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Campeão
que veio das cinzas
NIKI LAUDA VENCE AS QUEIMADURAS NO CORPO E É
CAMPEÃO
Uma máquina feroz, disposta a tudo. Assim o austríaco
Andreas Nicolaus Lauda, o Niki Lauda, se definiu no
livro Protocolo — meus anos com a Ferrari, em 1977.
Um ano antes, Lauda sofrera o acidente mais grave de
sua carreira, em Nurburgring (Alemanha). Sua Ferrari
derrapou, bateu e começou a pegar fogo. Longe do socorro
médico, a Máquina percebeu que era um homem e poderia
morrer, mais cedo ou mais tarde. Trinta e sete dias
depois do acidente e muitas cirurgias para recuperar
parte do rosto que ficou desfigurado, Lauda voltava
às pistas. O austríaco trazia consigo o título da temporada
passada e estava disposto a mostrar que não seria um
muro que o impediria de concretizar seus objetivos.
No ano seguinte, 1977, Lauda se tornou bicampeão mundial
e a confirmação de sua competência viria na década seguinte,
em 84. A Máquina chegava ao seu terceiro título, pilotando
uma McLaren. “Não havia motivo algum para parar de correr.
Conheço os perigos da Fórmula 1 e estive mais perto
da morte do que qualquer pessoa. Por isso, sei o que
é viver. E minha vida é correr”, dizia Lauda para justificar
sua decisão de voltar às pistas pouco mais de um mês
depois de quase ter morrido.
Lauda tinha todos os quesitos para ser considerado um
privilegiado. Nascido em berço burguês, o piloto freqüentou
os melhores colégios da Áustria. Aprendeu cedo a lidar
com as artimanhas dos negócios, olhando o avô — membro
do conselho administrativo de um banco —, e o pai (um
industrial) trabalharem.
Contudo, para ingressar de vez nas pistas, Lauda começou
dando a própria vida como garantia. A família, mesmo
abastada, não deu um centavo para que ele pudesse correr.
Assim, o piloto teve de fazer um seguro de vida — empréstimo
avaliado em cerca de US$ 100 mil no Banco da Áustria
para conseguir correr de Fórmula 2.
Lauda deixou de pagar para correr em 73, quando foi
contratado pela BRM. Em 74, quando Émerson foi campeão,
a Ferrari o contratou e Lauda terminou a temporada em
quarto. Em 75, levaria pela primeira vez a taça de campeão,
deixando Émerson com o vice-campeonato.
Namoro que quase deu em tri
Niki Lauda teve de comprar seu lugar nas pistas até
1973, quando foi contratado pela BRM. Mas o austríaco
só teve a chance de mostrar do que era capaz quando
um jovem assumiu o comando esportivo da escuderia italiana,
em 74. Era o então desconhecido Luca di Montezemolo,
que teve a ousadia de contratar Lauda.
O piloto era visto pelos apaixonados italianos apenas
como mais uma figura antipática no circo da F-1, mas
Lauda conquistou, com seu talento, a simpatia dos ferraristas.
A paixão pelo Cavalino Rampante se alastrava pelo mundo
a cada título mundial que a equipe conquistava. Antes
de Lauda, a Ferrari já havia conquistado seis campeonatos.
Porém, o austríaco tinha motivos de sobra para ser idolatrado.
Antes dele, apenas o italiano Alberto Ascari havia conseguido
ser bicampeão pela escuderia — nem o próprio Fangio
conseguiu mais de um título com o Cavalino.
Lauda ganhou os campeonatos de 75 e 77 e, se não fosse
o grave acidente em 76, teria sido facilmente o único
tricampeão pela equipe.
Depois do austríaco, a Ferrari ainda faria mais um campeão,
o sul-africano Jody Scheckter, em 79. Depois disso,
amargaria 20 anos de espera para ver de novo um piloto
vestido de vermelho ser campeão. Schumacher tirou o
Cavalino da fila neste ano e promete seguir os passos
vitoriosos de Lauda.
9
Pole positions foi o que Niki Lauda conseguiu em
seu primeiro ano dirigindo uma Ferrari
Sucesso
Michael Schumacher promete seguir os passos de Lauda
e se consagrar como o maior campeão pilotando uma Ferrari
O maior
Mesmo tendo sofrido um grave acidente, Niki Lauda
poderia ter sido campeão pela Ferrari em 76. O austríaco
chegou à última corrida liderando o campeonato, mas
desistiu de correr por causa da chuva e perdeu o título
Campeão em 1975
Niki Lauda bateu Émerson Fittipaldi e levou a Ferrari
ao título depois de vencer cinco corridas
Bicampeão em 1977
O Um ano depois de quase morrer, Lauda conquistou
seu segundo título, dirigindo uma Ferrrari
Tricampeão em 1984
Agora na McLaren, Lauda foi campeão apenas meio
ponto à frente de Prost, seu companheiro de equipe
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