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Enfim, Internacional!

Foto Gazeta Press
Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press
Fernandão comanda Inter ao inédito título

Duas das principais equipes do futebol brasileiro, Internacional e Fluminense sempre ficaram à margem no grupo daqueles que são considerados os 12 maiores clubes do país por um motivo simples: jamais ter conquistado um título de nível continental ou mundial.

Botafogo e Atlético-MG, ao menos, haviam faturado a Copa Conmebol. Flamengo, Vasco, Palmeiras, São Paulo, Santos, Cruzeiro e Grêmio, no mínimo, tinham vencido uma Copa Libertadores. E o Corinthians sagrou-se campeão do primeiro Campeonato Mundial realizado pela Fifa.

Em 2006, porém, o Colorado abandonou o co-irmão carioca e, de fato, tornou-se um clube internacional. Mais do que isso, o título da Libertadores acabou com uma amargura de 23 anos, iniciada quando o rival Grêmio tornou-se campeão sul-americano pela primeira vez.

A campanha gaúcha na primeira fase foi quase impecável, passando invicto na liderança do grupo 6, com quatro vitórias e dois empates, no primeiro e último jogo da fase. Nas oitavas-de-final, o time passou pelo Nacional, do Uruguai. No primeiro jogo, empate por 1 a 1, em Montevidéu, e o Colorado assegurou a classificação com a igualdade sem gols.

Nas quartas-de-final, novamente o time brasileiro fez a primeira partida fora de casa. Desta vez, porém, teve menos sorte e saiu derrotado por 2 a 1 pela LDU. O duelo seguinte foi quase dois meses depois devido à paralisação para a Copa do Mundo. Como tinha marcado um gol fora de casa, uma vitória por 1 a 0 daria a vaga ao Inter. Mas o gol não saiu nos primeiros 45 minutos e a angústia tomava conta do Beira-Rio até que Rafael Sóbis balançou as redes aos seis do segundo tempo. No finalzinho, quando os equatorianos buscavam o gol da classificação a todo custo, Renteria fez mais um e sacramentou a ida às semifinais.

O adversário da vez era o pequeno Libertad, que vinha com moral por ter eliminado o River Plate. Após o empate sem gols no Paraguai, mais de 50 mil pessoas lotaram o Beira-Rio para a partida de volta. E, mais uma vez, passaram todo o primeiro tempo sem soltar o grito de gol. A igualdade levaria a partida para os pênaltis, mas Alex tratou de marcar aos 18 minutos da segunda etapa. A massa colorada foi ao delírio, enquanto Alex não conseguia prender o choro de emoção. No entanto, a vaga ainda não estava garantida. Afinal, um golzinho da LDU e o Inter teria de fazer mais um para avançar de fase. Mas, para felicidade dos gaúchos, quem marcou foi Fernandão, cinco minutos depois, selando a vaga para a decisão.

Após 26 anos, o Internacional chegava pela segunda vez em sua história a uma final de Libertadores. O último obstáculo era o poderoso São Paulo, então campeão sul-americano, mundial e líder do Campeonato Brasileiro. E assim como no duelo contra o Nacional pelas oitavas, os colorados se deram bem no jogo de ida fora de casa e ficaram com uma mão na taça. Em um jogo nervoso e diante de um Morumbi lotado, o são-paulino Josué foi expulso logo aos dez minutos por agressão, mas o Inter, por sua vez, não soube aproveitar a superioridade numérica e ainda viu Fabinho também ser excluído ainda na primeira etapa.

Era tudo o que o Tricolor precisava para voltar ao jogo e buscar a vitória. Mas foi a estrela de Rafael Sóbis que brilhou. Com um gol aos oito e outro aos 16 minutos do segundo tempo, o atacante colocou o time gaúcho em vantagem e silenciou o Morumbi. Os são-paulinos só voltaram a vibrar aos 30 minutos, quando Edcarlos diminuiu. Coube ao Colorado segurar a pressão nos minutos finais e ir para a partida de volta jogando pelo empate.

Porto Alegre, 16 de agosto de 2006. Faltavam 90 minutos para o Internacional, enfim, conquistar sua primeira Libertadores. O caminho rumo ao título ficou ainda mais fácil quando Fernandão abriu o placar, aos 26 do primeiro tempo. Com o resultado, o São Paulo precisava fazer dois gols para levar o duelo para os pênaltis ou três para ficar com a taça.

Logo aos seis minutos da segunda etapa, Fabão deixou tudo igual. O jogo era equilibrado e Tinga deixou o Colorado novamente na frente aos 20. Agora, só dois gols em 25 minutos daria o título aos paulistas. Lenílson ainda chegou a marcar aos 40, mas, empurrado pela torcida, o Inter resistiu bravamente e pôde erguer o tão cobiçado troféu de campeão continental.

Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press
Palmeiras, campeão em 1999

Histórico: A Copa Libertadores da América é o mais tradicional e importante torneio de clubes da América do Sul. Criada em 1960, a competição coloca à prova a rivalidade secular entre os clubes do continente e sempre prevaleceu sobre outros torneios com o mesmo formato, caso das extintas Copa Conmebol e Mercosul, e da atual Sul-americana. Outro fator que torna a Libertadores interessante é a vaga que ela dá para o Mundial Interclubes, que a partir de 2005 será disputado por representantes das seis principais confederações do futebol mundial.

Tradicionalmente, a Libertadores era disputada entre 16 equipes, depois com 20 e, a partir da edição de 2000, o total subiu para 32 equipes. Em 2005, doze equipes passaram por uma fase denominada Pré-Libertadores, que definiu mais seis times para se juntarem aos 26 já garantidos.

Uma alteração ocorrida recentemente foi a da presença de times mexicanos, ocorrida a partir da edição de 1998. E o país já teve até clube disputando título: o Cruz Azul chegou à final contra o argentino Boca Juniors em 2001 e perdeu nos pênaltis. O time argentino levantou a taça, assim como havia acontecido no ano anterior.

Já os brasileiros correm atrás de uma indiscutível hegemonia argentina. Os vizinhos levaram a Libertadores por 20 vezes (sete só com o recordista absoluto Independiente), contra 12 dos brasileiros, sendo que seis dessas conquistadas entre 1992 e 1999.

Antes do tricampeonato do São Paulo, o último vencedor do pais foi o Palmeiras, clube brasileiro que mais participou da Libertadores (12 edições, sendo quatro vezes finalista). Com a vitória em cima do Atlético Paranaense em 2005, o Tricolor abriu vantagem de um título para os bicampeões Santos, Cruzeiro e Grêmio. Palmeiras, Vasco e Flamengo venceram uma vez cada. Os clubes do Brasil passaram a se interessar mais pelo torneio na década de 90 em razão do incremento das transmissões televisivas, que geram renda e prestígio aos participantes.

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