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A Locomotiva faz história
ÚNICO A VENCER OS 5 MIL, 10 MIL
E MARATONA EM UMA OLIMPÍADA
O tcheco Emil Zatopek cunhou para si, com passadas largas,
a justa alcunha A Locomotiva Humana. Herói em seu país,
lenda no esporte, marcou a história do atletismo com
um feito único. Nos Jogos de Helsinque, em 1952, na
Finlândia, venceu os 5 mil e 10 mil metros e a maratona.
A medalha nos 5 mil metros foi conquistada com um espetacular
sprint nos 200 metros finais, em uma das corridas mais
emocionantes de todos os tempos. “Queria ganhar sempre.
Em Helsinque, me senti cansado, mas ultrapassei meus
rivais”, relembrou Zatopek, certa vez, a um biógrafo.
Nos Jogos de Londres/48, o atleta registraria mais uma
façanha: ficou com o ouro nos dez mil e prata nos cinco
mil metros.
Não foi só em Jogos Olímpicos que Zatopek destacou seu
nome. Ele foi o primeiro a correr os 20 quilômetros
em menos de uma hora. Acumulou 18 recordes mundiais,
quebrados ao longo de sua carreira nas mais diversas
provas. Entre elas, 25 e 30 quilômetros, corrida de
uma hora, e seis e dez milhas.
Zatopek tinha métodos pouco ortodoxos de treino, que
mais tarde seriam adotados por milhares de atletas no
mundo todo. Em vez de correr longas distâncias, ele
preferia correr vários trechos de 400 metros em alta
velocidade.
O tcheco também marcou seu nome na história da Corrida
Internacional de São Silvestre. Em 53, ele venceu a
competição, deixando para trás o iugoslavo Franjo Mihalic
(vencedor das edições de 52 e 54), a 500 metros de distância,
em uma prova disputada em 7.300 metros.
Em 1958, a Locomotiva se despedia gloriosamente, no
cross country de San Sebastian, na Espanha, onde obteve
a sua última grande vitória, aos 35 anos. Depois, o
atleta continuaria a correr eventualmente como demonstração
para seus alunos nas inúmeras exibições que fez por
países do bloco socialista.
Zatopek morreu no dia 22 de novembro passado, aos 78
anos, depois de lutar durante 22 dias contra um derrame
cerebral que o atingiu sem piedade. Em setembro, ele
já havia sido hospitalizado devido a uma febre alta
e pneumonia, que debilitou sua atividade coronária.
Primeira medalha
O carioca José Teles da Conceição trouxe
a primeira das 12 medalhas olímpicas do atletismo do
Brasil. Foi nos Jogos de Helsinque/52, na Finlândia,
que o atleta conquistou a terceira colocação no salto
em altura e fez tremular a bandeira brasileira nas pistas
pela primeira vez.
Teles da Conceição era um dos principais participantes
da delegação brasileira na Finlândia. Como recordista
brasileiro e sul-americano, ele estava pronto para o
momento da consagração.
Teles chegou a saltar 1,98m, mas dois norte-americanos
foram além: Walter Davis, que conseguiu a incrível marca
de 2,04m e Ken Wiesner, que saltou 2,01m.
O brasileiro ainda disputou a prova do salto em distância,
classificando-se para a final em terceiro lugar. Porém,
não repetiu o êxito do salto em altura e acabou ficando
sem medalha nesta modalidade.
Logo depois do feito de Teles da Conceição, Adhemar
Ferreira da Silva tornou-se um dos maiores triplistas
de todos os tempos.
Depois, o atleta disputou vários campeonatos sul-americanos
onde dominava o salto em altura, com importante presença
também nos 200 m rasos e no salto em distância. José
Teles da Conceição teve fim trágico, assassinado em
uma praia do Rio de Janeiro.
As batalhas políticas do supercampeão
Devido à Segunda Guerra Mundial, Emil
Zatopek só teve a primeira oportunidade de correr em
uma pista olímpica em Londres, em 48. Seu esforço, porém,
não era apenas dirigido para a quebra de recordes nas
pistas. Contrário ao comunismo, ele participou ativamente
dos movimentos pela democratização da Tchecoslováquia.
Sua luta contra os regimes totalitários o levou aos
campos de batalha. Em 1945, foi convocado pelo serviço
militar do seu país. Por causa disso, teve de largar
a faculdade de Química, que viria a completar apenas
anos mais tarde, em meio aos treinamentos para as provas
de longa distância.
E V O L U Ç Ã O
5.000 metros em Olimpíadas/masculino
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1912
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J. Kolehmainem
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14´36´´6
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1920
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Joseph Guillemot
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14´´55´´6
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1924
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Paavo Nurmi
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14´31´´2
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1928
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Vilho Ritola
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14´´38´´0
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1932
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Lauri Lahtinen
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14´´30
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1936
|
Gunnar Hoeckert
|
14´22´´2
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1948
|
Gaston Reiff
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14´17´´6
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1952
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Emil Zatopek
|
14´06´´6
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1956
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Vladimir Kuts
|
13´39´´6
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1960
|
Murray Halberg
|
13´43´´4
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1964
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Robert Schul
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13´48´´8
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1968
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Mohamed Gammoudi
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14´´05´´0
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1972
|
Lassen Viren
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13´26´´4
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1976
|
Lassen Viren
|
13´21´´00
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1980
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Miruts Yfter
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13´05´´59
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1984
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Said Aoiuta
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13´05´´96
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1988
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John Ngugi
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13´35´´96
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1992
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Dieter Baumann
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13´12´´52
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1996
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Venuste Nivongabo
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13´07´´96
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2000
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Millon Wolde
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13´35´´49
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