DESTAQUES
Davor Suker, o artilheiro
da Copa
| Acervo/Gazeta Press |
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| Suker: 6 gols no Mundial |
Nada mau para uma estréia. A Croácia surpreendeu a todos
e terminou a Copa do Mundo na terceira colocação da Copa
da França. E mais: Davor Suker, considerado o melhor jogador
da equipe, foi o artilheiro isolado do Mundial, com seis
gols.
Suker nasceu em 1º de janeiro de 1968 na cidade croata
de Osijek, ainda Iugoslávia, onde começou sua carreira como
profissional em 1987. Passou pelo Dinamo Zagreb e pelo Sevilha,
até ingressar no Real Madrid, em 1996, onde foi o artilheiro
da equipe na temporada 96/97, campeão da liga espanhola
na mesma temporada e da Copa dos Campeões da Europa em 1998.
Sua história na seleção croata começou nas Eurocopa 96,
onde fez três gols diante da Dinamarca, mas foram eliminados
pela mesma Alemanha que perdeu nas quartas–de–final. Artilheiro
da equipe nas eliminatórias do Mundial, o atacante, bem
como boa parte da geração croata da Copa de 98, chegou a
atuar na seleção sub-21 da Iugoslávia no Mundial do Chile
em 1987. Foi eleito o segundo melhor jogador da Copa e o
terceiro melhor do mundo, pela Fifa, em 98. Quase caiu no
ostracismo, indo parar na reserva do time espanhol no início
de 1999. Atualmente, joga no Chelsea, Inglaterra.
Zidane, o melhor do mundo em 98
Zinedine Zidane nasceu em 23 de junho de 1972, na cidade
de Marsiglia, França. Começou sua carreira no Cannes, em
1988, passando pelo Bordeaux, em 1992, e finalmente, em
1996, na Juventus, onde joga até hoje. No clube italiano,
Zidane tornou-se o armador, mas nunca se atreveu a fazer
muitos gols. Mesmo assim, ajudou a sua equipe a ser campeã
italiana nas temporadas de 96/97 e 97/98, e finalista da
Copa dos Campeões em 1998.
Na seleção francesa, foi fundamental na campanha da equipe
na Eurocopa de 1996, onde perdeu a semifinal para a República
Tcheca.
Durante a Copa da França, foi expulso na primeira fase,
teve uma atuação bastante discreta e fez apenas dois gols.
Para nosso azar, foram esses os gols do título mundial francês.
Graças ao seu bom desempenho, foi eleito o melhor jogador
do mundo em 1998.
Ronaldo, o Fenômeno, um mistério
| Acervo/Gazeta Press |
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| Ronaldo é perseguido por Ronald de Boer no
duelo contra a Holanda |
Ele tinha tudo para brilhar no Mundial. Eleito pela Fifa
o melhor jogador do mundo em 1996 e 1997, Ronaldo Luis Nazário
de Lima recebeu, de quebra, a alcunha de Fenômeno na Itália.
Artilheiro no Cruzeiro de Belo Horizonte, PSV Eindhoven
e do Barcelona, foi reserva na Copa do Mundo de 94, com
17 anos, e ganhou a posição de titular desde o início da
nova era Zagallo, na Olimpíada de Atlanta. O atacante da
Internazionale de Milão tinha tudo para se transformar na
maior esperança de gols da Seleção Brasileira.
Fez quatro gols em seis partidas. Mas quando foi preciso,
na decisão da Copa, a pressão tornou-se insuportável. No
fatídico dia 12 de julho, após o almoço, Ronaldinho teve
tonturas, convulsões, suou muito, se debateu na cama, sentiu
falta de ar, ânsia de vômito... O lateral Roberto Carlos,
que estava no mesmo quarto, ficou muito assustado e chamou
o médico Lídio Toledo na concentração em Lésigny. O craque
estava estressado. Mas há outra versão: a convulsão teria
sido causada por medicamentos receitados para se curar de
uma lesão.
Claro, houve outras versões para o estranho problema que
envolveu o jogador às vésperas da final. Até hoje, muitos
mistérios estão envolvidos na pergunta que calou Brasil
naquela dia: o que houve com Ronaldinho? Na primeira escalação,
divulgada pela organização da Copa, Edmundo seria o titular,
e o melhor do mundo estava na reserva. Minutos depois, a
escalação começou a ser recolhida porque havia um erro,
de acordo com os funcionários do centro de imprensa. Ronaldinho,
que acabara de voltar do hospital instantes antes do início
da partida, estava bem. Seus exames não indicaram problemas,
e Zagallo escalou o jogador, que entrou em campo. Mas jogou
como se não estivesse. Os demais jogadores, preocupados
com a saúde do jogador, também pareciam estar longe da decisão.
Mesmo após esse fim trágico, Ronaldinho foi eleito o melhor
jogador da Copa. Mas daquele dia em diante, o rendimento
do atacante jamais foi o mesmo. Mal disputou a temporada
98/99 do Campeonato Italiano, envolvido com seus problemas
no joelho. Aos poucos, Ronaldo está adquirindo sua forma
física, e já mostrou que é capaz de retomar sua velha fase
na última Copa América, no Paraguai, em julho de 99.
Curiosidades
1 – Enquanto a Croácia sagrou-se a surpresa do Mundial,
a decepção ficava por conta da Espanha. A "Fúria", do técnico
Javier Clemente, teve um desempenho pífio, ficando apenas
com a terceira posição em seu grupo. Perdeu para a Nigéria
por 3 a 2, com a ajuda do goleio Zubizarreta, ficou no 0
a 0 com o Paraguai e, mesmo goleando a Bulgária por 6 a
1, o resultado mais expressivo da competição, nada mais
podia fazer para evitar o vexame, diante da vitória paraguaia
sobre a já classificada Nigéria por 3 a 1.
2 – Festa dentro de campo, guerra do lado de fora. Hooligans
alemães e ingleses barbarizaram a França. Às vésperas da
partida envolvendo Inglaterra e Colômbia, ainda na primeira
fase, 35 fanáticos torcedores ingleses foram presos em Lille
e Lens, por causa das brigas. Os alemães foram mais duros:
após o empate com a Iugoslávia em 2 a 2, também na primeira
fase, os torcedores agrediram um cinegrafista da rede Globo
e um policial francês, que permaneceu em coma durante um
bom tempo. Segundo um depoimento de um policial local, eles
estavam sóbrios e usavam sistemas móveis de comunicação
para dispersar e reagrupar rapidamente.
3 – Outro acontecimento provocou tristeza no mundo do futebol:
Fernand Sastre, dirigente francês e co-presidente do Comitê
Organizador da Copa do Mundo, morreu vítima de um câncer
no pulmão. O ex-jogador francês e também presidente do Comitê
Organizador, Michel Platini, chorou muito na tribuna de
honra do estádio La Beaujoire, em Nantes, numa homenagem
feita pouco antes da partida entre Espanha e Nigéria. Durante
nove anos, Sastre trabalhou como presidente do Comitê Organizador
da candidatura da França para a sede da competição.
4 – Os conflitos políticos entre iranianos e norte-americanos
passaram longe da Copa. Dentro do Estádio Gerland, em Lyon,
as seleções dos dois países protagonizaram uma das cenas
mais bonitas da competição: as duas equipes se saudaram
e trocaram flores entre si. Fora de campo, era possível
ver torcedores dos dois países abraçados, jogando bola na
rua, cantando o nome do outro país, pensando apenas em futebol.
O resultado final foi 2 a 1 para o Irã, a única vitória
do país em copas, mas suficiente para eliminar os EUA. "Ao
vencer os Estados Unidos, o Irã conseguiu por meio do esporte
o que não conseguiu com a política", dizia um jornal iraniano.
Já os americanos lamentaram a derrota, mas destacaram o
clima amistoso entre os jogadores das duas seleções.
5 – Faltavam poucos dias para o início da Copa quando
os pilotos da companhia aérea Air France, companhia aérea
oficial da competição, iniciaram uma greve, deixando os
principais aeroportos franceses repletos de problemas, pois
os passageiros estavam com dificuldades para conseguir passagens
em outras empresas. Isso sobrecarregou as estradas e a rede
ferroviária. Felizmente, para alívio dos torcedores, o grupo
de pilotos aceitou a proposta da empresa no dia 10 de julho
– data da abertura do Mundial. Os pilotos declararam greve
por causa de um plano da companhia em reduzir os salários
em troca de ações da empresa no mercado financeiro. Mas
voltaram atrás após receberem a proposta de redução salarial
em troca de ações e outras concessões.