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O desafiante do mundo
MUHAMMAD ALI (EX-CASSIUS CLAY) MUDOU O
MUNDO DO BOXE
COM SEUS SOCOS E SUAS IDÉIAS
Até Cassius Clay se tornar campeão mundial,
o mundo do boxe havia conhecido apenas dois tipos de
lutadores negros: os 'bons' e os 'maus'. Os contemporâneos
de Clay que representavam essas duas 'categorias' eram
Floyd Patterson (o 'bom') e Sonny Liston (o 'mau'),
que se confrontaram pelo cinturão mundial dos pesos
pesados em duas oportunidades, 1962 e 1963.
Em fevereiro de 1964, em Miami Beach, Clay subiu ao
ringue para lutar contra Liston. A maioria das pessoas
o viam apenas como um pugilista jovem e bonito que não
apresentava perigo algum. Estavam enganados. Quando
estava para começar o sétimo assalto, Liston, cansado
de ser castigado no rosto e na barriga, desistiu do
combate.
"Sou o rei do mundo", repetia o jovem lutador Cassius
Clay, socando o ar. Na cadeira número 7 da platéia estava
sentado Malcolm X, mentor e convidado do pugilista.
Clay se profissionalizou nos anos 60, em uma época de
agitações políticas e raciais nos EUA. Esperavam que
ele não fosse se envolver, mas, mais uma vez, se enganaram.
Ele foi tomado pelas manifestações que atingiam quase
todo o país. Aproveitou para mudar de nome e religião,
tornando-se Muhammad Ali.
Quase dez anos depois, o campeão foi convocado pelo
Exército dos EUA para lutar na Guerra do Vietnã, mas
ele se recusou a ir. Seu título foi revogado.
Em 1974, teve a oportunidade de reaver o cinturão. Foi
organizado um confronto entre Ali e George Foreman,
que estava com o título. A luta entrou para a história
como uma das maiores do século. O combate que aconteceu
em Kinshasa (Zaire), foi uma briga ideológica, entre
o establishment branco, representado por Foreman, contra
a expressão da autonomia negra, Ali, que venceu.
PERFIL
Muhammad Ali
Nascimento:17/1/1942
Nacionalidade: Norte-americana
Peso: 105kg
Altura: 1,89m
5 é o número de derrotas na carreira. A última
foi para Trevor Berbick, em dezembro de 1981
Racismo - Ouro jogado no fundo do rio
Na Olimpíada de Atlanta, em 96, o boxeador Muhammad
Ali foi homenageado duas vezes: primeiro, na abertura,
sendo incumbido de acender a Pira Olímpica e, depois,
quando recebeu de volta a medalha de ouro dos meio-pesados
que havia ganho nos Jogos de Roma.
Em 60, naquela Olimpíada, Ali - que ainda se chamava
Cassius Clay - fez quatro lutas e venceu todas, consagrando-se
no boxe amador e voltando para seu país com todas as
glórias.
Não tirava o ouro do pescoço. Certa noite, em sua cidade
natal, Louisville, foi a uma lanchonete e, por ser negro,
foi insultado e convidado a se retirar do local. O racismo
não enxergava a medalha que havia ganho.
Revoltado, Ali, quando passava por uma ponte, atirou
seu ouro olímpico no rio, irritado com a existência
de tamanho preconceito.
O pugilista, logo em seguida, deixou o boxe amador e
se profissionalizou. Tornou-se três vezes campeão mundial,
ganhou rios de dinheiro. A glória e o nome lhe deram
uma nova medalha na Olimpíada de Atlanta.
Mas o excesso de pancadas que levou durante toda a carreira
deixou como seqüela o mal de Parkinson, doença que ataca
o sistema nervoso e endurece os músculos, imobilizando
o rosto, fazendo-o parecer uma máscara, e deixando os
braços e pernas sempre trêmulos.
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