O
Rio perdeu a chance de ser sede dos Jogos de 59, mas na
edição de 63 outra cidade brasileira recebeu
o evento. Em São Paulo, mais de 70 mil pessoas assitiram
à cerimônia de abertura no estádio do
Pacaembu e ainda faltaram ingressos. O atleta José
Telles da Conceição acendeu a pira olímpica.
Antilhas, Argentina, Bahamas, Barbados, Canadá, Chile,
Cuba, El Salvador, Equador, Estados Unidos, México,
Panamá, Peru, Porto Rico, Trinidad e Tobago, Uruguai
e Venezuela, além do Brasil, reuniram mais de 3.200
atletas na competição. Os cubanos foram liberados
pela Odepa (Organização Desportiva Pan-americana)
pouco antes do início da disputa. A delegação
de Porto Rico quase fica fora por causa de uma intoxicação
alimentar sofrida no vôo da Pan American; dez atletas
chegaram a ser internados.
O secretário de estado dos negócios da educação,
Padre Januário Baleeiro de Jesus e Silva, assinou
um ato integrando o Pan e a educação escolar,
incentivando palestras dos atletas nas escolas, inclusão
do evento como tema de composições, estudo
da geografia dos países e das modalidades nas aulas
de educação física.
O primeiro ouro brasileiro veio com Lhofei Shiozawa, na
categoria médio do judô, esporte que estreava
no torneio. Ele derrotou o norte-americano Paul Maruyama
na final. "Foi o prêmio de todo o sacrifício.
Agora vamos para a frente, para os próximos compromissos,
sempre com a finalidade de elevar o judô brasileiro
cada vez mais", comemorou.
No tênis, a já consagrada Maria Esther Bueno
ficou com o ouro no individual ao bater a mexicana Yola
Ramirez Ochoa com duplo 6/3. "Este era um tíutlo
que eu almejava desde que iniciei minha carreira. Era o
único que me faltava", disse a ganhadora de
sete títulos de torneios Grand Slam. Ela ainda seria
prata em duplas femininas e mistas. "Por coincidência,
foi participando de Jogos Pan-americanos (55), no México,
que iniciei minha trajetória internacional. E agora
sinto-me completamente feliz e realizada."
Além de Estherzinha, o tênis nacional teve
em Ronald Barnes sua maior figura, com ouro em simples,
sobre o mexicano Mario Llamas, com 6/4, 6/0 e 6/3, e dupla,
ao lado de Carlos Fernandes, o Lelé, sobre os mexicanos
Vicente Zarazua e Arredondo, com triplo 6/2.
A vela rendeu cinco medalhas ao Brasil, sendo três
de ouro. Quando a dupla Joaquim Roderbourg e Klaus Hendriksen
entrou na raia para a última regata da classe Flying
Dutchman, o país já tinha dois ouros, nas
classes Finn e Snipe. De qualquer forma, a promessa era
de uma disputa acirrada com o casal norte-americano Pat
e John Duane, já que os brasileiros tinham três
vitórias e três segundo lugares, contra três
vitórias, dois segundo lugares e um terceiro dos
rivais. Mas já na metade do percurso, os representantes
nacionais assumiram a liderança para não perder
mais. Cruzaram a imaginária linha de chegada com
mais de três minutos de vantagem sobre os adversários.
Na final do futebol, o Brasil assegurou o ouro com um empate
desanimador com a tricampeã Argentina. O primeiro
tempo terminou em 0 a 0 e no segundo, o time nacional marcou
dois gols. Aos 23 minutos, o argentino Vieites foi expulso
depois de acertar Airton. Mesmo com um jogador a menos em
campo, a Argentina conseguiu empatar o placar, graças
à queda de rendimento dos brasileiros.
A violência marcou a partida, a ponto de um homem
sair do banco argentino e invadir o campo para advertir
os jogadores de seu país. Mas depois do apito final,
Canosa deu um pontapé em Airton, que foi defendido
por Jair. A polícia teve de intervir para evitar
um tumulto maior, já que os torcedores saltaram o
alambrado.
O boxe foi o esporte que rendeu mais medalhas para o país:
três de ouro, cinco de prata e uma de bronze. No total,
o Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos no
quadro de medalhas.