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. . BASQUETE FEMININO |
| Foto Gazeta Press |
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O símbolo de uma geração
MUNDIAL DE 94 FOI A CONSAGRAÇÃO DE PAULA E HORTÊNCIA
O último Mundial disputado por Magic Paula e a Rainha
Hortência — que perseguia o título há 12 anos — consagrou
a nova equipe nacional, que já não dependia apenas delas
para alcançar vitórias.
O anúncio dessa nova fase havia sido a medalha no Pan-americano
de 91, em Cuba. Três anos depois, em Sydney, na Austrália,
o grupo formado por Janeth, Ruth, Alessandra, Helen, Leila,
Cíntia, Adriana, Roseli, Simone e Dalila conquistava seu
espaço.
A campanha até o título foi digna de uma equipe campeã.
A estréia foi bastante fácil, contra a fraca seleção de
Taiwan. Seguiu-se uma inesperada derrota para a Eslováquia,
logo superada por vitórias diante de Polônia e Cuba.
Na primeira partida contra as chinesas (voltariam a se
enfrentar nas finais), o Brasil acabou surpreendido pelas
rivais asiáticas e perdeu por 97 a 90. Contra a Espanha
viria a recuperação.
Depois de arrasar as fortes rivais norte-americanas na
semifinal, as brasileiras dominaram o primeiro tempo do
jogo decisivo, contra as chinesas. As novatas pareciam
veteranas, tamanha era a tranqüilidade. No segundo tempo,
chegaram a ter 19 pontos de vantagem.
A temida Haixia, 2,04m, eleita a melhor jogadora do Mundial,
pareceu diminuir diante da marcação nacional. Fez 27 pontos,
mas não conseguiu segurar o placar, que terminou em 96
a 87 a favor do Brasil.
O título sonhado por Hortência desde 1979 finalmente vinha
parar em suas mãos. E nas das companheiras de equipe,
que marcaram presença de importância crucial ao longo
de todo o campeonato.
Antes do ouro, o melhor resultado do basquete feminino
brasileiro em um Mundial havia sido em 71, quando a seleção
então dirigida por Waldir Pagan Peres conquistou a medalha
de bronze em casa.
Maria Helena, Norminha, Heleninha, Marlene, Laís, Odila,
Elza, Nilza, Jacy, Nadir, Delcy e Benedita venceram as
cubanas na semifinal por 62 a 59. Os jogos perdidos foram
contra as Checoslováquia e a URSS.
Título nas barbas de Fidel
Vencer as cubanas na terra de Fidel Castro. O desafio
foi encarado com seriedade e confiança pela equipe brasileira
de basquete nos Jogos Pan-americanos de 91.
A campanha até a final foi perfeita. Começou com a superação
das campeãs mundiais e olímpicas. As norte-americanas
entraram em quadra com ares superiores, e no início, realmente
conseguiram segurar as brasileiras, que terminaram o primeiro
tempo atrás no marcador e assim permaneceram até os minutos
finais da partida.
Mas a vontade de vencer acabou surtindo resultado. Faltando
12 minutos para o enceramento, a virada. E no finalzinho,
com direito a descanso para as rainhas da seleção — Hortência
e Magic Paula — o placar anuncia a vitória nacional: 87
a 84.
Depois de 12 anos invictas, as jogadoras dos EUA foram
surpreendidas pela evolução brasileira.
Voltar a encontrar o Canadá na semifinal foi o anúncio
de um fim glorioso. E ele veio no ensolarado domingo do
dia 11 de agosto. A final contra as donas da casa prometia
ser difícil. E realmente foi. Mas só no primeiro tempo
— 44 a 44. A segunda etapa foi finalizada em 97 a 76.
Hortência, Paula, Marta, Ruth, Janeth, Nádia, Vânia, Simone,
Ana Motta, Joyce, Roseli e Adriana curvam-se diante de
Fidel Castro. Mas para receber a tão aguardada medalha
de ouro.
As
rainhas de prata
Nos Jogos Olímpicos de Atlanta/96, a Seleção Brasileira
feminina de basquete atingiu seu auge com a conquista
da medalha de prata. A equipe comandada por Hortência
e Paula não conseguiu quebrar a hegemonia norte-americana
— o jogo terminou em 111 a 87 a favor dos Estados Unidos
—, mas o grupo mostrou ao mundo que o basquete continuava
a se desenvolver no País.
Com uma forte marcação em cima da dupla Paula e Hortência,
grandes responsáveis pela conquista do Mundial em 94,
a equipe norte-americana tentava anular as jogadas das
brasileiras, que mesmo assim começaram dominando nos rebotes
ofensivos.
Comandada por Miguel Ângelo da Luz, a equipe brasileira
misturava ainda a experiência de Marta, Branca e Janeth
com o talento de algumas promessas, entre elas Alessandra,
Leila, Silvinha e Cintia Tuiú.
Mesmo sem o ouro, a Seleção encantou por sua qualidade
técnica. Consideradas duas das principais jogadoras do
mundo, Paula, a mágica, e a rainha Hortência encerraram
sua trajetória olímpica em grande estilo. Paula marcou
130 pontos e Hortência, 80. Mas a cestinha foi mesmo Janeth,
com 142 pontos. A Seleção já tinha nova comandante.
Conquista de lágrimas
Ninguém imaginava que o bronze de Sydney chegaria de forma
tão sofrida. A Seleção Brasileira comandada pelo técnico
Antônio Carlos Barbosa viveu momentos de altos e baixos
na competição e sentiu o peso do descrédito em alguns
momentos.
Apesar de estrear com uma boa vitória sobre a Eslováquia,
o time tropeçou bastante na fase de classificação e terminou
com três derrotas em cinco jogos. Até mesmo o técnico
Barbosa criticava a instabilidade do grupo, que perdeu
um jogo praticamente ganho para a França, na prorrogação.
O ressurgimento veio nas quartas-de-final quando, apesar
da descrença de muitos, o time fez sua melhor partida
no torneio e venceu a forte equipe da Rússia. A estrela
da noite foi a pivô Alessandra, responsável pela cesta
da redenção — quando faltava apenas um segundo para o
fim do jogo —, que deu a vitória ao Brasil por apenas
um ponto de diferença: 68 a 67.
Na semifinal, novo tropeço. Desta vez contra as donas
da casa, mas a equipe já apresentava maior controle emocional
e melhor rendimento. A última chance de medalha era o
bronze, que seria disputado com as gigantes coreanas.
No jogo decisivo, a superação total. O empate em 65 a
65 no tempo regulamentar deixou a tensão no ar. Na prorrogação,
as meninas do Brasil conseguiram deixar os nervos no lugar
e dominaram o confronto. Quando soou a campainha, a explosão
foi geral.
Toda a tensão se dissipou de uma só vez. O técnico Barbosa
traduziu a emoção do grupo. “Sabe, é que tem muita gente
que ficou no Brasil torcendo contra. A medalha de bronze
é uma boa resposta.” |
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