CAMPEÃO
Italianos arrancam
na reta final
| Acervo/Gazeta Press |
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| Itália vence a Argentina e dá
o primeiro passo rumo ao título |
Como se fosse num páreo de turfe, o cavalinho italiano começou
muito desacreditado na Copa do Mundo. Mesmo com a boa campanha
nas eliminatórias, quando teve cinco vitórias, dois empates
e uma derrota, o time italiano chegou como azarão. Precisando
se recuperar do escândalo de 80, quando diversos jogadores
e dirigentes tiveram seus nomes envolvidos na fraude da
loteria esportiva, a Itália sabia que não tinha condições
de disputar o título.
Com o desentrosado Paolo Rossi no ataque, a situação piorava
ainda mais. Sem jogar há dois anos, Rossi chegou à Espanha
apenas como um jogador queridinho do técnico, mas se recuperou
de forma espetacular. O atacante cresceu junto com a equipe,
no momento em que a Itália mais precisava.
A Azzura teve um começo desanimador para seus torcedores.
A equipe não conseguiu passar de um empate com Polônia,
Peru e Camarões. A sorte dos europeus é que Camarões, que
também havia empatado os três jogos, marcou um gol a menos
e terminou fora. Com isso, mesmo debaixo de muitas críticas
pelo medíocre futebol apresentado na primeira fase, o time
passou para a segunda fase, na qual enfrentaria Argentina,
atual campeã, e Brasil, a melhor equipe da competição até
aquele momento.
Certeza de eliminação. Era tudo que passava na cabeça
do mais fanático torcedor italiano. Foi aí que brilhou a
estrela do matador Paolo Rossi. O artilheiro resolveu jogar
bola e levou a Itália praticamente nas costas. No primeiro
jogo, um surpreendente 2 a 1 sobre a Argentina. Rossi não
marcou, mas deu os passes para Tardelli e Cabrini, que selaram
a vitória.
No segundo jogo, a Azzura precisava derrotar o Brasil para
se classificar. Como todos sabem, o carrasco Rossi marcou
três e mandou o Brasil de Telê de volta para casa. Na semifinal,
a equipe mostrou estar realmente embalada e devorou os poloneses,
com outra exibição de gala. Jogando muito e empolgando a
torcida, os italianos passaram fácil pela Alemanha, na final,
por 3 a 1. O título ia pela terceira vez à Bota, que empatou
com o Brasil em número de conquistas na Copa do Mundo.
A Itália consagrava ainda uma bos safra de jogadores,
todos ídolos em seus clubes, como o fantástico goleiro Zoff,
o zagueiro Gentile e a dupla matadora Conti e Rossi, ao
lado de raçudos como o meia Orialli e o zagueiro Scirea.
Uma turma muito bem comandada pelo técnico Enzo Bearzot.
Jogos do campeão
Primeira Fase
Itália 0 x 0 Polônia
Data: 14/06/1982
Local: Estádio Balaídos (Vigo)
Público: 33.000
Árbitro: Michel Vautrot (França)
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini,
Antognoni, Marini, Tardelli, Graziani, Rossi e Conti. Téc:
Enzo Bearzot
Polônia: Mlynarczyk; Majewski, Janas, Zmuda, Jalocha,
Matysik, Lato, Buncol, Boniek, Iwan (Kusto) e Snolarek.
Téc: Antoni Piechniczek
Peru 1 x 1 Itália
Data: 18/06/1982
Local: Estádio Balaídos (Vigo)
Público: 25.000
Árbitro: Walter Eschweiller (Alemanha Ocidental)
Peru: Quiroga; Duarte, Salguero, Díaz, Oleachea,
Velásquez, Cubillas, Cueto, Barbadillo (Laguia), Uribe (La
Rosa) e Obitas. Téc: Tim
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini,
Antognoni, Marini, Tardelli, Graziani, Rossi (Causio) e
Conti. Téc: Enzo Bearzot
Gols: Conti, aos 19’ do primeiro tempo; Collovati
(contra), aos 39’ do segundo tempo.
Itália 1 x 1 Camarões
Data: 23/06/1982
Local: Estádio Balaídos (Vigo)
Público: 20.000
Árbitro: Bogdan Dotchev (Bulgária)
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini,
Antognoni, Oriali, Tardelli, Graziani, Rossi e Conti. Téc:
Enzo Bearzot
Camarões: N’Kono; Kaham, N’Djeya, Onana, M’Born,
Kunde, Aoudou, M’Bida, Abega, Tokoto e Milla. Téc: Jean
Vicent
Gols: Graziani, aos 15’ e M’Bila, aos 16’do segundo
tempo.
Segunda fase
Argentina 1 x 2 Itália
Data: 29/06/1982
Local: Estádio Sarriá (Barcelona)
Público: 43.000
Árbitro: Nicolae Rainea (Romênia)
Argentina: Fillol; Olguin, Galván, Passarella, Tarantini,
Gallego, Diaz (Valencia), Ardiles, Kempes (Calderón), Bertoni
e Maradona. Téc: César Luís Menotti
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini,
Antognoni, Oriali (Marini), Tardelli, Graziani, Rossi (Altobelli)
e Conti. Téc: Enzo Bearzot
Gols: Tardelli, aos 12’, Cabrini, aos 22’, e Passarella,
aos 38’ do segundo tempo.
Itália 3 x 2 Brasil
Data: 05/07/1982
Local: Estádio Sarriá (Barcelona)
Público: 44.000
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini,
Antognoni, Oriali (Marini), Tardelli, Graziani, Rossi (Altobelli)
e Conti. Téc: Enzo Bearzot
Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior,
Falcão, Sócrates, Zico, Cerezo, Serginho (Paulo Isidoro)
e Éder. Téc: Telê Santana
Gols: Rossi, aos 5’ e aos 25’, e Sócrates, aos 12’
do primeiro tempo; Falcão, aos 23’, Rossi, aos 29’ do segundo
tempo.
Semifinais
Itália 2 x 0 Polônia
Data: 08/07/1982
Local: Estádio Nou Camp (Barcelona)
Público: 50.000
Árbitro: Juan Cardellino (Uruguai)
Itália: Zoff; Bergomi, Collovati, Scirea, Cabrini,
Antognoni (Marini), Oriali, Tardelli, Graziani (Altobelli),
Rossi e Conti. Téc: Enzo Bearzot
Polônia: Mlynarczyk; Dziuba, Majewski, Janas, Zmuda,
Matysik, Lato, Buncol, Ciolek (Palasz), Kupecewicz e Smolarek
(Kusto). Téc: Antoni Piechniczek
Gols: Rossi, aos 22’ do primeiro tempo; Rossi, aos
28’ do segundo tempo.
Final
Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental
Data: 11/07/1982
Local: Estádio Santiago Bernabéu (Madri)
Público: 90.000
Árbitro: Arnaldo César Coelho (Brasil)
Itália: Zoff; Gentile, Collovati, Scirea, Cabrini,
Bergomi, Oriali, Tardelli, Graziani (Altobelli, e depois Causio),
Rossi e Conti. Téc: Enzo Bearzot
Alemanha: Schumacher; Kaltz, Stielike, Karl-Heinz Forster,
Bernd Foster, Dremmler (Hrubesch), Briegel, Breitner, Littbarski,
Fischer e Rummenigge (Hansi Müller). Téc: Jupp Derwall
Gols: Rossi, aos 11’, Tardelli, aos 24’, Altobelli,
aos 35’, e Breitner, aos 37’ do segundo tempo.