| Foto Gazeta Press |
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Os imbatíveis da ilha de
Fidel
CUBA É O PAÍS COM MAIOR
TRADIÇÃO NO BOXE AMADOR
Quando o peso pesado cubano Félix Savón voltou de Sydney,
onde tinha disputado a Olimpíada deste ano, foi recebido
pelo comandante de seu país, Fidel Castro, que o parabenizou
por ter conquistado o tricampeonato nos Jogos.
Castro se surpreendeu com um hematoma no rosto de Savón,
mas o pugilista nem se incomodava com o ferimento. Está
acostumado com hematomas. Savón foi para a Austrália
com a missão de conquistar sua terceira medalha de ouro
e se igualar ao seu compatriota superpesado Teófilo
Stevenson, vencedor de três olimpíadas (1972, 76 e 80),
e ao húngaro Lazlo Papp, campeão em 48, como médio,
e em 52 e 56, como médio-ligeiro.
"Eu queria essa terceira medalha a qualquer custo para
que as futuras gerações conheçam quem é Félix Savón.
Dedico essa conquista à minha pátria e ao meu povo",
afirmou o boxeador.
Savón vem dominando a categoria há uma década. O cubano,
seis vezes campeão mundial, não diz se vai se aposentar,
embora venha sofrendo pressão para isso.
Com o triunfo de Savón, Cuba acumulou quatro medalhas
de ouro nas seis categorias de boxe olímpico disputadas
nesse ano.
O sucesso nos Jogos foi conquistado pelos pugilistas
cubanos com muitos anos de dedicação ao amadorismo.
Mesmo aqueles boxeadores que atingiram um bom nível
na categoria, preferiram não se profissionalizar e continuaram
os treinos em seu próprio país. Quase todos trocaram
propostas milionárias de empresários internacionais
para permanecerem defendendo Cuba.
Profissionalismo - O preço de uma medalha
O contrato que o norte-americano de origem mexicana
Oscar de La Hoya assinou para se profissionalizar, depois
que conquistou o ouro olímpico em Barcelona/92, envolvia
um acordo de US$ 500 mil, dois carros e a metade do
pagamento de uma casa.
O ponto mais alto da carreira de um pugilista amador
é a conquista de uma Olimpíada. Quando conseguem, raramente
continuam disputando torneios amadores. O valor da bolsa
dos profissionais é tentador.
É também pelo desejo de enriquecer com o boxe que muitos
pugilistas abandonam o amadorismo sem nem mesmo disputar
uma olimpíada.
No Brasil, isso é comum. Cansados das dificuldades e
da falta de incentivo para as disputas amadoras, boxeadores
tentam a vida no profissional assim que surge uma oportunidade.
Mas, na maioria das vezes, sem patrocínio para as lutas,
não vingam no esporte.
Nos EUA, onde o boxe tem um grande mercado, a passagem
de categorias é natural e beneficia os lutadores. Além
de Oscar De La Hoya, outro exemplo é Evander Holyfield,
medalha de bronze em Los Angeles/84.
Já em Seul/88, a final dos pesados foi entre Riddick
Bowe e Lennox Lewis. O inglês venceu. Quando se profissionalizaram,
Bowe negou um combate para Lewis com medo de perder
novamente.
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