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Foto Gazeta Press
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Monopólio brasileiro nos anos 90

A Copa Libertadores da América sempre foi vista como apenas mais um torneio a ser disputado pelos clubes, no primeiro semestre do ano. Além dos estaduais e de outros torneios caça-níqueis, as equipes tinham que se preparar para disputar a principal competição sul-americana, e poucas alterações e contratações eram feitas pelos clubes com o intuito de conquistar o título. O violento jogo dos rivais, a hostilidade de suas torcidas, o problema da altitude e as malandragens na arbitragem incomodavam os jogadores brasileiros, que viam com certo desdém a Libertadores.

Os cronistas esportivos diziam que os atletas não estavam acostumados com o estilo aguerrido de argentinos, uruguaios e paraguaios, e por isso estavam sempre por baixo. Pela potência do futebol nacional, era muito pouco o País ter chegado a apenas 11 finais e ganho cinco vezes em 32 anos de história, pois os argentinos já haviam disputado 21 finais e faturado 15 títulos, enquanto os uruguaios já haviam atingido 15 finais, tendo ganhado em oito oportunidades.

A mentalidade começou a mudar em 92. O São Paulo viu a projeção internacional que a conquista do torneio poderia gerar ao clube e resolveu investir pesado para
conseguir o título. Na primeira fase, a equipe enfrentaria os representantes bolivianos, Bolivar e San Jose, mas principalmente a altitude de La Paz e da Cordilheira dos Andes. Com isso, o time inovou e realizou preparações anaeróbias, testes físicos de última tecnologia, e preparação para encarar a forte altitude. Cuidados com os famosos chás de coca, e a compra de máscaras de oxigênio fizeram parte do elenco tricolor.

O método deu resultado, e o tricolor não encontrou dificuldades para vencer os bolivianos e garantir sua vaga nas oitavas-de-final. O time foi passando por seus adversários e na grande final acabou derrotando o Newell's Old Boys, na cobrança dos pênaltis. Zetti foi o herói, espalmando a cobrança do zagueiro Gamboa, batida rasteira no canto direito do goleiro são-paulino.

Com isso, o time foi convidado para vários torneios internacionais e a equipe de Raí, Muller e Zetti tornou-se conhecida no futebol mundial. O título da Copa Toyota e outros diversos títulos sul-americanos viraram rotina. Por isso, os outros clubes resolveram investir na Copa Libertadores. Daí em diante, Grêmio, Cruzeiro, Vasco e Palmeiras de São Marcos seguiram a trilha campeã e conseguiram seis títulos para o Brasil nos anos 90, além disso o País teve um vice-campeonato, com o São Paulo, em 94.

Agora, a Libertadores é o torneio de maior importância para os clubes tupiniquins no primeiro semestre e todos investem na competição. Por isso, a Copa do Brasil ganhou força nos últimos anos, pois é o caminho mais fácil para o maior torneio sul-americano. Reforços e planejamento são feitos, e Tóquio, por enquanto, é o sonho de todos os times e torcedores brasileiros.

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