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Foto Gazeta Press
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De fazendeiro a corredor

JIM CLARK DEIXA DE CRIAR OVELHAS PARA DOMINAR AS PISTAS

A f azenda em Kilmany, na Escócia, onde Jim Clark nasceu, era tranqüila demais. E o jovem, de família humilde, costumava trabalhar no pastoreio de ovelhas. “Sempre me senti fascinado pela velocidade. Os motivos? Não sei. Honestamente não posso explicar isso a ninguém”, confessava Clark. “Talvez porque eu sempre tive uma vida calma, tranqüila. Em síntese, lá em casa reinava muita paz. Acho que eu precisava de algo em que pudesse me expandir. E nada melhor do que as pistas”. Da pequena fazenda às margens do Mar do Norte, Jim Clark saiu para os circuitos. Começou testando velhos carros por estradas de terra do lugar onde vivia. Ali aprendeu sobre motores e válvulas.


Sua estréia para valer nas pistas aconteceu por acaso. Em 1956, Clark trabalhava como mecânico do piloto Scoty-Brown. O corredor pediu para que um membro de sua equipe experimentasse o carro. Clark assumiu o volante e surpreendeu a todos, fazendo tempos melhores que o piloto oficial.

Dois anos depois, toda a Escócia já o conhecia. Em 1960, chamou a atenção de Collin Chapman, um descobridor de talentos no automobilismo. No mesmo ano, estreou em Grandes Prêmios.
Para isso, Chapman fez com que fosse construída uma Lotus especialmente para Clark. Seu primeiro pódio (um terceiro lugar) foi conquistado na quinta prova, em Portugal. Ao final da temporada, terminou em sétimo lugar na competição. Em 1962 já era o maior rival do bicampeão mundial Graham Hill.

“Você sempre busca a perfeição, sem nunca alcançá-la. De vez em quando você consegue dizer: ‘É isso aí. Agora façam melhor, filhos da puta’. Essa é a essência do automobilismo. Nisso, Jimmy foi imbatível em sua época”, admitiu Hill certa vez. Os dois pilotos disputaram ponto a ponto a competição de 62. Um vazamento de óleo, quando liderava a corrida, tirou a maior chance de Clark e deu o título a Hill.

O primeiro campeonato do ex-criador de ovelhas — que também era amante de pratos refinados e boas bebidas, principalmente uísque — veio no ano seguinte, com sete vitórias. Ainda em 63, a Lotus iniciou um projeto para disputar as 500 Milhas de Indianápolis, que Clark viria a vencer em 1965.

Naquele ano, ele ainda conquistou o bicampeonato mundial de Fórmula 1, com seis provas vencidas durante a temporada.

Depois das curvas, árvores

Em sua última corrida, no circuito de Hockenheim, Jim Clark entrou na pista contrariado. Foi em 1968. A princípio, ele disputaria uma prova de protótipos na Inglaterra, atrás do volante de um Ford. Sua equipe de F-1, no entanto, a Lotus, o mandou para a Alemanha para uma disputa de F-2.

Na quinta volta da primeira bateria, com a pista molhada, o piloto escocês perdeu o controle de seu carro a 240 km/h e se chocou contra as árvores que ficavam próximas à pista.

Os motivos reais do acidente que provocou sua morte ainda hoje são obscuros, e existem muitas teorias a respeito.

Uns dizem que Clark teria desviado de um espectador que atravessara a pista; outros contam que um pneu estourou, fazendo-o perder o controle do carro. Acidentes foram freqüentes na vida do piloto escocês. Em 1961, em Nurburgring, uma junta de direção se quebrou e sua Lotus espedaçou-se contra as árvores. Clark voltou andando até os boxes e discutiu com Collin Chapman, dono da Lotus. “Sempre admiti meus erros”, gritava o piloto acidentado. “Mas você também tem que admitir os seus”.

A morte de Clark, para muitos, representa o fim da ‘era romântica’ da F-1. Coincidência ou não, no ano seguinte os grandes patrocinadores passaram a investir pesado no circo da categoria mais admirada do automobilismo mundial.

25
É seu número de vitórias na F-1 o que, na época, superou o recorde de Juan Manuel Fangio

Fatalidade
Em 1961, Clark se envolve em acidente em Monza e Wolfgang Von Tips, piloto da Ferrari, morre em decorrência da batida

Alta velocidade
Em 1965, quando venceu as 500 Milhas de Indianápolis, Jim Clark atingiu a velocidade de 242,5 km/h com sua Lotus/Ford verde. “Foi uma corrida perfeita”, dizia nos boxes após a prova

Campeão em 1963
Depois de três anos na F-1, Clark conquista seu primeiro campeonato com sete vitórias na temporada.

Bicampeão em 1965
Com seis vitórias no ano, Jim ganha sua segunda taça. Vence também as 500 Milhas de Indianápolis, nos EUA

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