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Foto Gazeta Press
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O campeão descalço

ABEBE BIKILA INICIOU A TRADIÇÃO AFRICANA EM MARATONA

Abebe Bikila pertencia à guarda do imperador Hailé Selassié, da Etiópia, e se alistou cedo no exército, com apenas 17 anos. Membro de uma numerosa família, viu no serviço militar uma forma de ganhar o sustento de seus parentes. Os membros da guarda imperial eram famosos por sua resistência, mas Abebe só tinha corrido como forma de sobrevivência. O sábio destino o colocou nas mãos do talentoso treinador sueco Onni Niskanen, que pacientemente o transformou em uma máquina de engolir quilômetros. Detalhe curioso: descalço. Abebe dizia que corria as maratonas sem nada nos pés para mostrar que seu pobre país era rico em determinação. E seus tempos, de fato, eram melhores quando estava sem tênis, o que impressionou todo o mundo.

Em 1960, virou lenda ao cruzar o Arco de Constantino, em Roma, descalço. Com a sola dos pés ferida, estabelecia novo recorde mundial da maratona, com o tempo de 2h15min16s. Quatro anos depois, nos Jogos de Tóquio, repetiu a façanha. Dessa vez calçado. Abebe correu logo após uma cirurgia de apêndice, feita apenas 35 dias antes. Cerca de 500 mil japoneses o acompanhavam. Cruzou a linha de chegada e divertiu os espectadores com suas acrobacias. Bikila torna-se o único bicampeão olímpico da maratona.

No México, em 1968, Abebe não conseguiu ganhar a terceira medalha de ouro na maratona olímpica. Mas, um compatriota manteve o domínio etíope na história da prova. Poucos sabiam que o bicampeão tentou sua terceira medalha com uma fissura na perna direita, que se complicou com problemas de rigidez e circulação. O etíope aparecia como favorito nos prognósticos. Mas abandonou a prova no quilômetro 17, indo direto para ambulância. Assim terminou a terceira participação olímpica do maior maratonista que já se viu.
Em março de 1969, a carreira de Bikila se encerrou com um grave acidente automobilístico, que o deixou paralítico. A orgulhosa Etiópia não mais veria o campeão africano voando e brilhando pelas ruas. Uma hemorragia cerebral, quatro anos mais tarde, matou o ídolo a 23 de outubro de 1973, aos 41 anos.

Ronaldinho bate recorde

Ele surgiu do nada. Praticamente desconhecido, o brasileiro Ronaldo da Costa quebrou, em 1998, na maratona de Berlim, a melhor marca da prova, que há dez anos pertencia a Belayneh Dinsamo.

Ronaldinho, como ficou conhecido, estabeleceu o tempo de 2h06m05s para o percurso de 42,195km.
O Brasil, após 13 anos de ausência no quadro de melhores marcas da IAAF (Federação Internacional de Atletismo), voltava a ter um atleta com uma melhor marca dentre as provas olímpicas. No entanto, seguidos problemas afetaram a vida do maratonista brasileiro, que nunca voltou a reeditar o bom rendimento de sua temporada de 1998. Nos anos subseqüentes diversos problemas começaram a perseguir o campeão.

Primeiro as seguidas contusões na panturrilha, culpada por inúmeras desistências em provas nacionais e internacionais, além de se tornarem desculpas para colocações bastante inferiores às do ano de 98.

De São João Nepomuceno-MG, terra natal do corredor, veio a pior ameaça. Três homens teriam ameaçado de morte o brasileiro, que se viu obrigado a se refugiar em Porto Alegre.

Fora da Olimpíada de Sydney, Ronaldo tenta reeguer sua carreira. Casado e pai de um filho, espera que 2001 seja o ano de sua ressureição para as maratonas.

Confusões na história da maratona

Poucas provas provocaram tantas polêmicas em Olimpíadas como as maratonas. Em Paris/1900 o COI suspendeu a entrega de medalhas da prova devido às acusações de trapaças. Em Saint Louis/1904, Fred Lorz percorreu 17km do percurso escondido em uma carroça de feno. Acabou desclassificado. Em Berlim/1936, Kitei Son, correndo pelo Japão, que na época dominava a Coréia do Sul, foi o vencedor. Em Seul/1988, o COI reconheceria que Son, cujo nome verdadeiro era Sohn Kee-chung, era coreano e transferiu a medalha para o Coréia do Sul. Sohn acendeu a pira olímpica na Olimpíada coreana.

E V O L U Ç Ã O

Maratona em Olimpíadas/masculino

1896
Spyridon Louis
3h06'03"
1900
Michel Théato
2h59'45"
1904
Thomas Hicks
3h28'53"
1908
John Hayes
2h55'18"4
1912
Kenneth McArthur
2h36'54"8
1920
Johan Kolehmainen
2h32'35"8
1924
Albin Stenroos
2h41'22"6
1928
Boughèra El Ouafi
2h32'57"
1932
Juan Carlos Zabala
2h31'36"
1936
Sohn Kee-chung
2h29'19"2
1948
Delfo Cabrera
2h34'51"6
1952
Emil Zatopek
2h23'03"2
1956
Alain M O´Kacha
2h25'00"
1960
Bikila Abebe
2h15'16"2
1964
Bikila Abebe
2h12'11"2
1968
Mamo Wolde
2h20'26"4
1972
Frank Shorter
2h12'19"8
1976
Waldemar Cierpinsky
2h09'55"
1980
Waldemar Cierpinsky
2h11'03"
1984
Carlos Lopes
2h09'21"
1988
Gelindo Bordin
2h10'32"
1992
Young Cho Hwang
2h13'23"
1996
Josia Thugwane
2h12'36"
2000
Gezahge Abera
2h10'11"

 

 

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