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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . JOGOS PAN-AMERICANOS

Indianápolis/87 (7 a 23 de agosto)

A edição de Indianápolis dos Jogos Pan-americanos foi responsável por uma reviravolta esportiva, que teve reflexos até nos Jogos Olímpicos. O Brasil conquistou a história medalha de ouro no basquete masculino, impondo à seleção norte-americana sua primeira derrota em casa. Este foi o estopim para que os Estados Unidos usassem sua influência para que jogadores da NBA fossem admitidos nas Olimpíadas.

A competição começou com a ameaça de boicote por 16 países que eram contra a liberação da entrada nos Estados Unidos do chileno Francisco Zuniga, capitão de polícia e integrante da equipe de tiro do Chile, acusado de pertencer à Polícia Secreta de Pinochet. O impasse permaneceu até o final dos Jogos, mas Zuniga não conseguiu o visto.

Provando que mesmo no primeiro mundo, a falta de organização é uma realidade, houve falta de alojamento e a delegação norte-americana acabou transferida para hotéis para abrir novas vagas na vila olímpica. Mas a Venezuela, em sinal de protesto, não desfilou na cerimônia de abertura.

Entre os atletas internacionais, houve quem não quisesse perder a viagem e aproveitou a competição nos Estados Unidos para desertar. Em três dias, a República Dominicana perdeu oito de seus atletas.

No capítulo dos resultados heróicos, o maratonista brasileiro Ivo Machado Rodrigues venceu sua prova mesmo competindo com um tênis velho por falta de recursos. O hóquei sobre patins estreou no torneio, massacrando o time de Porto Rico por 30 a 0, mas no final, não conseguiu medalha.

O remo nacional garantiu o bicampeonato com os irmãos Ronaldo e Ricardo e . Joaquim Cruz fez outra das suas e trouxe o ouro nos 1.500m. Depois de 23 anos, o tênis desencantou e conquistou o ouro nas disputas individuais com Gisele Miró e Fernando Roese, mas nem tudo foram flores na modalidade, que começou sob a marca da presepada. Patrícia Medrado foi vetada pela organização por ser profissional. A confusão no tênis foi geral e outros três atletas ficaram na mesma situação, inclusive Nelson Aerts e o norte-americano Patric McEnroe, irmão de John.

No boxe, o Brasil garantiu uma medalha com o garfo. Tyndall Armory fez quatro refeições à base de massa para ultrapassar os 91kg na pesagem e ficar na categoria superpesados, que só teve quatro participantes. Já o iatismo voltou para casa sem nenhuma medalha de ouro – teve uma de prata e três bronzes -, foi a primeira vez na história que isto aconteceu.

O futebol masculino garantiu sua quarta medalha de ouro pan-americana, mas teve que brigar por ela. A semifinal contra o México foi marcada pela violência. No final do primeiro tempo, Fernando Quirarte, capitão mexicano, chutou a bola em direção ao banco do Brasil. Nos vestiários, ele acertou um soco no técnico Carlos Alberto Silva, enquanto o zagueiro Ricardo também era agredido com socos e pontapés.

No segundo tempo, Ademir e Miguel Espana foram expulsos e o jogo foi decidido na prorrogação. O Brasil venceu, mas o preparador físico mexicano, Gerardo Albarran, garantiu mais um lance violento ao invadir o campo e agredir o lateral Nelsinho.

O Brasil foi para a decisão com um time desfigurado por causa dos desfalques, mas venceu o Chile por 2 a 0 com gols de Washington e Evair na prorrogação.

Um dos pontos altos da competição foi a presença da nadadora Maria Lenk, que prestigiou o evento aos 72 anos como voluntária. Maria foi a primeira sul-americana a disputar uma Olimpíada, competindo em Los Angeles/32.

Os protestos políticos deram o tom do Pan de Indianápolis e na rodada de boxe, membros da delegação cubana saíram no tapa com representantes anticastristas. Se na abertura, anticastristas haviam sobrevoado o estádio com uma bandeira incitando à deserção dos atletas, no encerramento a provocação foi nos palcos com a apresentação da banda Miami Sound Machine formada por refugiados cubanos.

O momento comédia foi assegurado com o roubo da bandeira brasileira do mastro da vila olímpica. Mas o ladrão foi pego antes de deixar as instalações. O sub-chefe da missão brasileira, Pedro Barros, fez a melhor análise do fato. "Estamos no fim da festa e é hora de tomar cuidado. Todos querem lembranças do Pan".

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