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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . BASQUETE
MASCULINO |
| Foto Gazeta Press |
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As seleções dos pódios
A volta dos Jogos Olímpicos depois da Segunda Guerra Mundial
foi a glória para a Seleção Brasileira masculina de basquete.
O resultado da Olimpíada de Londres/48 estava anunciado.
Os Estados Unidos, bicampeões, eram favoritos incontestáveis.
O fator surpresa, então, ficou para o Brasil. A delegação
chegou para o combate desfalcada. Eram apenas dez atletas,
contra os catorze dos seus principais adversários. Mesmo
assim, a equipe conseguiu vencer sete partidas. A tática
utilizada foi a da retranca. A defesa brasileira foi a
menos vazada, com exceção da norte-americana, que confirmou
o ouro diante da França.
A derrota da equipe brasileira veio na semifinal. O grupo
perdeu a tranqüilidade diante da forte marcação dos rivais
franceses. Reclamaram demais da arbitragem. E no final,
o placar apontou a vitória dos adversários por 43 a 33.
Na briga pelo bronze, o Brasil enfrentou o México. A partida
foi tensa, com muitas faltas e o clima só foi amenizado
por um instante, quando os cadarços do calção de Alfredo
da Motta, se romperam submetendo o jogador nacional ao
rídiculo.
Indignado, Motta voltou à quadra - depois de trocar o
uniforme - disposto a chamar a atenção por outros méritos.
Foi o principal marcador do jogo, que terminou em 52 a
47 a favor do Brasil. A seleção, sob o comando de Moacyr
Daiuto, subia pela primeira vez ao pódio olímpico.
Foi em Roma/60 que o Brasil voltou a disputar com os principais
times. E mais uma vez conquistou o bronze. Depois de vencer
seis dos oito jogos disputados, a equipe perdeu exatamente
para as potências - USA e URSS - respectivamente primeiro
e segundo lugares.
Quatro anos depois, o pódio se repetiu: o Brasil se firmava
como a terceira maior nação no basquete masculino.
A conquista do 1º mundial
A conquista do Campeonato Mundial de 1959, no Chile, tirou
a Seleção Brasileira masculina de basquete do patamar
dos comuns e alçou a equipe ao topo da modalidade. A seleção,
que até então tinha poucos títulos internacionais - em
16 Sul-americanos havia vencido apenas dois - estava bem
atrás de alguns de seus adversários, como Uruguai e Argentina,
donos de seis títulos sul-americanos cada.
É verdade que foi um detalhe político que garantiu o primeiro
lugar - a União Soviética recusou-se a enfrentar a China
e ficou fora da disputa pelo título -, mas certamente
os brasileiros fizeram uma campanha de campeões. Enfrentaram
a Arábia Saudita, Argentina, Bulgária, Canadá, Chile,
Estados Unidos, Filipinas, Formosa, México, Porto Rico,
Uruguai e União Soviética e perderam apenas para a poderosa
União Soviética, e confirmaram o título ao vencer os Estados
Unidos por 81 a 67 (40 a 37 no primeiro tempo).
Wlamir Marques foi o maior pontuador da equipe. Anotou
149 pontos, seguido de perto por Amaury Passos, que marcou
137. Além da pontuação elevada, Amaury também destacou-se
nos outros fundamentos e foi eleito o jogador mais completo
do torneio. A dupla, ao lado de Jatyr e Algodão, formava
a base da equipe brasileira.
Mas o brilho da conquista brasileira não limitou-se apenas
aos astros da quadra. O técnico Togo Renan Soares, o mítico
Kanela, dava os primeiros passos em sua trajetória de
sucesso e títulos. Responsável pela equipe Brasileira
em 15 competições internacionais, Kanela foi um dos técnicos
mais importantes do Brasil. Sob seu comando, a Seleção
conquistou dois Mundiais, cinco títulos Sul-americanos,
o bronze em Roma/60, dois vice-campeonatos e um sétimo
lugar em Mundial.
Uma trajetória de sucesso
O basquete começou a ser praticado no Brasil três anos
antes do futebol. O esporte chegou ao País em 1896, pelas
mãos do missionário norte-americano Auguste F. Shaw, que
introduziu a prática entre os alunos do Colégio Mackenzie,
de São Paulo.
De início, a modalidade ficou restrita aos alunos do Mackenzie,
da Escola Normal Caetano de Campos e aos freqüentadores
da Associação Cristã de Moços (ACM).
O primeiro confronto oficial foi organizado justamente
pela ACM, em 1912, no Rio de Janeiro. Um ano depois, a
equipe da associação representou o Brasil no primeiro
jogo internacional de basquete. Os adversários vieram
do Chile e os brasileiros venceram o confronto, no ginásio
do América Futebol Clube, no Rio de Janeiro.
O Estado, aliás, reinou absoluto no esporte até o fim
da década de 20. Essa soberania só foi ameaçada entre
os anos de 50 e 60, justamente por São Paulo, que a partir
da década seguinte assumiu a liderança.
O Brasil sempre teve jogadores de reconhecimento internacional.
A lista inclui nomes como Amaury Passos, Wlamir Marques,
Algodão, Ubiratan, que figura no hall da fama da Federação
Internacional de Basquete Amador (Fiba), Marcel, Oscar
e não pára de crescer. Muitos nomes despontam, como os
dos alas Jefferson e Guilherme, lembrados pelos dirigentes
da NBA.
Consagração dentro de casa
Depois da conquista do Mundial de 59, no Chile, o Brasil
manteve-se como equipe de ponta do esporte. Mas a consagração
total chegou em 1963, com a conquista do bicampeonato
no ginásio do Maracanãzinho. A final, disputada em 25
de maio, reuniu Brasil e Estados Unidos em um confronto
memorável. O placar de 85 a 81 traduziu a dificuldade
da disputa.
Para conquistar seu segundo título, a Seleção Brasileira
passou por 12 adversários - Argentina, Canadá, Estados
Unidos, França, Itália, Iugoslávia, Japão, México, Peru,
Porto Rico, Uruguai e União Soviética - sem sofrer nenhuma
derrota.
Para o confronto final, o público lotou o ginásio e assistiu
a uma apresentação irrepreensível do quinteto nacional,
combinada à esperteza do técnico Kanela.
A três minutos do final, as duas equipes tinham apenas
um pivô em quadra porque os outros estavam desclassificados
por excesso de faltas. Na quadra, Ubiratan, pelo Brasil
e Gibson, pelos Estados Unidos, ambos pendurados com quatro
faltas. Kanela então, montou uma jogada para obrigar o
norte-americano a cometer sua quinta infração, afastando
o perigo de Ubiratan ser desclassificado antes deixando
Gibson sem marcação.
A manobra foi um sucesso e, segundo afirmou o técnico
tempos depois, a verdadeira causa da vitória brasileira.
A partida não ficou mais fácil, mas com a mudança no esquema
de jogo, a responsabilidade de decidir aumentou para os
norte-americanos que acabaram sucumbindo no final. O público
que lotou o Maracanãzinho para acompanhar o torneio vibrou
com o sucesso da Seleção Brasileira.
Depois de 63, o Brasil nunca mais conseguiu repetir o
feito de conquistar um Campeonato Mundial. A pior classificação
nacional no torneio foi no Mundial de 94, no Canadá. Os
brasileiros ficaram em 11º lugar na competição, que reuniu
Argentina, Canadá, China, Estados Unidos, Croácia, Grécia,
Espanha, Alemanha, Rússia, Angola, Coréia, Egito e Cuba.
Entre os melhores do mundo
O basquete brasileiro sempre mereceu respeito internacional.
A modalidade possui praticamente todos os títulos importantes.
Medalhas olímpicas, campeonatos mundiais, sul-americanos,
pan-americanos. Ao todo são 13 medalhas (três de ouro,
três de prata e sete de bronze). Por isso, o Brasil ocupa
a quarta posição no "Ranking do Século" divulgado na semana
passada pela Federação Internacional de Basquete (Fiba).
Na frente estão Estados Unidos, a ex-União Soviética e
a Iugoslávia.
Certamente a geração que conquistou o bicampeonato mundial
em 1963 foi responsável por boa parte desse sucesso. "Me
emociona muito ser também lembrado como um dos responsáveis
pelo sucesso", ressalta Algodão, bronze em Londres/48
e campeão mundial em 59.
Depois vieram outras gerações que se encarregaram de dar
continuidade ao trabalho iniciado - Ubiratan, Marquinhos,
Hélio Rubens, Marcel, Oscar e outros. O mesmo caminho
seguiu a seleção feminina, que não fica nada a dever aos
rapazes do Brasil.
Os clubes também contribuíram para difundir a fama do
País. Entre os mais importantes é preciso destacar os
paulistas Corinthians (nos anos 60 e 70), Sírio, campeão
mundial de clubes, e Monte Líbano, que durante décadas
brilharam em competições internacionais.
Mundial de 1963
OURO - Brasil
PRATA - Iugoslávia
BRONZE - União Soviética
Jogos do Brasil
Brasil 62 x 55 Porto Rico
Brasil 81 x 62 Itália
Brasil 90 x 71 Iugoslávia
Brasil 77 x 63 França
Brasil 90 x 79 União Soviética
Brasil 85 x 81 Estados Unidos
Seleção Brasileira
Amaury Antonio Passos, Wlamir Marques, Ubiratan Pereira
Maciel, Carlos Domingos Massoni (Mosquito), Benedito Cícero
Tortelli, Carmo de Souza (Rosa Branca), Jathyr Eduardo
Schall, Luís Claudio Menon, Antonio Salvador Sucar, Vítor
Mirshauswka, Waldemar Blatkauskas e Friedrich William
Braun (Fritz)
Técnico: Togo Renan Soares (Kanela)
90 foi o maior número de pontos que o Brasil conseguiu
marcar em 63
A vitória que era quase impossível
No dia 23 de agosto de 1987, a seleção masculina de basquete
do Brasil conquistou sua última grande vitória. Em uma
partida emocionante, a equipe comandada por Oscar Schmidt
e Marcel Souza derrotou os poderosos norte-americanos
e ficou com a medalha de ouro dos Jogos Pan-americanos
de Indianápolis.
A derrota em casa foi o estopim para que os Estados Unidos
decidissem incluir jogadores da liga profissional (NBA)
em sua seleção. Favorita ao título, a seleção norte-americana
começou bem e não demorou para impor seu jogo.
No começo do segundo tempo os brasileiros perdiam por
uma diferença de 22 pontos. Tudo indicava que os donos
da casa ficariam com a vitória. Mas o mundo havia esquecido
de contar com Oscar e Marcel, que comandaram uma virada
histórica do selecionado nacional.
As 17 mil pessoas, em sua maioria norte-americanos, que
compareceram ao Market Square Arena assistiram às jogadas
espetaculares da dupla. Oscar, o “Mão Santa”, acertou
sete das 15 tentativas nos arremessos de três pontos.
Já Marcel, nos momentos decisivos, acertou um arremesso
de três, deu uma assistência para Oscar e converteu a
última cesta. Eles ainda foram os cestinhas da partida
com 46 e 31 pontos e do torneio (246 e 185 pontos), respectivamente.
No final da partida, o placar marcava 120 pontos para
o Brasil e 115 para os Estados Unidos. A multidão ficou
em silêncio diante da inquestionável vitória brasileira.
A conquista passou para a história e é lembrada por todos
que acompanham o basquete. Primeiro porque a seleção norte-americana
nunca havia perdido em seus domínios, segundo porque o
time reunia feras que, logo em seguida, seriam contratados
pelas equipes da própria NBA. David Robinson, que na época
já havia sido selecionado pelo San Antonio Spurs, é o
mais famoso deles. Os outros foram: Pervins Ellison (Boston
Celtics), Williw Anderson (Miami Heat), Dean Garret (Minnesota
Wolves), Danny Manning e Rex Chapman (Phoenix Suns).
Derrota em casa é surpresa
A vitória da Seleção Brasileira de basquete masculino
no Pan-americano de 1987 chegou a ser contestada por muitas
pessoas que diziam que o time norte-americano era formado
apenas por jogadores juvenis. O argumento era de que esses
atletas não estavam prontos para enfrentar um time de
jogadores mais experientes, como o Brasil.
Mas o tempo passou e aqueles jovens tornaram-se grandes
astros da Liga Americana Profissional de Basquete, a NBA,
o que dá uma importância ainda maior àquela que foi a
única derrota norte-americana em sua casa.
A vitória brasileira provocou uma mudança significativa
no basquete dos EUA, que a partir daquele ano passou a
utilizar jogadores profissionais em todas as competições,
o que não acontecia até então.
Passados 13 anos dos Jogos de Indianápolis, pode-se perceber
o quanto os juvenis daquele time conseguiram nos anos
seguintes na NBA. David Robinson, por exemplo, tornou-se
um dos maiores pivôs da história do basquete e conseguiu
um lugar no Hall da Fama da NBA. Ele, que era um dos líderes
do time de 87, é a comprovação de que o triunfo brasileiro
é algo para ficar na história.
Outros jogadores também tiveram destaque em sua carreira
na Liga. Os mais conhecidos são Rex Chapman e Danny Manning,
que até hoje ainda estão em pelna atividade. |
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