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Havana/91 (1 a 18 de agosto)
Quatro
anos depois dos Estados Unidos organizarem os Jogos, chegou
a hora de Cuba fazer o mesmo. Em plena crise financeira provocada
pela perda dos recursos vindos da ex-União Soviética
e do Leste Europeu, Fidel Castro deu um jeito de concretizar
os planos, marcados pela austeridade nas despesas e pelo encantamento
confesso do chefe de estado pela mágica do basquete
de Paula e Hortência, que foi ouro na ilha.
A edição recebeu 4.685 atletas de 39 países
e viu, pela primeira vez, os Estados Unidos deixarem o topo
da classificação geral. Cuba foi a grande campeã,
com 140 medalhas de ouro contra 130 dos Estados Unidos.
Apesar da falta de recursos, as instalações
foram consideradas melhores que as de Indianápolis.
No entanto, a alimentação foi duramente criticada
pela qualidade e quantidade e a segurança recebeu atenção
redobrada para evitar manifestações de descontentamento
da população.
O tênis, que havia garantido duas medalhas de ouro
na edição passada, viveu uma crise forte. Dias
antes do embarque da delegação, Fernando Roese
desistiu de ir a Havana para disputar o circuito profissional
e foi substituído por Nelson Aerts (aquele mesmo que
não pode competir em Indianápolis). Os problemas
estavam apenas começando.
Gisele Miró teve uma crise de gastroenterite e o técnico
Thomas Koch definiu que ela jogaria apenas o torneio de duplas.
Gisele ficou três dias mal e, depois de recuperada,
brigou feio com o Koch e abandonou a equipe. Segundo ela,
o treinador havia dito que ela estava em Havana para fazer
turismo. Quando chegou em Curitiba, ela anunciou sua aposentadoria.
Os desentendimento internos atingiram também a seleção
de ciclismo. O ciclista Wanderley Magalhães criticou
duramente o cronograma de treinos do técnico Juan Timon,
responsabilizando-o pela sétima colocação
do Brasil na prova contra-relógio.
Problemas também afetaram a equipe masculina de vela,
que sentiu os efeitos do forte calor. Os integrantes do grupo
ficaram desidratados com casos que incluíram crises
de diarréia em alguns deles. Os problemas do iatismo
foram ainda anteriores aos Jogos. Eles estiveram ameaçados
de não poder levar seus barcos para Havana, porque
o navio contratado para o transporte quebrou. Faltando poucos
dias para a competição, conseguiram garantir
a ida dos barcos, mas não sabiam como os trariam de
volta. No fim das contas, o iatismo conseguiu sete medalhas
- um ouro (laser com Peter Tanscheit), quatro pratas (finn,
laser, 470 masc. e snipe) e dois bronzes (470 fem. e lightining).
O Brasil havia começado bem na competição,
conquistando a prata na maratona, no primeiro dia de disputas,
com José Carlos Santana da Silva. Na natação,
surgiu o mito Gustavo Borges com a prata nos 200m livre. Depois,
ele ainda venceria os 100m, batendo o recorde sul-americano
com 49s48.
O tênis de mesa garantiu a 100ª medalha de ouro
para o Brasil em Pans, ao vencer os Estados Unidos por 3 a
0 no torneio por equipes. O grupo era formado por Cláudio
Kano, Issam Kawai, Hugo Hoyama e Silney Yuto, no total, a
modalidade conquistou cinco medalhas três de
ouro, uma de prata e duas de bronze. Hoyama foi o único
atleta brasileiro dos Jogos a conseguir três medalhas
de ouro.
Neste ano, Brasília estava em plena campanha pela
candidatura para os Jogos Olímpicos de 2000 e os atletas
não perdiam oportunidade de criticar o plano. O técnico
da seleção masculina de handebol, Antonio Carlos
Simões, aproveita a entrevista depois da final (o Brasil
foi prata) para homenagear Vicente Matheus, presidente do
Corinthians, que extinguiu o hand do clube e ao presidente
Fernando Collor, que "não dá base nenhuma
ao esporte, não oferece infra-estrutura e vem falar
em olimpíada 2000".
O destaque da participação brasileira foi o
ouro da seleção feminina de basquete, que derrotou
Cuba na final por 97 a 66, depois de um empate em 44 no primeiro
tempo, frente a uma torcida de 12 mil pessoas. Fidel Castro
quis entregar pessoalmente a medalha a Hortência e Paula.
Para a técnica Maria Helena Cardoso foi o terceiro
ouro pan-americano. Como jogadora, ela havia sido campeã
em Winnipeg/67 e Cali/71. No basquete masculino, a chance
do bicampeonato parou na derrota para Cuba e a equipe terminou
a campanha em quinto lugar.
Mais uma vez, o Brasil encerrou sua participação
nos Jogos com a quarta colocação geral e 79
medalhas - 21 ouro, 21 prata e 38 bronze. O atletismo foi
a modalidade que mais medalhas conquistou (dez). Alguns dos
destaques da modalidade foram Adauto Domingues, bicampeão
nos 3000m e Róbson Caetano, campeão nos 100m.
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