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. . . . . . . . . . . . . . . . . 1950 |
| Foto Gazeta Press |
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A
maior tragédia do Brasil
FAVORITO AO TÍTULO, O BRASIL VACILA FRENTE AOS
URUGUAIOS E CALA E ESTÁDIO
A Guerra Mundial também impõe um intervalo de 12 anos
(1938-50) entre uma Copa e outra. Tudo começa pela invasão
da Polônia. O conflito se espalha. Adolf Hitler defende
a transferência da Fifa para Berlim. No entanto, o presidente
da entidade, Jules Rimet, a instala na Suíça. No congresso
de 1946, em Luxemburgo, nenhum país europeu se interessa
em promover o Mundial de 50, que agora se chama Copa Jules
Rimet.
Já no congresso de 48, o Brasil assegura o direito como
candidato único. No Rio de Janeiro, é construído o maior
estádio do mundo. No trágico 16 de julho de 50, o Maracanã
silenciaria 200 mil torcedores, que nunca se esqueceriam
do mais triste filme do futebol brasileiro na histórica
derrota para os uruguaios.
Logo na arrancada, o Brasil goleia o México (4 a 0), gols
de Ademir (dois), que viria a ser artilheiro do Mundial,
Jair e Baltazar. Diante da Suíça, fica no 2 a 2 (Alfredo
e Baltazar). O time vence a forte Iugoslávia: 2 a 0 (Ademir
e Zizinho).
Brasil, Espanha, Suécia e Uruguai entram no turno final.
De cara, massacramos a Suécia: 7 a 1 (Ademir, quatro),
Chico (dois) e Maneca. Em seguida, mais um atropelo na
Espanha, 6 a 1 (Ademir, dois), Chico (dois), Jair e Zizinho.
Muito se comentaria após a decisão do Mundial, mas o certo
é que o Brasil entrava como favorito absoluto contra os
uruguaios. Jogava por um empate, tinha 200 mil torcedores
a seu favor e, reconhecidamente, uma equipe melhor. Após
um gol de Friaça, o Brasil facilita e cede a virada e
o título aos uruguaios.
Maracanazo cala todo o País
16 de julho. As manchetes dos jornais, inclusive de A
Gazeta Esportiva, prevêem o título e o comemoram antecipadamente.
O País todo respira o clima de vitória. Maracanã lotado.
Pelo menos 200 mil pessoas no cenário. O Brasil só precisa
de um empate, mas é guerra contra os valentes rivais do
continente. De um lado, Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer,
Danilo, Bigode e Friaça; Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
De outro: Maspoli; Matias Gonzales e Tejera; Gambetta,
Obdulio Varela e Rodrigues Andrade; Gigghia, Julio Perez,
Miguez, Juan Schiaffino e Moran.
No primeiro tempo, 0 a 0. No segundo, Friaça abre a contagem,
mas a esperança dura pouco. Schiaffino e Ghiggia viram
o resultado. Silêncio no estádio. O País todo se cala.
A imprensa e os torcedores não acreditam. Injustamente,
elegem o goleiro Barbosa como único vilão da derrota.
Não, não pode. O time todo treme na raça do capitão uruguaio
Obdulio Varela, que bate forte nos confiantes donos da
casa.
Já no fim do milênio — portanto, 50 anos depois — Nilton
Santos absolve Barbosa, que iria morrer pobre na Praia
Grande, litoral paulista. O Homem de Borracha se enclausura
em si mesmo e não se defende até os últimos dias de vida
da ingrata metralhadora da galera revoltada.
Mas Nilton Santos, reserva de Augusto naquela seleção
fracassada, responsabiliza o técnico Flávio Costa, a quem
define como “ditador arrogante” que esnobou a força do
Uruguai. Ele teria, segundo Nilton, estimulado uma perigosa
e duvidosa superioridade sobre o adversário.
O velho Nilton, lúcido como nunca, é coordenador de uma
escolinha de futebol em Brasília. A Enciclopéia, como
o chamam desdes os tempos do grande Botafogo de Garrincha,
não esquece a exagerada onda de otimismo que invade o
ambiente. |
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