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Foto Gazeta Press
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Preocupado com segurança

TRICAMPEÃO DE F-1, JACKIE STEWART LUTAVA PELA CATEGORIA

Mais do que um tricampeão mundial de F-1, o escocês Jackie Stewart se notabilizou por defender a segurança dos corredores nas pistas. Em seu livro autobiográfico (Rápido! O Diário de um Piloto), que abrange o período de dezembro de 1969 a abril de 1971, Stewart confessa sua preocupação com a morte.

“Em agosto de 1970, Helen e eu completamos nove anos de casamento, o mesmo tempo que eu tenho de corridas. Todas as angústias que sofremos se concentram no espectro de um acidente, mas só quando Jim Clark morreu, há dois anos, foi que sentimos diretamente o problema”, escreveu o escocês, que era muito ligado ao seu compatriota, bicampeão mundial.

Stewart criticava o automobilismo por ser um esporte tão rico e, ao mesmo tempo, displicente com a vida humana. Ele contava os casos de Jochen Rindt, abandonado pela Lotus no hospital após acidente sofrido em Barcelona, e também o de Robins Widows, que quebrou o nariz em um Grande Prêmio francês e foi operado sem anestesia.
“São pesadelos que a gente julga impossíveis de acontecerem, mas que acontecem”, dizia. “É difícil imaginar que em um esporte tão organizado, com capital enorme investido, as coisas deixem de funcionar no momento do acidente”.


Nascido em 1939, Jackie Stewart estreou na F-1 em 1965, correndo pela BRM e terminou a temporada em terceiro lugar. Ficou na equipe por dois anos. Depois, ingressou na Matra/Ford. Ficou três anos no time e encerrou a carreira na Tyrrel, em 1973. Em 99 GPs disputados, venceu 27, fez 17 poles, levantou a taça de campeão três vezes (69, 71 e 73) e a de vice duas (68 e 72).

Apesar de ídolo mundial, o escocês se mostrava apolítico. “Não tenho nenhum interesse pela política. A maioria das coisas que não incide diretamente em minha vida me parece muito remota”, confessou na década de 70. “É uma coisa terrível, mas confesso que não reajo diante do que está acontecendo no Vietnã. Me afasto disso. Para mim, o Vietnã não passa de uma selva verde”. E também se achava um conservador: “Um piloto não pode ser um radical, dado à espontaneidade e entusiasmos.”

Só faltou ganhar fois GPs

Jackie Stewart guarda consigo uma frustração: nunca ter vencido GPs no Brasil e Áustria. “Em minha carreira, só nesses dois países não venci. E nas duas vezes em que tive oportunidade de vencê-las, perdi para brasileiros: Émerson Fittipaldi e José Carlos Pace”, comentou certa vez.


Stewart não conseguiu realizar seu sonho nem quando transformou-se em dirigente, em 1997, ano em que criou sua própria equipe em parceria com seu filho Paul, a Stewart Racing. Os pilotos que assumiram os carros foram Rubens Barrichello e Jan Magnussen.
Os resultados apresentados pela equipe do tricampeão mundial não apresentaram resultados muito espetaculares. Na temporada de estréia da equipe, o time britânico teve como maior êxito a conquista de uma pole position. No ano seguinte, a Stewart Racing nem um lugar em uma primeira fila conseguiu.

Em 1999, a equipe fez sua melhor temporada desde a estréia. Naquele campeonato, conquistou sua segunda pole e sua primeira vitória. Ao todo, a Stewart subiu cinco vezes ao pódio.

No ano passado, com o crescimento do time e um resultado positivo, a equipe foi comprada pela Ford e ganhou o nome de Jaguar, mas o ex-piloto escocês permanecia como dirigente. Em 2001, a Jaguar terá como pilotos o brasileiro Luciano Burti e irlandês Eddie Irvine.

99
Número de GPs disputados por Jackie Stewart na F-1, em oito temporadas pela categoria

Alienado
Stewart confessa que não tem nenhum interesse por questões políticas. Preocupa-se apenas com aquilo que influencia sua vida

Conservador
SPara o tricampeão escocês, um piloto não pode ser radical, precisa ter espontaneidade e entusiasmo. Segundo diz, a melhor característica de um vencedor é o conservadorismo

Campeão em 1969
Conquistou a temporada pela Matra, com 63 pontos, seis vitórias e duas pole positions

Bicampeão em 1971
Atrás do volante da Tyrrell, chegou ao segundo título mundial com 62 pontos e seis vitórias

Tricampeão em 1973
De novo pela Tyrrell, venceu uma temporada, com 71 pontos, cinco vitórias e três pole positions

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