BRASIL
Brasil passeia nas
eliminatórias
| Acervo/Gazeta Press |
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| Zico comemora com Cerezo (a direita) e
Sócrates (ao fundo): futebol-arte |
O Brasil deu muita sorte no sorteio das eliminatórias. Com
um elenco estelar, formado por Zico, Falcão, Sócrates e
Júnior, os brasileiros tinham pela frente a fraca Venezuela
e o time da cordilheira, Bolívia. Tarefa fácil para o Brasil
na teoria, mas complicada na prática. O time sofreu para
ganhar dos venezuelanos por apenas 1 a 0, em Caracas, e
para bater a Bolívia, por 2 a 1.
Em território brasileiro, a situação não foi muito diferente.
No primeiro compromisso, o time canarinho penou para bater
a Bolívia por 3 a 1, mas estraçalhou a Venezuela por 5 a
0. Com quatro vitórias em quatro jogos, o Brasil confirmou
sua participação pela 12ª vez seguida em uma Copa do Mundo.
Confira os jogos das eliminatórias da América do Sul.
Venezuela 0 x 1 Brasil
Bolívia 1 x 2 Brasil
Venezuela 1 x 0 Bolívia
Brasil 3 x 1 Bolívia
Brasil 5 x 0 Venezuela
Bolívia 3 x 0 Venezuela
Do show ao desastre do Sarriá
Foi um espetáculo à parte para quem soube apreciar o show
da seleção brasileira na Copa do Mundo de 82. Com jogadores
extremamente técnicos e habilidosos, a equipe canarinha
causou furor pelo futebol ofensivo e criativo, em que Zico
era seu principal comandante. Entretanto, tudo caiu em apenas
um jogo. A desgraça de 5 de julho, no maldito estádio de
Sarriá, implodido em 97, jamais sairá da memória do torcedor
brasileiro. Desgraça menor apenas que a sofrida na Copa
de 50.
O começo foi pouco animador, mas sem grandes sustos. Nas
eliminatórias, o Brasil despachou as fracas Bolívia e Venezuela.
Na Copa do Mundo, a história mudou completamente. Já na
partida de estréia, a refinada técnica do ponteiro Éder
Aleixo brilhou. Depois de uma falha gritante do goleiro
Waldir Peres no gol de Bal e do gol de empate do doutor
Sócrates, o Brasil virou o jogo com um chutaço de fora da
área de Éder, que o goleiro Dassaev nem viu por onde passou.
Um golaço que marcou a primeira vitória do Brasil na competição.
No segundo compromisso foi a vez dos escoceses entrarem
na roda. E como entraram. Foram quatro gols e novamente
uma vitória de virada. Com gols de Zico, Oscar, Éder e Falcão,
a máquina de Telê Santana começou a encantar a Espanha.
Jogando um futebol de primeira, o Brasil emplacou outra
vitória na sua despedida da fase classificatória.
A Nova Zelândia nem viu a cor da bola e levou um vareio.
O time canarinho goleou por 4 a 0, com dois gols de Zico,
um de Falcão e outro do centroavante Serginho Chulapa. Com
isso, a empolgação tomou conta e o Brasil despontava como
grande favorito, ao lado da França de Platini.
Na segunda fase, a Argentina seria nossa primeira rival.
Zico abriu o placar já no primeiro tempo. Serginho e Júnior
ampliaram, e o meia Ramón Diaz descontou. O Brasil deu olé
nos seus rivais que terminaram a partida com dez jogadores,
por causa da expulsão do então novato Diego Maradona.
Aí, veio a desgraça. Precisando de um mero empate, o Brasil
deixou escapar a classificação e o possível título das mãos.
A derrota por 3 a 2 diante dos italianos matou a era de
Zico e selou a desclassificação brasileira. O jogo foi memorável
com o Brasil chegando a ficar na frente do placar, mas esbarrando
no carrasco Paolo Rossi. Teve de tudo. Um passe errado de
Toninho Cerezo resultou no segundo gol dos italianos, Zico
teve sua camisa rasgada pelo zagueiro Gentile, Falcão lutou
e Zoff fechou o gol. A eliminação chocou o País e passou
a ser conhecida como o "desastre do Sarriá". Meninos choraram
inconsoláveis, em imagens que vão ficar para sempre registrada
na memória.
Jogos do Brasil
Primeira fase
Brasil 2 x 1 URSS
Data: 14/06/1982
Local: Estádio Sanchez Pizjuan (Sevilla)
Público: 68.000
Árbitro: Lamo Castillo (Espanha)
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior,
Falcão, Dirceu (Paulo Isidoro), Sócrates, Zico, Serginho
e Éder. Téc: Telê Santana
URSS: Dassaev; Soulakvelidze, Baltacha, Chivadze, Demilanenko,
Darassella, Gavrilov (Sousloparov), Bessonov, Bal, Chengella
e Blokhin. Téc: Konstantin Beskov.
Gols: Bal, aos 33’ do primeiro tempo; Sócrates, aos
30’, e Éder, aos 43’ do segundo tempo.
Escócia 1 x 4 Brasil
Data: 18/06/1982
Local: Estádio Sanchez Pizjuan (Sevilla)
Público: 47.379
Árbitro: Luís Calderón (Costa Rica)
Escócia: Rough; Narey, Hansen, Miller, Gray, Souness,
Hartford, Strachan (Dalgish), Wark, Archibald e Robertson.
Téc: Jock Stein.
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior,
Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho (Paulo Isidoro)
e Éder. Téc: Telê Santana
Gols: Narey, aos 18’, Zico, aos 33’ do primeiro tempo;
Oscar, aos 3’, Éder, aos 19’, e Falcão, aos 41’ do segundo
tempo.
Brasil 4 x 0 Nova Zelândia
Data: 23/06/82
Local: Estádio Sanchez Pizjuan (Sevilla)
Público: 43.000
Árbitro: Damar Matovinovic (Iugoslávia)
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar (Edinho), Luizinho,
Júnior, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho (Paulo
Isidoro) e Éder. Téc: Telê Santana
Nova Zelândia: Van Hattum; Dods, Herbert, Almond, Elrick,
McKay, Boath, Summer, Cresswell (Cole), Wooddin e Rufer.
Téc: John Adshead.
Gols: Zico, aos 29’ e aos 31’ do primeiro tempo; Falcão,
aos 19’, e Serginho, aos 25’ do segundo tempo.
Segunda fase
Brasil 3 x 1 Argentina
Data: 23/06/82
Local: Estádio Sarriá (Barcelona)
Público: 44.000
Árbitro: Mario Rúbio Vásquez (México)
Brasil: Waldir Peres; Leandro (Edevaldo), Oscar,
Luizinho, Júnior, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico (Batista),
Serginho e Éder. Téc: Telê Santana
Argentina: Fillol; Olguin, Galván, Passarella, Tarantini,
Barbas, Kempes (Ramón Díaz), Ardiles, Calderón, Bertoni
(Santamaria) e Maradona. Téc: César Luís Menotti
Gols: Zico, aos 12’ do primeiro tempo; Serginho,
aos 22’, Júnior, aos 27’, e Ramón Díaz, aos 43’ do segundo
tempo.
Itália 3 x 2 Brasil
Data: 05/07/1982
Local: Estádio Sarriá (Barcelona)
Público: 44.000
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini, Antognoni,
Oriali (Marini), Tardelli, Graziani, Rossi (Altobelli) e
Conti. Téc: Enzo Bearzot
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior,
Falcão, Sócrates, Zico, Cerezo, Serginho (Paulo Isidoro)
e Éder. Téc: Telê Santana
Gols: Rossi, aos 5’ e aos 25’, e Sócrates, aos 12’ do
primeiro tempo; Falcão, aos 23’, Rossi, aos 29’ do segundo
tempo.
O elenco brasileiro
Goleiros: Waldir Peres (São Paulo), Paulo Sérgio
(Botafogo) e Carlos (Ponte Preta)
Zagueiros: Leandro (Flamengo), Edevaldo (Inter), Oscar
(São Paulo), Luizinho (Atlético-MG), Edinho (Udinese), Juninho
(Ponte Preta), Júnior (Flamengo) e Pedrinho (Vasco)
Meio-campo: Cerezo (Atlético-MG), Falcão (Roma), Sócrates
(Corinthians), Zico (Flamengo), Batista (Grêmio) e Renato
(São Paulo)
Ataque: Serginho (São Paulo), Éder (Atlético-MG), Paulo
Isidoro (Cruzeiro), Dirceu (sem clube) e Roberto Dinamite
(Vasco)
Técnico: Telê Santana