BRASIL
Lazaroni trava a Seleção
A participação do Brasil na Copa de 1990 foi marcada por
muita confusão. A começar pelo esquema tático da equipe,
com a utilização do líbero no futebol brasileiro. Pobre
Mauro Galvão, que só conseguiu resgatar a sua imagem depois
de muitos anos jogando um bom futebol – como quarto-zagueiro.
O grupo também estava desunido, com vários grupos divergentes.
A verborragia do técnico Sebastião Lazaroni não conseguia
ser assimilada pelos boleiros, que estavam mais preocupados
em lutar por um aumento dos bichos. Além disso, a CBF permitiu
que os jogadores levassem seus familiares ao Mundial, o
que reduziu a possibilidade de concentração.
Com esse quadro, a seleção fez sua campanha mais medíocre
desde 1966. Na primeira fase, três vitórias apertadas e
com muito sofrimento (2 x 1 Suécia, 1 x 0 Costa Rica e 1
x 0 Escócia) garantiram a primeira colocação do grupo.
| Acervo/Gazeta Press |
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| Caniggia deixa Taffarel para trás,
marca o gol argentino e manda o Brasil para casa |
Mas a tragédia já estava anunciada e chegou logo nas oitavas-de-final.
Na partida contra a Argentina, a seleção brasileira mostrou
um futebol um pouco mais aplicado. Mesmo assim, continuou
tropeçando nas próprias pernas, com a defesa confusa, o
meio-de-campo inerte e o ataque inexistente. O gol de Caniggia
selou o fim da "Era Dunga", marcada pelo futebol de pegada
e sem criatividade.
O Brasil nas Eliminatórias
As eliminatórias para a Copa da Itália registraram uma
das cenas mais deprimentes da história do futebol. No dia
3 de setembro de 1989, um Maracanã lotado assistia perplexo
à encenação do goleiro chileno Rojas, numa tentativa desesperada
de classificar a sua equipe para o Mundial. Fingindo ter
sido acertado por um rojão atirado pela torcida, Rojas provocou
um corte em seu supercílio e ocasionou a saída do Chile
de campo, quando o placar anotava 1 a 0 para o Brasil. Entretanto,
fotos comprovaram a armação e o Chile foi punido, sendo
suspenso por oito anos de competições internacionais. Rojas
foi banido para sempre do Mundial.
Brasil e Chile faziam parte, junto com a Venezuela, do
grupo 3 das eliminatórias sul-americanas. Desde o começo,
sabia-se que a disputa ficaria mesmo entre brasileiros e
chilenos. O Brasil goleou a Venezuela por duas vezes e conseguiu
um empate heróico com o Chile, em Santiago, numa verdadeira
guerra. Na partida final o Brasil precisava apenas de um
empate, mas saiu na frente no comecinho do segundo tempo.
Foi então que Rojas aproveitou o rojão atirado em campo
para realizar a sua farsa.
Nos outros grupos sul-americanos, nenhuma surpresa: Uruguai
e Argentina conseguiram suas vagas sem dificuldades. Na
Europa, a decepção foi desclassificação da Dinamarca, sensação
da Copa de 86, que perdeu a vaga para a Romênia no grupo
1. Quem também se deu mal foi a França (terceira colocada
da Copa da Espanha), eliminada por Iugoslávia e Escócia.
Jogos do Brasil
Primeira Fase
Grupo C
Brasil 2 x 1 Suécia
Data: 10 de junho de 1990
Local: Estádio Delle Alpi (Turim)
Público: 62.628 espectadorores
Árbitro: Tullio Lanese (Itália)
Brasil: Taffarel; Jorginho, Mozer, Mauro Galvão,
Ricardo Gomes e Branco; Valdo (Silas), Dunga e Alemão; Müller
e Careca.
Suécia: Ravelli; Roland Nilsson, Ljung (Stromberg),
Schwarz e Larsson; Ingesson, Thern, Limpar e Joakin Nilsson;
Magnusson (Pettersson) e Brolin.
Gols: Careca, aos 40’ do 1º tempo e aos 18’ do 2º
tempo e Brolin, aos 34’ do 2º tempo
Brasil 1 x 0 Costa Rica
Data: 16 de junho de 1990
Local: Estádio Delle Alpi (Turim)
Público: 58.007 espectadorores
Árbitro: Naji Jouini (Tunísia)
Brasil: Taffarel; Jorginho, Mozer, Mauro Galvão,
Ricardo Gomes e Branco; Valdo (Silas), Dunga e Alemão; Müller
e Careca (Bebeto).
Costa Rica: Conejo; Chavarria, Montero, Flores, Marchena
e Gonzalez; Gomes, Chavez e Ramirez; Cayasso (Guimarães)
e Jara (Meyeres).
Gol: Müller, aos 33’ do 1º tempo
Brasil 1 x 0 Escócia
Data: 20 de junho de 1990
Local: Estádio Delle Alpi (Turim)
Público: 62.502 espectadorores
Árbitro: Helmuth Kohl (Áustria)
Brasil: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha, Mauro
Galvão, Ricardo Gomes e Branco; Valdo, Dunga e Alemão; Romário
(Müller) e Careca.
Escócia: Leighton; McLeish, McLeod (Gillespie), McKimmie,
McPherson e Malpas; McStay, Aitken e McCoist (Fleck); McCall
e Johnston.
Gol: Müller, aos 36’ do 2º tempo
Oitavas-de-final
Brasil 0 x 1 Argentina
Data: 24 de junho de 1990
Local: Estádio Delle Alpi (Turim)
Público: 61.381 espectadorores
Árbitro: Joel Quiniou (França)
Brasil: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha, Mauro
Galvão (Renato Gaúcho), Ricardo Gomes e Branco; Valdo, Dunga
e Alemão (Silas); Müller e Careca.
Argentina: Goycoechea; Simon, Monzon, Troglio (Calderon)
e Olarticoechea; Burruchaga, Basualdo, Ruggeri e Giusti;
Maradona e Caniggia.
Gol: Caniggia, aos 35’ do 2º tempo
O elenco brasileiro
Goleiros: Taffarel (Internacional), Acácio (Vasco da
Gama) e Zé Carlos (Flamengo)
Zagueiros: Jorginho (Bayer Leverkusen/Ale), Mozer (Olympique/Fra),
Ricardo Rocha (São Paulo), Mauro Galvão (Botafogo), Dunga
(Fiorentina/Ita), Ricardo Gomes (Benfica/Por), Aldair (Benfica/Por)
e Branco (Porto/Por)
Meio-de-campo: Mazinho (Vasco da Gama), Valdo (Benfica/Por),
Silas (Sporting/Por), Tita (Vasco da Gama), Bismarck (Vasco
da Gama) e Alemão (Napoli/Ita)
Ataque: Romário (PSV/Hol), Renato Gaúcho (Flamengo),
Müller (Torino/Ita), Careca (Napoli/Ita) e Bebeto (Vasco da
Gama)