| Foto Gazeta Press |
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Rei brasileiro dos 800
m
O CORREDOR BRASILEIRO TEM O ÚNICO
OURO DO BRASIL EM PROVAS DE PISTA
Durante toda a adolescência, Joaquim Cruz tinha um sonho:
ser jogador de basquete. Esguio, com 1,86m, parecia
a escolha certa. Mal sabia o brasiliense de Taguatinga,
a 25 km de Brasília, que o destino lhe reservara um
lugar de destaque nas pistas.
A sorte começou a mudar quando Joaquim Cruz conheceu
o técnico Luiz Alberto de Oliveira, seu grande companheiro
no restante de sua carreira. Após muita insistência,
Cruz trocou o sonho do basquete pelas provas de meio-fundo.
Começou aí a trajetória do maior atleta brasileiro de
pista da história.
Em apenas dois anos de atletismo foram sete medalhas
de ouro, uma de bronze e três recordes sul-americanos.
Joaquim Cruz surpreendeu ao superar o cubano campeão
olímpico Alberto Juantorena, na primeira Copa do Mundo.
Em 1982, Cruz muda-se definitivamente para os Estados
Unidos. Lá descobre que sua perna direita é 2 centímetros
mais curta. A Nike providencia um tênis especial, com
sola mais alta para o pé direito.
Em 84, a consagração, nos Jogos de Los Angeles. Cruz
entra no estádio olímpico para enfrentar o inglês Sebastian
Coe, recordista mundial, na final dos 800 metros. Obstinado,
o brasileiro não dá chances ao adversário e crava o
novo recorde olímpico, 1min43s00. É a primeira medalha
de ouro de pista da história do atletismo brasileiro.
Após duas cirurgias, Cruz está de volta para uma nova
Olimpíada. Em Seul/88, tenta reeditar o feito dos 800
metros, mas é surpreendido pelo queniano Paul Ereng,
e fica com a medalha de prata.
“Eu olhei para o telão do estádio e me vi na frente,
na reta de chegada. Achei que tinha ganho. Na verdade,
eu havia perdido a concentração: quem está 110% concentrado
não olha para o telão, nem quando está na frente”, lamentaria
mais tarde o brasileiro.
Nosso melhor velocista
O estilo brincalhão, até mesmo arrogante
marcou a carreira do melhor velocista brasileiro no
século. Róbson Caetano colecionou vitórias nas provas
dos 100 e 200 metros, títulos que no Brasil sempre escassearam.
Seu maior momento, sem dúvida, foi a medalha de bronze
nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. No decorrer das
fases eliminatórias, Róbson foi melhorando paulatinamente
as suas marcas, até, na disputa final, conseguir igualar
o recorde sul-americano, ficando atrás apenas de Joseph
DeLoach e Carl Lewis.
Róbson ficaria à frente do britânico Linford Christie
que, oito anos mais tarde, surpreenderia os favoritos
norte-americanos ao vencer os 100 metros em Atlanta-96,
sagrando-se o homem mais rápido do mundo.
Após uma apagada atuação nos Jogos de Barcelona, Róbson
ajudou o Brasil a conquistar a medalha de bronze no
revezamento 4x100 metros, nos Jogos Olímpicos de Atlanta.
Durante sua carreira Róbson, colecionou títulos. Foi
tricampeão da Copa do Mundo nos 200 metros, tetracampeão
ibero-americano nos 100 e 200 metros, além seis medalhas
em Pan-Americanos.
Zequinha, um fundista consistente
José Luiz Barbosa foi outro grande corredor
brasileiro nas provas de fundo, particularmente os 800
metros. Segundo Joaquim Cruz, seu principal adversário
em terras tupiniquins, Zequinha foi o “corredor brasileiro
que mais tempo conseguiu permanecer na elite do atletismo
mundial”.
Razões não faltam para esta afirmação. Entre os anos
de 1986 e 1994, Zequinha permanceu entre os 10 melhores
do mundo no ranking anual da Federação Internacional
de Atletismo (IAAF).
No entanto, Zequinha Barbosa não conseguiu realizar
o seu grande sonho: conquistar uma medalha olímpica.
Em Barcelona 1992, vivendo o seu melhor momento, Zequinha
deixou escapar por meros segundos a medalha de bronze,
terminando a prova olímpica dos 800 metros na quarta
colocação.
Se as OIlimpíadas foram o grande fracasso na vida do
fundista brasileiro, Zequinha primou por suas participações
em Campeonatos Mundiais. Em Roma-87, ficou com a medalha
de bronze. Em Tóquio, 1991, ficou com a medalha de prata,
sempre nos 800 metros. Sua última grande conquista foi
a medalha de ouro no Pan-Americano de Mar del Plata,
em 1995. Zequinha encerrou sua carreira no Troféu Brasil
deste ano.
E V O L U Ç Ã O
800 metros em Olimpíadas/masculino
|
1896
|
Edwin Flack |
2'11"00 |
|
1900
|
Alfred Tysoe |
2'01"20 |
|
1904
|
James Lightbody |
1'56"00 |
|
1908
|
Melvin Sheppard |
1'52"80 |
|
1912
|
James Meredith |
1'51"90 |
|
1920
|
Albert Hill |
1'53"40 |
|
1924
|
Douglas Lowe |
1'52"40 |
|
1928
|
Dougla s Lowe |
1'51"80 |
|
1932
|
Thomas Hampson |
1'49"70 |
|
1948
|
John Woodruff |
1'52"90 |
|
1952
|
Malvin Whitfield |
1'49"20 |
|
1956
|
Malvin Whitfield |
1'49"20 |
|
1960
|
Tom Courtney |
1'47"70 |
|
1964
|
Peter Snell |
1'46"30 |
|
1968
|
Ralph Doubell |
1'44"30 |
|
1972
|
Daniv Wottle |
1'45"90 |
|
1976
|
Alberto J. Danger |
1'43"50 |
|
1980
|
Steven Ovett |
1'45"40 |
|
1984
|
Joaquim Cruz |
1'43"00 |
|
1988
|
Paul Erenge |
1'43"45 |
|
1992
|
William Tanui |
1'43"66 |
|
1996
|
Vebjoerne Rodal |
1'42"78 |
|
2000
|
Nils Schuman |
1'45"08 |
|