Voltar para a home Sábado, 10 de Janeiro de 2009 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
Untitled Document
  História
  O Brasil na copa
  Campeão
  Destaques
  Números
  << Outras Copas

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . COPA DO MUNDO

França - 1998

BRASIL
Brasil tropeça na hora do penta

Wander Roberto/Acervo/Gazeta Press
Zidane vence a defesa brasileira: dois gols decisivos na final


"Vocês vão ter que me engolir!" Era assim que a nação brasileira foi obrigada a encarar a seleção de Zagallo na Copa da França. Pela sexta vez em sua história, a seleção brasileira – único país a garantir sua presença em todas as copas – não precisou passar pelas eliminatórias, por ter sido o campeão da última edição.

Um time repleto de estrelas, que ainda contava com a coordenação técnica de Zico. Apesar da teimosia e das excentricidades do Velho Lobo, o penta parecia uma questão de detalhes.

Mas, logo às vésperas do torneio, uma bomba em Ozoir la Ferriere: Romário, herói da campanha do tetra e uma das esperanças para o título, foi cortado da equipe por contusão. A comissão técnica supos que ele não se recuperaria a tempo, mas pouco depois de voltar ao Brasil já estava defendendo o Flamengo. Romário chiou e com justa razão.

10 de junho. Brasil e Escócia fazem o jogo de abertura da competição. E a seleção começa bem. Logo aos quatro minutos, após cobrança de escanteio, César Sampaio faz 1 a 0. Por uma ironia do destino, o mesmo César Sampaio é o responsável pelo empate escocês, ao derrubar o adversário dentro da área. Cafu desempata o jogo e Giovanni, que começa como titular, se queima com o treinador.

Na segunda partida, contra a seleção de Marrocos, Ronaldinho e Rivaldo deram um show de bola. Coisa que não aconteceu diante da Noruega, terceiro adversário na primeira fase. Vitória dos grandalhões da Escandinávia, graças a um pênalti duvidoso e a má atuação da equipe, que só conseguiu chegar ao gol ao final do segundo tempo. Apesar da derrota, a seleção permaneceu com o primeiro lugar do grupo.

Daquele jogo em diante, só a vitória interessava. A equipe partiu para cima do Chile como se quisesse esquecer de vez a derrota para a Noruega. Ganhamos fácil, e mais uma vez, o iluminado César Sampaio coloca a bola nas redes. Mas a moleza ficou por aí. Diante da Dinamarca, a história foi outra: começamos perdendo, chegamos a virar o jogo e, mais uma vez, o empate e o fantasma dos pênaltis. Não fosse, é claro, o talento de Rivaldo para fazer 3 a 2 e eliminar os irmãos Laudrup e seus amigos.

O Brasil já estava entre os quatro melhores do mundo, e para ganhar a vaga na grande final, bastava vencer a Holanda. Tarefa difícil. A seleção não poderia contar com Cafu, que tomou o segundo cartão amarelo, e a Laranja Mecânica, velho trauma do lobo Zagallo, vinha de uma vitória diante da sempre forte Argentina e contava com Kluivert, Bergkamp, os irmãos De Boer e Davids. Eram até ali as duas equipes mais técnicas do Mundial, que fariam uma verdadeira final antecipada.

Acervo/Gazeta Press
Taffarel agradece por ter conseguido defender o pênalti cobrado por Cocu

O primeiro tempo da partida terminou sem gols, graças a uma forte marcação imposta por ambos os times, principalmente pela Holanda. O meia Zenden se aproveitou da fragilidade do lateral Zé Carlos, que substituía Cafu, e foi um dos destaques da partida. Mas o Brasil ainda contava com Ronaldinho, que logo aos primeiros segundos da etapa final fez o seu gol, para alívio dos brasileiros. Mas a equipe não conseguiu ampliar a vantagem e, percebendo o desespero dos brasileiros, a Holanda começou a reagir. O resultado foi o gol de empate, aos 41 minutos, numa cabeçada de Kluivert.

Veio a temida prorrogação com morte súbita. A tensão diante da possibilidade de um erro se misturava aos contra-ataques rápidos de Ronaldinho, lembrando os tempos de Cruzeiro. Os holandeses não quiseram arriscar, e a decisão acabou indo para a loteria dos pênaltis.

Ronaldinho, Frank De Boer, Rivaldo, Bergkamp e Émerson, nesta ordem, converteram suas penalidades. Quando chegou a vez de Cocu bater, brilhou a estrela de Taffarel, herói da seleção na Olimpíada de Seul, em 88, e na final da Copa de 94. Dunga fez o quarto gol do Brasil e, no chute de Ronald De Boer, Taffarel sepultou de vez as críticas de seus algozes, defendeu mais uma.

Festa para o Brasil, finalista de uma Copa do Mundo pela sexta vez. Festa para Zagallo, que poderia ser o único pentacampeão mundial da história. Festa para os jogadores, que extasiados diante da eliminação holandesa, já estavam com uma das mãos na taça. Festa para mais de cento e cinqüenta milhões de pessoas, que terminaram de pintar as ruas, enfeitar os postes e os parapeitos das janelas de verde e amarelo, comprar a camisa da seleção e encomendar a carne para o churrasco do dia 12 de julho. Nada poderia dar errado.

O resto, você já sabe. Deu tudo errado, e o Brasil terminou a competição com o vice-campeonato, o mesmo resultado obtido em 1950.

Jogos do Brasil

• Primeira fase
Brasil 2 x 1 Escócia
Data:
10/06/98
Local: Stade de France (Saint-Denis)
Árbitro: José Maria Garcia–Aranda (Espanha)
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Giovanni (Leonardo) e Rivaldo; Bebeto (Denílson) e Ronaldinho. Técnico: Zagallo.
Escócia: Leighton; Boyd, Hendry e Calderwood; Dailly (McKinley), Jackson, Burley, Lambert, Collins e Donnelly; Durie e Gallagher. Técnico: Craig Brown
Gols: César Sampaio, aos 4, e Collins aos 37 minutos do primeiro tempo; Boyd (contra) aos 25 do segundo.
Cartões amarelos: Jackson, César Sampaio e Aldair

Brasil 3 x 0 Marrocos
Data:
16/06/98
Local: Estádio Beaujoire, Nantes
Árbitro: Nikolai Levnikov (Rússia)
Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair, Junior Baiano, Roberto Carlos e César Sampaio (Doriva); Dunga, Leonardo, Rivaldo (Denílson), Ronaldo e Bebeto (Edmundo). Técnico: Zagallo.
Marrocos: Driss Benzekri, Abdelilah Saber (Abrami), Noureddine Naybet, Youssef Rossi, Abdelkrim El Hadrioui, Tahare El Khalej, Moustafa Hadji, Youssef Chippo, Said Chiba (Amzine), Salaheddine Bassir e Abdeljilil Hadda (El Khatabi). Técnico: Henry Michel.
Gols: Ronaldo aos nove e Rivaldo aos 47 minutos do primeiro tempo e Bebeto, aos três do segundo.
Cartões amarelos: Hadda, César Sampaio, Chiba e Júnior Baiano

Brasil 1 x 2 Noruega
Data:
23/06/98
Local: Estádio Velodrome, Marselha
Árbitro: Esfandiar Baharmast (EUA)
Brasil: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Goncalves, Roberto Carlos, Dunga, Leonardo, Rivaldo, Denílson, Ronaldo, Bebeto.
Noruega: Grodas, Berg, Eggen, Johnsen, Bjornebye; Havard Flo (Solskjaer), Leonhardsen, Rekdal, Strand (Mykland), Riseth, Tore Andre Flo.
Gols: Bebeto, aos 32 do segundo tempo, Tore Andre Flo, aos 37, e Rekdal, de pênalti, aos 43.
Cartões Amarelos: Leonhardsen e Hykland.

• Oitavas–de–final
Brasil 4 x 1 Chile

Data: 27/06/98
Local: Parque dos Príncipes, Paris.
Árbitro: Marc Batta (França).
Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair (Gonçalves), Junior Baiano e Roberto Carlos; Cesar Sampaio, Leonardo, Dunga e Rivaldo; Ronaldo e Bebeto (Denílson). Técnico: Zagallo.
Chile: Tapia; Margas, Fuentes e Reyes; Cornejo, Acuña (Musrri), Miguel Ramírez (Estay), Sierra (Vega) e Aros; Salas e Zamorano. Técnico: Nelson Acosta.
Gols: César Sampaio, aos 11 e aos 27 minutos do primeiro tempo, e Ronaldinho aos 47 do primeiro e 25 do segundo; Salas aos 23 do segundo.
Cartões amarelos: Fuentes, Tapia, Leonardo e Cafu

• Quartas–de–final
Brasil 3 x 2 Dinamarca

Data: 03/07/98
Local: Estádio Beaujoire, Nantes
Árbitro: Gamal Ghandour (Egito)
Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair, Junior Baiano e Roberto Carlos; Cesar Sampaio, Dunga, Leonardo (Émerson) e Rivaldo (Zé Roberto); Ronaldo e Bebeto (Denilson).
Dinamarca: Peter Schmeichel; Marc Rieper, Jes Hogh, Jan Heintze e Soren Colding; Martin Jorgensen, Thomas Helveg (Schjonberg) e Allan Nielsen (Tofting); Michael Laudrup, Brian Laudrup e Peter Moller (Sand).
Gols: Jorgensen, no primeiro minuto de jogo, Bebeto, aos 9 minutos do primeiro tempo e Rivaldo, aos 25 do primeiro tempo. Brian Laudrup, aos 5 do segundo tempo, e Rivaldo, aos 15 do segundo tempo.
Cartões Amarelos: Roberto Carlos, Helveg, Aldair, Colding, Tofting, Cafu.

• Semifinal
Brasil 1 (4) x 1 (2) Holanda
Data:
07/07/98
Local: Estádio Velodrome, Marselha
Árbitro: Ali Mohamed Bujsaim (Emirados Árabes)
Brasil: Taffarel; Zé Carlos, Aldair, Junior Baiano e Roberto Carlos; Cesar Sampaio, Dunga, Leonardo (Émerson) e Rivaldo; Ronaldo e Bebeto (Denílson). Técnico: Zagallo.
Holanda: Edwin van der Sar; Michael Reiziger (Winter), Jaap Stam, Frank de Boer e Phillip Cocu; Ronald de Boer, Wim Jonk (Seedorf), Edgar Davids e Boudewijn Zenden (Van Hooijdonk); Dennis Bergkamp e Patrick Kluivert. Técnico: Guus Hiddink.
Gols: Ronaldinho aos 40 segundos e Kluivert aos 42 minutos do segundo tempo.
Nos pênaltis: Ronaldinho, Rivaldo, Emerson e Dunga; Frank de Boer e Bergkamp.
Cartões amarelos: Zé Carlos e César Sampaio; Reiziger, Davids, Seedorf e Van Hooijdonk.

• Final
França 3 x 0 Brasil
Data:
12/07/98
Local: Stade de France, Saint–Dennis.
Árbitro: Said Belqola (Marrocos)
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio (Edmundo), Rivaldo e Leonardo (Denílson); Bebeto e Ronaldo. Técnico: Zagallo.
França: Fabien Barthez; Lilian Thuram, Marcel Desailly, Franck Leboeuf e Bixente Lizarazu; Christian Karembeu (Boghossian), Didier Deschamps, Zinedine Zidane, Emmanuel Petit e Youri Djorkaeff (Vieira); Stephane Guivarc'h (Dugarry). Técnico: Aimé Jacquet.
Gols: Zidane aos 27 e aos 47 minutos do primeiro tempo e Petit aos 47 do segundo.
Cartões amarelos: Deschamps, Desailly, Karenbeu, Júnior Baiano Cartão vermelho: Desailly.

Jogadores do Brasil

Goleiros: Taffarel (Atlético–MG), Carlos Germano (Vasco da Gama), Dida (Cruzeiro)
Laterais: Cafu (Roma), Zé Carlos (São Paulo), Roberto Carlos (Real Madrid) e Zé Roberto (Flamengo).
Zagueiros: Aldair (Roma), Júnior Baiano (Flamengo), Gonçalves (Botafogo), André Cruz (Milan).
Meio–de-campo: César Sampaio (Yokohama Flugels), Giovanni (Barcelona), Dunga (Jubilo Iwata), Emerson (Bayer Leverkussen), Doriva (Porto), Rivaldo (Barcelona) e Leonardo (Milan).
Atacantes: Ronaldinho (Inter de Milão), Denílson (São Paulo), Bebeto (Botafogo) e Edmundo (Fiorentina). Técnico: Mário Jorge Lobo Zagallo.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página