| Foto Gazeta Press |
 |
| Foto Gazeta Press |
 |
|
Piloto
até o fim de seus dias
PENTACAMPEÃO DE F-1, FANGIO É O MAIOR
MITO DAS PISTAS
Em novembro de 1992, Juan Manuel Fangio criou uma polêmica
com o Parlamento da província de Buenos Aires, que tentava
aprovar uma lei que proibia pessoas com mais de 80 anos
de dirigir veículos motores. O pentacampeão mundial
de F-1 tinha, na época, 81 anos e protestou. “Se este
projeto de lei passar e a polícia me parar numa estrada,
azar. Vou continuar dirigindo”, dizia.
O maior nome do automobilismo no século 20, Fangio não
tinha carta de motorista quando competia na Europa,
e só foi renovar sua licença argentina em 1961, aos
50 anos. Até mesmo seu primeiro título na F-1 veio quando
o piloto já não era jovem. Tinha 40 anos. Fangio dominou
a categoria na década de 50, vencendo os campeonatos
de 1951 (pela equipe Alfa Romeo), 1954 e 1955 (Mercedes),
1956 (Ferrari) e 1957 (Maserati).
Em 51 GPs disputados, Fangio venceu 24 deles, fez 28
poles, 23 melhores voltas e 48 largadas na primeira
fila. Além do pentacampeonato, o piloto argentino, nascido
na cidade de Balcarce (400 Km de Buenos Aires), em 24
de junho de 1911, foi duas vezes vice-campeão: em 1950
pela equipe Alfa Romeo e em 1953 com a Maserati. Depois
de oito anos nas pistas da F-1, abandonou a categoria
em 1958 como um mito.
Com um volante nas mãos, Fangio, que na juventude tinha
se arriscado no futebol, deu uma direção ao esporte
de uma forma que nem Maradona conseguiu com a bola nos
pés. Na época em que disputiu com os legisladores, Fangio
estava com cinco pontes de safena, mas continuava a
disputar competições de carros antigos. E, apesar da
idade, desafiava os membros do Parlamento: “Com carros
iguais, veremos quem chega primeiro.” O piloto morreu
em 1995, sem que ninguém se atrevesse a aceitar sua
proposta.
Sequestrado pela guerrilha
Já consagrado com cinco títulos mundiais de F-1, Juan
Manuel Fangio protagonizou — involuntariamente — em
Cuba uma das histórias mais curiosas do automobilismo.
Em 1958, quando seria disputada a etapa caribenha da
competição, na cidade de Havana, o piloto argentino
foi seqüestrado pelos guerrilheiros urbanos do M-26
(Movimento 26 de Julho), ligados à revolução socialista
que estava em curso na ilha. Fangio foi mantido em cativeiro
durante 26 horas, mas não foi maltratado. Os seqüestradores
queriam apenas chamar a atenção da imprensa mundial
para a ditadura de Fulgêncio Batista. E Fangio ficou
amigo dos guerrilheiros.
Ao ser libertado, dirigiu-se à embaixada argentina e
comentou com um dos funcionários: “Esses são meus amigos,
os seqüestradores.” Poucos meses antes de morrer, em
1995, o ex-piloto argentino se reencontrou com um deles,
Arnold Rodrigues. Como o ex-guerrilheiro estava muito
doente, conseguiu pronunciar apenas a palavra “Batista”,
em uma referência ao temor que a ditadura de Fulgêncio
despertara. Fangio foi amigo da guerrilha cubana e o
maior piloto da “era romântica” do esporte motor, de
pilotos-cavalheiros, que eram mais aventureiros que
profissinais. Foi reconhecido por todos. “Ele foi o
maior piloto de todos os tempos”, disse Niki Lauda.
47
Anos foi a idade com que Fangio conquistou o pentacampeonato
mundial de Fórmula 1
O melhor
Ayrton Senna, tricampeão de F-1 e um dos
melhores do automobilsmo, tinha Juan Manuel Fangio como
o seu maior ídolo
"O manco"
AO jeito cadenciado de andar garantiu ao pentacampeão
mundial de F-1 o apelido de “Chueco” (o manco)
Campeão em 1951
Fangio fez 31 pontos na copetição,
com três vitórias na temporada, sete primeiras
filas e quatro poles
Bicampeão em 1954
O piloto fez 42 pontos, tendo conquistado seis vitórias,
oito primeiras filas e cinco poles
Tricampeão em 1955
Pilotando um Maserati, fez 40 pontos com quatro
vitórias. Marcou três poles e seis primeiras filas
Tetracampeão em 1956
Com uma Ferrari, conquistou 30 pontos, três vitórias,
sete primeiras filas e cinco poles
Pentacampeão em 1957
Fangio marcou 40 pontos na temporada, com quatro
vitórias, seis primeiras filas e quatro poles
|