho. Só restava esperar por Peru ou Bulgária nas quartas.

Deu a zebra Peru, que passou pela Bulgária por 3 a 2. Brasil e Peru fariam um grande duelo sul-americano. A dupla Gérson e Rivelino estava mais uma vez em campo, mas o grande nome do jogo seria o genial Tostão, que marcou dois gols na vitória brasileira por 4 a 2.

Para as semifinais, só campeões: Brasil, Uruguai, Itália e Alemanha. O adversário brasileiro seria o grande rival sul-americano. O jogo foi quase tão duro quanto contra os ingleses. As duas seleções entraram cautelosas e o Uruguai fez forte marcação sobre Gérson e Rivelino, impedindo a criação de jogadas brasileiras. Para piorar a situação, o Uruguai fez 1 a 0: o uruguaio Cubillas chutou torto e pegou de surpresa o goleiro Félix, que saía correndo atrás da bola, enquanto ela entrava vagarosamente em seu gol.

A situação era desesperadora e havia uma nuvem de tragédia no ar. Os uruguaios enrolavam o jogo, na maioria das vezes com faltas, e o ataque brasileiro não conseguia furar a defesa. Diante disso, Zagallo muda, pela primeira vez na Copa, o esquema tático da equipe: recua Gérson. Os defensores uruguaios seguem o Canhotinha, enquanto Clodoaldo ganha mais liberdade e consegue empatar o jogo no final do primeiro tempo. A virada só viria aos 31 minutos do segundo tempo com um gol de Jairzinho. A um minuto do final, Rivelino marcaria o último gol e definiria a partida. Na outra semifinal, Itália e Alemanha empatam no tempo normal. Na prorrogação, o jogo termina 4 x 3 para o italianos.

Na grande final, dois bicampeões: Brasil e Itália podiam conquistar definitivamente a Jules Rimet. Durante 32 anos, os italianos perseguiram o tri, mas o Brasil contava com os reis do futebol e a taça viria para nossas mãos definitivamente.

Fisicamente, os brasileiros já saíam na frente pois os italianos tinham enfrentado uma desgastante semifinal. Logo aos 18 minutos, o Brasil mostrou que mandaria no jogo com um gol de cabeça de Pelé. Aos 37 minutos, Clodoaldo e Félix falham e Bonisegna empata a partida. No segundo tempo, um espetáculo e a conquista do tri: Gérson desempata com uma bomba no canto esquerdo de Albertosi, Jairzinho marca o terceiro aos 25 minutos e o capitão Carlos Alberto Torres daria o tiro de misericórdia a quatro minutos do final. O Brasil não só conquistou a Jules Rimet como também se tornou o primeiro campeão a vencer todos os seus jogos depois da Itália em 1938.

Jogadores brasileiros

Goleiros: Félix (Fluminense), Ado (Corinthians) e Leão (Palmeiras)
Zagueiros: Carlos Alberto Torres (Santos), Zé Maria (Portuguesa), Brito (Flamengo), Baldochi (Palmeiras), Piazza (Cruzeiro), Fontana (Cruzeiro), Joel (Santos), Marco Antônio (Fluminense) e Everaldo (Grêmio)
Meio-de-campo: Clodoaldo (Santos), Rivelino (Corinthians) e Gérson (São Paulo)
Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Dario (Atlético Mineiro), Pelé (Santos), Paulo César (Botafogo), Roberto (Botafogo) e Edu (Santos)

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