CAMPEÃO
Jairzinho, o Furacão da Copa
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| Jairzinho e Pelé contra a Itália: parceria
de gols |
Em 1970, o botafoguense Jairzinho chegava ao México disposto
a esquecer a campanha de 1966. Na edição anterior da Copa
ele havia sido o único jogador brasileiro a entrar em campo
nos três jogos da seleção. Mas isso não tinha sido suficiente
para marcar seu nome no futebol mundial. Era preciso mais.
E a redenção aconteceu em Guadalajara. O atacante superou
Pelé e marcou sete gols na Copa. Ficou atrás apenas do alemão
Gerd Müller, o artilheiro do Mundial, com 10 gols. Tornou-se
o primeiro jogador a marcar pelo menos um gol em todos os
jogos da equipe campeã. Por isso, merecidamente, ganhou
um apelido que passou para a história das maiores odisséias
da Seleção Brasileira: o Furacão da Copa.
Dois dos gols do Furacão saíram logo no jogo de estréia
contra a Tchecoslováquia. O Brasil já vencia por 2 a 1,
gols de Rivelino e Pelé, de virada, após levar um gol do
tcheco Petras no começo do jogo. Verdade restabelecida,
o time começa a dar show para 52 mil torcedores em Guadalajara.
E Jair completa a festa com dois belos gols: 4 a 1.
Na partida seguinte, o duelo com a Inglaterra. Jogo complicado,
adversários valentes, bem organizados em campo. O Brasil
encontra dificuldades para furar o bloqueio inglês. Mas
aos 15 minutos do segundo tempo, o grito de vitória surge
nos pés de Jairzinho. O gol teve o toque genial de Tostão,
que enganou três ingleses e cruzou para Pelé, que limpou
a jogada e meteu para Jairzinho. O Furacão fuzilou o goleiro
Banks.
Diante da Romênia, outro jogo muito difícil. Vencemos por
3 a 2 e Jairzinho deixa sua marca com o segundo gol brasileiro
(Pelé fez dois). Diante do Peru, nas quartas-de-final, a
estrela do artilheiro volta a brilhar, com um belo gol que
fecha a vitória por 4 a 2 em Guadalajara. Desafio não menos
difícil seria encarar a garra dos uruguaios na semifinal,
ainda no estádio Jalisco. Cubilla erra o chute, toca de
canela e consegue enganar Félix: 1 a 0 Uruguai, logo no
começo. Clodoaldo empata a partida. Depois, é a vez de Jair
entrar em ação: ele recebe de Tostão e chuta cruzado, para
virar o jogo em 2 a 1. Rivelino marca o terceiro gol brasileiro
e define o Brasil como finalista da Copa: 3 a 1.
Final no estádio Azteca, com 107 mil torcedores para ver
Brasil e Itália. Jairzinho leva para a decisão a fama de
artilheiro, mas ainda faltava um final feliz para a história
do Furacão da Copa. Pelé faz, de cabeça, 1 a 0. Boninsegna
empata ainda no primeiro tempo. Gérson desempata com um
chute fulminante da meia-esquerda. E o terceiro gol surge
para coroar o artilheiro brasileiro no Mundial: aos 36 minutos,
Gérson lança Pelé pelo alto e, de cabeça, o Rei serve a
Jair, que entra pelo meio e com um leve toque engana o goleiro
Albertosi: 3 a 1. De joelhos, fazendo o sinal da cruz, Jair
agradece aos céus pelos momentos de pura magia que garantiram
o tri. O capitão Carlos Alberto Torres, com passe de Pelé,
encerra o show com o quarto gol.
Jogos do campeão
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Jairzinho marcou dois gols na estréia
contra a Tchecoslováquia
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Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia
Data: 03/06/1970
Local: Guadalajara
Árbitro: Ramon Barreto (Uruguai)
Público: 52 mil
Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo,
Clodoaldo, Gérson (Paulo César), Jairizinho, Tostão, Pelé
e Rivelino
Tchecoslováquia: Viktor, Dobias, Horvath, Migas,
Hagara, Kuna, Krdllika (Kvasnak), Frantisek Vesely (Bohumil
Vesely), Petras, Adamek e Jokl
Gols: Petras, aos 11min; Rivelino, aos 24min; Pelé,
aos 59min; Jairzinho, aos 61min e 81min
Brasil 1 x 0 Inglaterra
Data: 07/06/1970
Local: Guadalajara
Árbitro: Abraham Klien (Israel)
Público: 66 mil
Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo,
Clodoaldo, Jairizinho, Paulo César Lima, Tostão (Roberto),
Pelé e Rivelino
Inglaterra: Banks, Wright, Moore, Labone, Cooper,
Mullery, Bobby Charlton (Astle), Alan Ball, Peters, Hurst
e Lee (Bell)
Gols: Jairiznho, aos 59min
Brasil 3 x 2 Romênia
Data: 10/06/1970
Local: Guadalajara
Árbitro: F. Marshall (Áustria)
Público: 50 mil
Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Fontana, Everaldo
(Marco Antonio), Piazza, Clodoaldo (Edu), Jairizinho, Tostão,
Pelé e Paulo César Lima
Romênia: Adamache (Raducanu), Satmareanu, Lupescu,
Mocanu, Dinu, Dembrowski, Dumitrache (Tataru), Nunweiller,
Neagu, Dumitru e Lucescu
Gols: Pelé, aos 19min; Jairizinho, aos 22min; Dumitrache,
aos 34min; Pelé, aos 67min; Dembrowski, aos 84min
Quartas-de-final
Brasil 4 x 2 Peru
Data: 14/06/1970
Local: Guadalajara
Árbitro: Vital Louraux (Bélgica)
Público: 54 mil
Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Marco
Antonio, Clodoaldo, Gérson (Paulo César), Jairizinho (Roberto),
Tostão, Pelé e Rivelino
Peru: Rubiños, Campos, Chumpitaz, Fuentes, Ramón
Mifflin, Challe, Baylon (Sotil), Perico León, Cubillas,
Fernandez e Gallardo
Gols: Rivelino, aos 11min; Tostão, aos 15min; Gallardo,
aos 28min; Tostão, aos 52min; Cubillas, aos 70min; Jairzinho,
aos 75min
Semifinais
Brasil 3 x 1 Uruguai
Data: 17/06/1970
Local: Guadalajara
Árbitro: Ortiz de Mendibil (Espanha)
Público: 51 mil Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito,
Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairizinho, Tostão,
Pelé e Rivelino
Uruguai: Mazurkiewicz, Ubiñas, Ancheta, Matosas,
Mujica, Montero Castillo, Cortez, Cubilla, Maneor (Esparrago),
Fontes e Moralez
Gols: Cubilla, aos 19min; Clodoaldo, aos 44min; Jairzinho,
aos 76min; Rivelino, aos 89min
Final
Brasil 4 x 1 Itália
Data: 21/06/1970
Local: Cidade do México
Árbitro: Rudolf Gloeckner (Alemanha Oriental)
Público: 107 mil
Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo,
Clodoaldo, Gérson, Jairizinho, Tostão, Pelé e Rivelino
Itália: Albertosi, Burgnich, Cera, Rosato, Fachetti,
Bertini (Juliano), Mazzolla (Rivera), De Sisti, Domenghini,
Boninsegna e Gigi Riva
Gols: Pelé, aos 18min; Boninsegna, aos 37min; Gérson,
aos 65min; Jair, aos 70min; Carlos Alberto, aos 86min