São Paulo conquista
o bi na década de ouro
| Foto Acervo/Gazeta Press |
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| Telê Santana com a taça do bi-mundial |
Apesar de ter ficado dez anos afastado da Copa Libertadores,
o São Paulo é um dos clubes de maior tradição no torneio.
Após a época dourada, vivida no início dos anos 90, o Tricolor
consolidou a fama de clube bem estruturado, organizado e
respeitado mundialmente.
Sob o comando de Telê Santana, a equipe ganhou as libertadores
de 92 e 93 e os mundiais interclubes dos mesmos anos. Neste
período, muitos jogadores se consagraram com a camisa Tricolor.
Raí foi maestro da equipe nas duas conquistas da competição
sul-americana e em um dos mundiais. Muller levou à torcida
ao delírio com sua classe, oportunismo e sorte. O esforçado
Ronaldão também ganhou fama e acabou com uma vaga na Copa
do Mundo de 94, devido às contusões de Moser e Ricardo Gomes.
Em 92, as duas finais contra o Newell’s Old Boys foram
muito nervosas. Os argentinos venceram (1 a 0) o primeiro
jogo com um pênalti duvidoso. No jogo de volta, no superlotado
Morumbi, o placar e as reclamações foram as mesmas só
que para o time estrangeiro..
Macedo, o talismã de Telê, entrou no segundo tempo, após
insistentes pedidos da torcida, e caiu na área. Raí cobrou
com elegância no canto direito e levou a decisão para os
pênaltis.
O camisa 10 do Tricolor foi o primeiro a bater e abriu
caminho para a sofrida vitória por 3 a 2, que provocou uma
enorme invasão da torcida, que levou até pedaços de grama
como lembrança da grande conquista.
Em 93, com mais experiência, o Tricolor entrou na competição
nas oitavas-de-final e chegou com maior facilidade à final
para enfrentar o Universidad Catolica, do Chile. Novamente
com o Morumbi cheio, o Tricolor deu um baile (5 a 1) na
primeira partida e viajou para Santiago já com uma
das mãos na taça.
No Estádio Nacional de Santiago, o Tricolor perdeu por
2 a 0, mas fez a festa. Ainda no Chile, Roberto Rojas foi
convidado a ser preparador de goleiros do Tricolor. Dez
anos depois, o chileno classificaria o São Paulo novamente
para a Libertadores, após assumir interinamente o comando
do elenco no Brasileirão 2003.
Além do bicampeonato, o São Paulo foi duas vezes vice na
competição Sul-Americana. Em 1974, foi derrotado pelo Independiente,
da Argentina. Em 1994, acabou eliminado na disputa de pênaltis
contra o Velez Sarsfield. Dez anos depois, o Tricolor volta
à Libertadores tentando acabar com a síndrome de vice nos
anos terminados com quatro.
Em 94, a derrota para o Velez Sarsfield em pleno Morumbi
foi traumática. O time argentino venceu o primeiro jogo
por 1 a 0 e o Tricolor obteve o mesmo placar no jogo de
volta. Nos pênaltis, o Tricolor sucumbiu.
O episódio mostrou como são marcantes as disputas internacionais.
Palhinha era adorado pela torcida até a partida decisiva
contra o Velez. O meia-atacante, no entanto, perdeu o pênalti
que decretou o fim do sonho do tricampeonato. Os são-paulinos
ficaram em silêncio naquela noite. E jamais perdoaram o
jogador. Palhinha deixou o Morumbi meses depois e perambulou
sem muito sucesso por diversos times do futebol brasileiro.