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A rainha de todos os Jogos

APÓS 12 ANOS DE RECESSO, SURGE UMA RAINHA NO ATLETISMO


As pistas não eram as mais apropriadas. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa ainda se recuperava da destruição causada pelo nazismo de Hitler, quando o COI (Comitê Olímpico Internacional) resolveu, após 12 anos de recesso, voltar a realizar uma Olimpíada.

A Inglaterra, que não fora tão atingida pelos bombardeios, se ofereceu para abrigar o evento. No entanto, as condições da época (1948) eram mais do que precárias.

Em uma pista forrada com pó de carvão que, quando castigada pelas chuvas e pelas fortes passadas do corredores virava um lamaçal, surgiu aquela que seria considerada a Victrix Ludorum, "Rainha dos Jogos", título até então nunca oferecido pelo COI a nenhum atleta.

Aos 30 anos, a holandesa Francina Blankers-Koen, ou simplesmente, Fanny Blankers, chegou a Londres com uma biografia impecável, embora tenha um detalhe pouco comum aos atletas de ponta: era mãe de dois filhos, que haviam ficado em Amsterdam.

No entanto, dentro das pistas, a "Mamãe Maravilha" era imbatível. Detentora de nove recordes mundiais, Fanny optou por disputar apenas quatro provas, três na verdade, já que o marido e treinador Jan Blankers a convencera, em cima da hora, a participar da prova de revezamento 4x100m. Remanescente dos Jogos de Berlim, quando aos 18 anos, Fanny teve que amargar a não realização de duas Olimpíadas.

Em sua primeira prova, na enlameada pista do Empire Stadium de Wembley, Fanny conquistou o seu primeiro ouro, nos 100m. Depois viria a segunda medalha, nos 80m com barreiras, de quebra, com recorde olímpico. A vitória consagradora seria nos 200m. Com seis metros de vantagem para a segunda colocada, fato até hoje não repetido, ela cruzou a linha de chegada para a terceira medalha no evento.

Por fim, Blankers ganhou ouro no revezamento, após pegar o bastão em quarto lugar. Foi a única mulher na história a acumular quatro ouros em uma mesma Olimpíada. Em Helsinque-1952, ficou fora devido a infecção sangüínea. Ainda assim, estabeleceria recordes mundiais no pentatlo e nas 220 jardas.

Um campeão fenomenal

Nenhuma prova foi tão disputada na Olimpíada de Londres, em 1948, como o decatlo. Na única Olimpíada da década, após 12 anos de recesso, os decatletas tiveram que enfrentar condições precárias para poder terminar a competição que definiria o atleta mais completo do mundo.

Um jovem norte-americano, nascido em Tulore, na Califórnia, apaixonado pelo futebol americano, acabou conseguindo a proeza de, na sua terceira disputa oficial do decatlo sagrar-se campeão olímpico. Incentivado pelo técnico, Virgil Jackson, Robert Bruce Mathias encantou os amantes do esporte ao arremessar o disco, uma das provas do decatlo, a uma distância inimaginável de 45 metros.

Devido ao campo enlameado, os fiscais demoraram 30 minutos para achar o local correto, e acabaram incorretamente determinando o lançamento como 44 metros, episódio que revoltou a delegação norte-americana.

Nas demais disputas, muitas realizadas a noite em virtude da má organização dos responsáveis e iluminadas por faróis de automóveis, Bob Mathias, como era chamado, venceu com facilidade seus mais temerosos adversários.

Em 1950 seria o primeiro homem a superar a marca dos 8 mil pontos.

O afilhado de Jesse Owens preserva o mito

Um aficionado das conquistas de Jesse Owens. Essa é a definição para Harrison Dillard, um corredor norte-americano desconhecido, até então especialista nos 110 metros com barreiras.

Sem obter classificação na sua prova favorita, Dillard se contentou com o quarto posto norte-americano na prova dos 100m.

Seu reforço para não fazer feio: as sapatilhas doadas pelo ídolo Owens, com pregos, a mesma que havia encantado o mundo em 36.

Fato é que, quando alinhou para a final dos 100m, poucos esperavam que Dillard conquistasse algo perante os seus conterrâneos. Acabou ficando com a medalha de ouro.

E V O L U Ç Ã O

100m feminino em Olimpíadas

1928
Elizabeth Robison
12''2
1932
S. Walasiewicz
11''90
1936
Helen Stephens
11''50
1948
F. Blankers Koen
11''90
1952
Marjorie Jackson
11''50
1956
Betty Cuthbert
11''50
1960
Wilma Rudolph
11''00
1964
Wynomia Tyus
11''4
1968
Wynomia Tyus
11''08
1972
Renate Stecher
11''07
1976
Annegert Richter
11''08
1980
Lyudnila Kondratyeva
11''06
1984
Evelyn Ashford
10''97
1988
Florence G. Joyner
10''54
1992
Gail Devers
10''82
1996
Natalya Voronova
11''45
2000
Marion Jones
10''75

200m feminino em Olimpíadas

1948
F. BlankersKoen
24''4
1952
Marjorie Jackson
23''7
1956
Betty Cuthbert
23''4
1960
Wilma Rudolph
24''
1964
Edith McGuire
23''
1968
Irena Kirzenstein
22''58
1972
Renate Stecher
22''40
1976
Baerbel Eckert
22''37
1980
Baerbel Eckert
22''03
1984
Valerie B. Hooks
21''81
1988
Florence G. Joyner
21''34
1992
Gwen Torrence
21''81
1996
Marie Jose Perec
22''12
2000
Marion Jones
21''84


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