| Foto Gazeta Press |
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Um
polêmico tricampeão
PIQUET SEMPRE BRIGOU PELO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO
Nelson Piquet, assim como Émerson Fittipaldi e Ayrton
Senna, foi um piloto que contribuiu muito para a divulgação
do talento dos corredores brasileiros no exterior. Mesmo
assim, a maioria dos dirigentes da Confederação Brasileira
de Automobilismo não pode nem ouvir falar do nome Piquet.
Polêmico, o tricampeão mundial de F-1 sempre gostou
de brigar pela divulgação do automobilismo no Brasil
e, por causa de sua insistência e discordância com as
regras vigentes, por várias vezes bateu de frente com
os manda-chuvas da CBA. Sempre reclamou que a torcida
de seu País só conhecia a F-1 e a F-Indy. Seu sonho
era ver outras categorias vingando aqui dentro, o que
estimularia o maior surgimento de novos talentos. “Para
falar a verdade, sou mais conhecido no mundo do que
no Brasil”, nunca cansou de desabafar, mostrando inconformismo.
Se fosse pelo desejo de sua família, o carioca Piquet
seria jogador de tênis. Foi passando férias na Califórnia
(EUA) que surgiu seu interesse pelo automobilismo. Fez
um curso de mecânica e passou a integrar a equipe do
amigo Alex Dias Ribeiro, em Brasilía (DF). Depois, seguiu
o caminho natural por categorias inferiores do esporte
motor (kart, F-Super Vê, F-3) até chegar à F-1.
Ali, participou de 204 GPs, conquistou 23 vitórias,
24 poles e 23 voltas mais rápidas, totalizando 463 pontos.
O primeiro mundial que venceu foi o de 1981, pilotando
a Brabham, que lhe daria o bi dois anos mais tarde.
Ficou sete anos no time (1979-1985) e, depois, transferiu-se
para a Williams, na qual venceria a temporada de 1987,
consagrando-se tricampeão.
Piquet também polemizou com outro ídolo da torcida brasileira,
Ayrton Senna, seu adversário nas pistas. Ao The Times,
disse certa vez que o piloto “copiava tudo” o que ele
fazia. “Se Ayrton tivesse aparecido cinco anos antes,
não teria ganhado nada. Senna era talentoso, mas teve
sorte de estar na F-1 na hora certa”, avaliou.
Depois de abandonar a categoria, em 91, tentou a F-Indy.
Em maio do ano seguinte, acidentou-se nos treinos das
500 Milhas de Indianápolis. Foi para lá novamente em
93, mas não completou a prova.
Alma e espírito de moleque
Ao contrário do que muita gente imagina, Nelson Piquet
nunca foi uma pessoa azeda, como tanto se propalou na
época em que ele disputava provas em todo o mundo. Na
verdade, as molecagens de um dos tricampeões do mundo
de F-1, começaram ainda no fim da adolescência, quando
ele pegava emprestado, logo pela manhã, o carro da irmã,
em Brasília, e ia disputar corridas em outros Estados.
Ele só devolvia o carro à tarde, limpo e cheiroso, como
se tivesse dado apenas um passeio. Para despitar ainda
mais e não correr o risco de ser pego pelos parentes,
inscrevia seu nome de forma incorreta no capô: Picket.
“Se fosse fotografado, ninguém iria perceber”, pensava.
As aventuras de Piquet não se limitavam às pistas. Em
uma tarde na capital federal, os clientes de uma grande
rede de supermercados começaram a ouvir sons de automóvel
emitidos por duas pessoas. O barulho incomodava todo
mundo, a ponto de um dos gerentes do lugar acionar os
seguranças.
Mas não precisava tanto. Logo em seguida, surgia por
entre os corredores duas crianças grandes: Nelson Piquet
e o sempre parceiro Roberto Pupo Moreno. os dois simplesmente
estavam disputando uma corrida com os carrinhos do supermercado.
Até mesmo depois de sofrer o pior acidente de sua vida
(Indianápolis/93) e perder parte dos dedos do pé, ele
não perdeu a chance para mais uma brincadeira. “Agora,
posso economizar, pois vou comprar um sapato de número
menor”.
300
Km/h era velocidade do carro de Piquet quando ele
se acidentou em Indianápolis, em 1992
Tenista
O sonho da família Piquet era que seu filho Nelson
fosse um profissional das quadras de tênis e não das
pistas de corrida
Boca aberta
O tricampeão mundial de F-1 sempre discutiu com
os dirigentes da Confederação Brasileira de Automobilismo,
pretendendo estimular o surgimento de novas categorias
no Brasil, que segundo ele só conhece F-1 e F-Indy
Campeão em 1981
No cockpit da Brabham, Nelson Piquet venceu sua
primeira temporada na F-1 com 50 pontos e três vitórias
Bicampeão em 1983
Depois de um segundo lugar no campeonato do ano
anterior, o brasileiro ergueu sua segunda taça na categoria
Tricampeão em 1987
Achando-se preterido na Brabham, Piquet deixou o
time em 85. Foi para a Williams e, dois anos depois,
era campeão
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