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O melhor atleta do
Brasil
ADHEMAR FERREIRA É O ÚNICO
BICAMPEÃO OLÍMPICO DO PAÍS
O maior destaque do esporte e da história olímpica brasileira
é, sem dúvida, Adhemar Ferreira da Silva. Ele iniciou
uma tradição verde-amarela no salto triplo e permanece
como o único atleta nacional a conquistar duas medalhas
olímpicas de ouro: nos Jogos de Helsinque/52, na Finlândia
e, depois, em Melbourne/56, na Austrália.
O fenômeno Adhemar, entretanto, só conheceu o atletismo
aos 19 anos. seu potencial era tão grande que, um ano
depois, já era recordista brasileiro e sul-americano
da modalidade, uma das mais difíceis do atletismo. Aos
25 anos, consagrou-se em Helsinque, quebrando quatro
vezes o recorde mundial. Quatro anos depois, repetiu
o feito em Melbourne.
Adhemar iniciou a carreira em 1947, no São Paulo Futebol
Clube. No início, disputava os 100m rasos, salto em
distância, salto em altura e arremesso de disco. Porém,
não conseguia se destacar em nenhuma dessas provas,
não chegando sequer entre os seis primeiros.
Certa vez, ele estava treinando quando observou o atleta
Ewaldo Gomes da Silva, do salto triplo e resolveu tentar.
Em seu primeiro salto, conseguiu 12,84m.
A primeira Olimpíada de Adhemar foi em Londres/48. Terminou
na oitava colocação. Em 50, superou os 16m, quebrando
pela primeira vez o recorde mundial do salto triplo,
com 16,01m. Ele reinou absoluto na modalidade por nove
anos, sagrando-se bicampeão olímpico e tricampeão pan-americano
(55, 57 e 59). Despediu-se das pistas em 60, nos Jogos
de Roma.
Trabalho - O maior atleta olímpico do Brasil
nunca deixou de trabalhar e estudar. Ele sempre dividiu
suas atividades esportivas com as funções de comentarista,
colunista e funcionário da prefeitura. Sua história
está no livro “Herói por nós — Adhemar Ferreira da Silva,
o ouro negro brasileiro", da jornalista Tânia Mara Siviero,
lançado este ano.
A importância de Adhemar é tamanha que ele é responsável
pelas duas estrelas colocadas acima do escudo do time
do São Paulo. Uma, pelo ouro em Helsinque, a outra,
pelo título do pan no México/55. Uma glória para poucos.
Drama e glória de João do Pulo
João Carlos de Oliveira entrou para a
história do esporte aos 21 anos e virou João do Pulo
nos Jogos Pan-americanos do México em 75, quando bateu
o recorde mundial do salto triplo com a espantosa marca
de 17,89 m. O recorde, que superou em 50 centímetros
o anterior e ainda é a terceira melhor marca de todos
os tempos, só foi batido dez anos depois pelo norte-americano
Willie Banks, com 17,97m.
Para João só faltou o ouro olímpico. Foi bronze em Montreal-76
e Moscou-80, onde foi vítima da maior farsa da história
olímpica. Interesses de patrocinadores levaram os juízes
a anular o melhor salto do brasileiro (17,80m). Mais
tarde, o soviético Viktor Saneyev revelou que o salto
do brasileiro que foi dado como queimado pelos árbitros
era legítimo. Saneyev ficou com a medalha de prata enquanto
outro soviético, Jaak Udmae, ficou com a esperada medalha
de ouro.
No auge da carreira, outro duro golpe. Perto das festas
de final de ano, em 81, uma Brasília na contramão bateu
no Passat do campeão. João ficou vários dias entre a
vida e a morte, sobreviveu, mas teve sua perna direita
amputada. Fora das pistas, ainda foi deputado. Começou
a treinar em 98 para a Paraolimpíada de Sydney. Desgostoso
e com depressão, foi internado com pneumonia e hepatite
e morreu em maio de 99.
Um craque atropelado por fenômenos
Muitas vezes esquecido por surgir em meio
aos fenômenos Adhemar Ferreira e João do Pulo, Nelson
Prudêncio é o terceiro craque do triplo brasileiro.
Sua vida esportiva ficou marcada especialmente no dia
17 de outubro de 68, quando quebrou o recorde mundial
do salto triplo quatro vezes, na final da prova na Olimpíada
do México. Prudêncio disputava o ouro contra o italiano
Giuseppe Gentile e o soviético Viktor Saneyev. O soviético
levou a melhor. Alcançou 17,39m, superando o recorde
que Prudêncio havia batido no salto anterior, com 17,27m.
O brasileiro foi prata. Em Munique/72, Prudêncio ficou
com a medalha de bronze. No Pan de Winnipeg, no Canadá,
ficou com o segundo lugar.
E V O L U Ç Ã O
Salto triplo em Olimpíadas/masculino
|
1896
|
James B. Connoly
|
13m71
|
|
1900
|
Myer Prinstein
|
14m47
|
|
1904
|
Myer Prinstein
|
14m35
|
|
1908
|
Timothy Ahearne
|
14m92
|
|
1912
|
Gustaf Lindblom
|
14m76
|
|
1920
|
Vilho Tuulos
|
14m50
|
|
1924
|
Anthony Winter
|
15m52
|
|
1928
|
Mikio Oda
|
15m21
|
|
1932
|
Chuhei Nambu
|
15m72
|
|
1936
|
Naoto Tajima
|
16m00
|
|
1948
|
Arne Ahman
|
15m40
|
|
1952
|
A. Ferreira da Silva
|
16m22
|
|
1956
|
A. Ferreira da Silva
|
16m35
|
|
1960
|
Josef Schimidt
|
16m81
|
|
1964
|
Josef Schimidt
|
16m85
|
|
1972
|
Viktor Saneyev
|
17m39
|
|
1984
|
Viktor Saneyev
|
17m35
|
|
1976
|
Maurice Wilkins
|
17m50
|
|
1980
|
Jaak Udmae
|
17m35
|
|
1984
|
Al Joyner
|
17m26
|
|
1988
|
Khristo Markov
|
17m61
|
|
1992
|
Michael Conley
|
18m17
|
|
1996
|
Jonathan Edwards
|
17m67
|
|
2000
|
Jonathan Edwards
|
17m71
|
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