Fale conosco Receba o boletim  
  Boxe
  Dempsey/Tunney
  Joe Louis
  Rocky Marciano
  Ray Robinson
  Patterson/Liston
  Muhammad Ali
  George Foreman
  Leonard/Hearns
  Chavez
  Tyson/Holyfield
  Brasileiros
  Olímpiadas
  Cultura
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . BRASILEIROS
Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press

Promessa de fim de século

O BAIANO ACELINO 'POPÓ' FREITAS CARREGA O SONHO
DE UM BRASILEIRO INIFICAR OS CINTURÕES MUNDIAIS

Dono de um soco poderoso, Acelino 'Popó' Freitas costuma dizer que sua força vem dos treinamentos intensivos, que realiza de segunda a sábado, e da complementação alimentar feita à base da feijoada semanal preparada por sua mãe, dona Zuleica.
Baiano de Salvador, o pugilista é o maior nome do boxe brasileiro desde Éder Jofre, campeão mundial peso galo na década de 60.
Popó, atual recordista sul-americano com 31 vitórias, sendo 29 nocautes, é o detentor do cinturão mundial dos superpenas pela Organização Mundial de Boxe e pela Associação Mundial de Boxe, título que conseguiu após derrotar o cubano Joel Casamayor por 114 pontos a 112, em janeiro de 2002. O 'Mão-de-Pedra', forma como o boxeador é conhecido em sua cidade natal, diz que não pensa em perder porque, ao contrário de esportes como o futebol, nos quais as disputas são mais freqüentes, uma derrota no boxe é uma marca prejudicial à carreira. "Com uma derrota no cartel, tudo acaba. Às vezes, penso que o boxe é um esporte muito ingrato justamente por isso", confessa
Popó.
O pugilismo entrou em sua vida por influência do irmão mais velho, Luís Cláudio Freitas, que treinava numa academia localizada nas proximidades do barraco onde morava, no bairro da Cidade Nova. Pediu, então, ao dono da academia Champion, o ex-campeão mundial profissional junior e seu ex-treinador, Luís Dórea, uma oportunidade para treinar. Tinha 14 anos.
Hoje, aos 25, Popó já não treina com Dórea. Rompeu com ele em 2001, trocou de treinador (o porto-riquenho Oscar Suarez e seu auxiliar, o brasileiro Ulisses Pereira) e de estilo. O baiano que costumava nocautear seus adversários agora prefere boxear. Numa mostra de que amadureceu, mas que continua carregando consigo a esperança da torcida brasileira, que é ver o pugilista unificando os cinturões.

PERFIL
Acelino Freitas
Nascimento: 21/09/1975
Nacionalidade: Brasileira
Peso: 59,5 kg
Altura: 1,67m

29 nocautes em 31 lutas na carreira
Popó venceu todas as lutas que disputou, das quais 29 foram por nocaute. Em cinco ocasiões, a vitória foi por nocaute técnico e em 14 vezes ele ganhou no primeiro assalto

2 derrotas em 76 lutas é o cartel de Acelino Popó Freitas no seu período de amadorismo entre os anos de 1990 e 1995

'Não estou no Boxe por acaso'
Essa frase é dita por Popó desde a época em que ele estava se profissionalizando e já se dedicava completamente ao esporte

5 é o número de vezes em que Popó colocou em disputa o seu título de campeão mundial dos super-penas pela OMB

'Ele boxeia como ninguém'
Essa declaração foi dada por Éder Jofre, o Galo de Ouro, que é considerado o maior boxeador brasileiro em todos os tempos

Maguila - Folclore dentro do ringue

Depois de Éder Jofre, o pugilista que mais atraiu público para os ginásios do Brasil foi Adílson Maguila Rodrigues. Folclórico com suas frases de agradecimento após os combates, carregadas pelo forte sotaque sergipano. Maguila arrabatou o título nacional dos pesados em 1984 de Luiz Faustino Pires.

Com o apoio de alguns empresários e de certa parcela da mídia, ele chegou a estar em segundo lugar do ranking mundial do CMB e, com isso, teve a oportunidade de lutar (e ser derrotado por nocaute) contra adversários famosos como George Foreman e Evander Holyfield.
Passadas algumas horas do combate contra Holyfield, considerado um dos mais dramáticos de todos os tempos, Maguila sequer lembrava que havia subido ao ringue. Com isso perdeu a chance de disputar o título mundial.

Oliveira - O Brasil, contudo, pôde vibrar com outro título mundial, depois de Éder Jofre. Em 7 de maio de 1975, o médio-ligeiro Miguel de Oliveira derrotou o espanhol José Duran.
A luta foi promovida em Montecarlo e, após 15 assaltos, Miguel ganhou por pontos. "Foi uma vitória trabalhada com inteligência", dizia, à época, o técnico do novo campeão Antônio Carollo. O reinado do brasileiro terminou com derrota na luta seguinte.

Servilio - Medalhista solitário

O boxe brasileiro tem apenas uma medalha olímpica. O pugilista responsável pela façanha foi Servílio de Oliveira, que a conquistou nos Jogos Olímpicos do México/68. Naquele torneio, ele derrotou o turco Yngin Aidgard e Joe Destimo, da Uganda, passando às semifinais. Então, perdeu por pontos para Ricardo Delgado. Ficou com o terceiro lugar na categoria peso mosca.
"Hoje, os medalhistas recebem barras de ouro como prêmio pela conquista de medalhas, mas, no meu tempo, o máximo que recebíamos era um tapinha nas costas", comenta Servílio, atual organizador de eventos ligados ao boxe e empresário de pugilistas.
Por causa de um deslocamento de retina, o medalhista abandonou os ringues aos 23 anos. Saiu invicto das 16 lutas profissionais que realizou. Enquanto amador, Servílio ganhou 35 dos 40 combates que disputou.
O Brasil não tem tradição no boxe amador, mas Servílio afirma que vem tentando mudar isso, estando, juntamente com seu filho, Gabriel, à frente da Associação Desportiva São Caetano, na Grande São Paulo.
Nesse ano, o clube recebeu três premiações da Federação Paulista de Boxe: Melhor Técnico, Melhor Pugilista e Melhor Clube.


Persistência - Pugilista tem quatro chances e nenhum título

Talvez uma das histórias mais dramáticas do pugilismo brasileiro tenha sido a do lutador João Henrique da Silva. Dotado de boa técnica, ele teve a oportunidade de disputar o título mundial em quatro oportunidades. E perdeu todas.

Foi derrotado duas vezes pelo italiano Bruno Arcari e, em outra, pelo argentino Nicolino Lotti. O drama final aconteceu em 74, em Barcelona, no combate com o espanhol Perico Fernandes.

João Henrique dominava amplamente a luta (com cerca de sete pontos) quando, no nono assalto, recebeu um potente golpe e foi à lona, sem se recuperar da contagem aberta pelo árbitro.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página