BRASIL
Brasil tropeça na
hora do penta
| Wander Roberto/Acervo/Gazeta Press |
 |
| Zidane vence a defesa brasileira: dois
gols decisivos na final |
"Vocês vão ter que me engolir!" Era assim que a nação brasileira
foi obrigada a encarar a seleção de Zagallo na Copa da França.
Pela sexta vez em sua história, a seleção brasileira – único
país a garantir sua presença em todas as copas – não precisou
passar pelas eliminatórias, por ter sido o campeão da última
edição.
Um time repleto de estrelas, que ainda contava com a coordenação
técnica de Zico. Apesar da teimosia e das excentricidades
do Velho Lobo, o penta parecia uma questão de detalhes.
Mas, logo às vésperas do torneio, uma bomba em Ozoir la
Ferriere: Romário, herói da campanha do tetra e uma das
esperanças para o título, foi cortado da equipe por contusão.
A comissão técnica supos que ele não se recuperaria a tempo,
mas pouco depois de voltar ao Brasil já estava defendendo
o Flamengo. Romário chiou e com justa razão.
10 de junho. Brasil e Escócia fazem o jogo de abertura
da competição. E a seleção começa bem. Logo aos quatro minutos,
após cobrança de escanteio, César Sampaio faz 1 a 0. Por
uma ironia do destino, o mesmo César Sampaio é o responsável
pelo empate escocês, ao derrubar o adversário dentro da
área. Cafu desempata o jogo e Giovanni, que começa como
titular, se queima com o treinador.
Na segunda partida, contra a seleção de Marrocos, Ronaldinho
e Rivaldo deram um show de bola. Coisa que não aconteceu
diante da Noruega, terceiro adversário na primeira fase.
Vitória dos grandalhões da Escandinávia, graças a um pênalti
duvidoso e a má atuação da equipe, que só conseguiu chegar
ao gol ao final do segundo tempo. Apesar da derrota, a seleção
permaneceu com o primeiro lugar do grupo.
Daquele jogo em diante, só a vitória interessava. A equipe
partiu para cima do Chile como se quisesse esquecer de vez
a derrota para a Noruega. Ganhamos fácil, e mais uma vez,
o iluminado César Sampaio coloca a bola nas redes. Mas a
moleza ficou por aí. Diante da Dinamarca, a história foi
outra: começamos perdendo, chegamos a virar o jogo e, mais
uma vez, o empate e o fantasma dos pênaltis. Não fosse,
é claro, o talento de Rivaldo para fazer 3 a 2 e eliminar
os irmãos Laudrup e seus amigos.
O Brasil já estava entre os quatro melhores do mundo, e
para ganhar a vaga na grande final, bastava vencer a Holanda.
Tarefa difícil. A seleção não poderia contar com Cafu, que
tomou o segundo cartão amarelo, e a Laranja Mecânica, velho
trauma do lobo Zagallo, vinha de uma vitória diante da sempre
forte Argentina e contava com Kluivert, Bergkamp, os irmãos
De Boer e Davids. Eram até ali as duas equipes mais técnicas
do Mundial, que fariam uma verdadeira final antecipada.
| Acervo/Gazeta Press |
 |
| Taffarel agradece por ter conseguido defender
o pênalti cobrado por Cocu |
O primeiro tempo da partida terminou sem gols, graças a
uma forte marcação imposta por ambos os times, principalmente
pela Holanda. O meia Zenden se aproveitou da fragilidade
do lateral Zé Carlos, que substituía Cafu, e foi um dos
destaques da partida. Mas o Brasil ainda contava com Ronaldinho,
que logo aos primeiros segundos da etapa final fez o seu
gol, para alívio dos brasileiros. Mas a equipe não conseguiu
ampliar a vantagem e, percebendo o desespero dos brasileiros,
a Holanda começou a reagir. O resultado foi o gol de empate,
aos 41 minutos, numa cabeçada de Kluivert.
Veio a temida prorrogação com morte súbita. A tensão diante
da possibilidade de um erro se misturava aos contra-ataques
rápidos de Ronaldinho, lembrando os tempos de Cruzeiro.
Os holandeses não quiseram arriscar, e a decisão acabou
indo para a loteria dos pênaltis.
Ronaldinho, Frank De Boer, Rivaldo, Bergkamp e Émerson,
nesta ordem, converteram suas penalidades. Quando chegou
a vez de Cocu bater, brilhou a estrela de Taffarel, herói
da seleção na Olimpíada de Seul, em 88, e na final da Copa
de 94. Dunga fez o quarto gol do Brasil e, no chute de Ronald
De Boer, Taffarel sepultou de vez as críticas de seus algozes,
defendeu mais uma.
Festa para o Brasil, finalista de uma Copa do Mundo pela
sexta vez. Festa para Zagallo, que poderia ser o único pentacampeão
mundial da história. Festa para os jogadores, que extasiados
diante da eliminação holandesa, já estavam com uma das mãos
na taça. Festa para mais de cento e cinqüenta milhões de
pessoas, que terminaram de pintar as ruas, enfeitar os postes
e os parapeitos das janelas de verde e amarelo, comprar
a camisa da seleção e encomendar a carne para o churrasco
do dia 12 de julho. Nada poderia dar errado.
O resto, você já sabe. Deu tudo errado, e o Brasil terminou
a competição com o vice-campeonato, o mesmo resultado obtido
em 1950.
Jogos do Brasil
Primeira fase
Brasil 2 x 1 Escócia
Data: 10/06/98
Local: Stade de France (Saint-Denis)
Árbitro: José Maria Garcia–Aranda (Espanha)
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto
Carlos; Dunga, César Sampaio, Giovanni (Leonardo) e Rivaldo;
Bebeto (Denílson) e Ronaldinho. Técnico: Zagallo.
Escócia: Leighton; Boyd, Hendry e Calderwood; Dailly
(McKinley), Jackson, Burley, Lambert, Collins e Donnelly;
Durie e Gallagher. Técnico: Craig Brown
Gols: César Sampaio, aos 4, e Collins aos 37 minutos
do primeiro tempo; Boyd (contra) aos 25 do segundo.
Cartões amarelos: Jackson, César Sampaio e Aldair
Brasil 3 x 0 Marrocos
Data: 16/06/98
Local: Estádio Beaujoire, Nantes
Árbitro: Nikolai Levnikov (Rússia)
Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair, Junior Baiano, Roberto
Carlos e César Sampaio (Doriva); Dunga, Leonardo, Rivaldo
(Denílson), Ronaldo e Bebeto (Edmundo). Técnico: Zagallo.
Marrocos: Driss Benzekri, Abdelilah Saber (Abrami),
Noureddine Naybet, Youssef Rossi, Abdelkrim El Hadrioui,
Tahare El Khalej, Moustafa Hadji, Youssef Chippo, Said Chiba
(Amzine), Salaheddine Bassir e Abdeljilil Hadda (El Khatabi).
Técnico: Henry Michel.
Gols: Ronaldo aos nove e Rivaldo aos 47 minutos do
primeiro tempo e Bebeto, aos três do segundo.
Cartões amarelos: Hadda, César Sampaio, Chiba e Júnior
Baiano
Brasil 1 x 2 Noruega
Data: 23/06/98
Local: Estádio Velodrome, Marselha
Árbitro: Esfandiar Baharmast (EUA)
Brasil: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Goncalves,
Roberto Carlos, Dunga, Leonardo, Rivaldo, Denílson, Ronaldo,
Bebeto.
Noruega: Grodas, Berg, Eggen, Johnsen, Bjornebye;
Havard Flo (Solskjaer), Leonhardsen, Rekdal, Strand (Mykland),
Riseth, Tore Andre Flo.
Gols: Bebeto, aos 32 do segundo tempo, Tore Andre
Flo, aos 37, e Rekdal, de pênalti, aos 43.
Cartões Amarelos: Leonhardsen e Hykland.
Oitavas–de–final
Brasil 4 x 1 Chile
Data: 27/06/98
Local: Parque dos Príncipes, Paris.
Árbitro: Marc Batta (França).
Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair (Gonçalves), Junior
Baiano e Roberto Carlos; Cesar Sampaio, Leonardo, Dunga
e Rivaldo; Ronaldo e Bebeto (Denílson). Técnico: Zagallo.
Chile: Tapia; Margas, Fuentes e Reyes; Cornejo, Acuña
(Musrri), Miguel Ramírez (Estay), Sierra (Vega) e Aros;
Salas e Zamorano. Técnico: Nelson Acosta.
Gols: César Sampaio, aos 11 e aos 27 minutos do primeiro
tempo, e Ronaldinho aos 47 do primeiro e 25 do segundo;
Salas aos 23 do segundo.
Cartões amarelos: Fuentes, Tapia, Leonardo e Cafu
Quartas–de–final
Brasil 3 x 2 Dinamarca
Data: 03/07/98
Local: Estádio Beaujoire, Nantes
Árbitro: Gamal Ghandour (Egito)
Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair, Junior Baiano e Roberto
Carlos; Cesar Sampaio, Dunga, Leonardo (Émerson) e Rivaldo
(Zé Roberto); Ronaldo e Bebeto (Denilson).
Dinamarca: Peter Schmeichel; Marc Rieper, Jes Hogh,
Jan Heintze e Soren Colding; Martin Jorgensen, Thomas Helveg
(Schjonberg) e Allan Nielsen (Tofting); Michael Laudrup,
Brian Laudrup e Peter Moller (Sand).
Gols: Jorgensen, no primeiro minuto de jogo, Bebeto,
aos 9 minutos do primeiro tempo e Rivaldo, aos 25 do primeiro
tempo. Brian Laudrup, aos 5 do segundo tempo, e Rivaldo,
aos 15 do segundo tempo.
Cartões Amarelos: Roberto Carlos, Helveg, Aldair,
Colding, Tofting, Cafu.
Semifinal
Brasil 1 (4) x 1 (2) Holanda
Data: 07/07/98
Local: Estádio Velodrome, Marselha
Árbitro: Ali Mohamed Bujsaim (Emirados Árabes)
Brasil: Taffarel; Zé Carlos, Aldair, Junior Baiano
e Roberto Carlos; Cesar Sampaio, Dunga, Leonardo (Émerson)
e Rivaldo; Ronaldo e Bebeto (Denílson). Técnico: Zagallo.
Holanda: Edwin van der Sar; Michael Reiziger (Winter),
Jaap Stam, Frank de Boer e Phillip Cocu; Ronald de Boer,
Wim Jonk (Seedorf), Edgar Davids e Boudewijn Zenden (Van
Hooijdonk); Dennis Bergkamp e Patrick Kluivert. Técnico:
Guus Hiddink.
Gols: Ronaldinho aos 40 segundos e Kluivert aos 42
minutos do segundo tempo.
Nos pênaltis: Ronaldinho, Rivaldo, Emerson e Dunga;
Frank de Boer e Bergkamp.
Cartões amarelos: Zé Carlos e César Sampaio; Reiziger,
Davids, Seedorf e Van Hooijdonk.
Final
França 3 x 0 Brasil
Data: 12/07/98
Local: Stade de France, Saint–Dennis.
Árbitro: Said Belqola (Marrocos)
Brasil: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto
Carlos; Dunga, César Sampaio (Edmundo), Rivaldo e Leonardo
(Denílson); Bebeto e Ronaldo. Técnico: Zagallo.
França: Fabien Barthez; Lilian Thuram, Marcel Desailly,
Franck Leboeuf e Bixente Lizarazu; Christian Karembeu (Boghossian),
Didier Deschamps, Zinedine Zidane, Emmanuel Petit e Youri
Djorkaeff (Vieira); Stephane Guivarc'h (Dugarry). Técnico:
Aimé Jacquet.
Gols: Zidane aos 27 e aos 47 minutos do primeiro
tempo e Petit aos 47 do segundo.
Cartões amarelos: Deschamps, Desailly, Karenbeu,
Júnior Baiano Cartão vermelho: Desailly.
Jogadores do Brasil
Goleiros: Taffarel (Atlético–MG), Carlos Germano
(Vasco da Gama), Dida (Cruzeiro)
Laterais: Cafu (Roma), Zé Carlos (São Paulo), Roberto
Carlos (Real Madrid) e Zé Roberto (Flamengo).
Zagueiros: Aldair (Roma), Júnior Baiano (Flamengo),
Gonçalves (Botafogo), André Cruz (Milan).
Meio–de-campo: César Sampaio (Yokohama Flugels),
Giovanni (Barcelona), Dunga (Jubilo Iwata), Emerson (Bayer
Leverkussen), Doriva (Porto), Rivaldo (Barcelona) e Leonardo
(Milan).
Atacantes: Ronaldinho (Inter de Milão), Denílson
(São Paulo), Bebeto (Botafogo) e Edmundo (Fiorentina). Técnico:
Mário Jorge Lobo Zagallo.