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. . . . . . . . . . . . . . . . . 1954 |
| Foto Gazeta Press |
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Uma máquina pára
o Brasil
A EQUIPE HÚNGARA NÃO POUPA A SELEÇÃO
CANARINHO EM 54
A neutralidade na guerra permite que a Suíça organize
o Mundial de 54. A Seleção Brasileira — habitualmente
de uniforme azul e branco — adere ao verde-amarelo. Surge
a “seleção canarinho”, em definição do jornalista Geraldo
José de Almeida. O Brasil nem toma conhecimento do México
e chega fácil aos 5 a 0, gols de Baltazar, Didi, Pinga
(dois) e Julinho Botelho. Depois, empata contra a Iugoslávia:
1 a 1 (Didi). As duas melhores equipes passam à próxima
fase da Copa de 140 gols.
Quartas-de-final, Estádio de Wankdorff, em Berna. O Brasil
não resiste à fúria da (quase) imbatível Hungria: 4 a
2. Djalma Santos (de pênalti) e Julinho aliviam a humilhação.
Hidegkut, Kocsis (dois) e Lantos, finalmente, mandam os
canarinhos mais cedo de volta para casa. Duelo tenso e
tumultuado. Nilton Santos, Humberto e Bozsik são expulsos.
No jogo da humilhante despedida, o técnico Zezé Moreira
escala Castilho; Pinheiro e Nilton Santos; Djalma Santos,
Brandãozinho e Bauer (capitão); Julinho, Didi, Índio,
Humberto e Maurinho.
Depois de bater a seleção brasileira, a forte seleção
húngara teve pela frente a seleção uruguaia. Mais um jogo
tenso. Os húngaros abriram a contagem com Czibor. O Uruguai,
através de dois gols de Hohberg virou a partida, mas Hidegkuti
empatou. Na prorrogação, o artilheiro Kocsis, com dois
gols, garantiu a vitória para a máquina húngara. Mesmo
com a derrota na final para a Alemanha, foi a Hungria
que encantou o mundo. Os seus craques foram para o exterior,
onde brilharam no Barcelona e Real Madrid.
Surpresa histórica na final
Estádio Wankdord, Berna. O árbitro inglês Walter Ling
manda que a bola role. O cenário parece bem adequado para
os reis do futebol, a incomparável seleção húngara de
Grosics; Buzansky e Lantos; Bozsik, Lorant e Zakarias;
Czibor, Kocsis, Hidgkuti, Ferenk Puskas (o genial capitão
da equipe— e J. Toth. Só que a Alemanha Ocidental não
se intimida. Turek, Posipal, Kohlmeyer, Eckel, Liebrich,
Mai, Rahn, Morlock, Ottman Walter, Fritz Walter (capitão)
e Schaefer saem de uma desvantagem de 2 a 0, gols de Puskas
(aos 4 minutos) e Czibor (aos 8). Os alemães reagem rapidamente.
Aos 10, Morkock desconta e, aos 17 do primeiro tempo,
Rahn empata. Aos 39 da etapa complementar, Rahn consegue
desmontar a poderosa supermáquina. Os 3 a 2 derrubam a
equipe mais forte do Mundial.
É inacreditável, mas os favoritos estão fora de cena.
Logo na estréia, a Hungria de Pukas e Cia. goleia impiedosamente
a Coréia do Sul — 9 a 0 — gols de Czibor, Kocsis (3),
Puskas (2), Lantos e Palotas. Agora, que venham os alemães
orientais, que não suportam a superioridade húngara e
tomam de 8 a 3 — gols de Hidegkuti (2), Kocsis (4), Puskas
e J. Toth. Depois de atropelar os brasileiros, a Hungria
repete os 4 a 2, mas precisa da prorrogação contra os
uruguaios, outra força sul-americana que que procura resistir,
mas decepciona. No tempo normal, 2 a 2. Marcam Czibor,
Hidegkuti e Kocsis (2). Aliás, Kocsis, que totaliza 11
gols, é o artilheiro da Copa 54. Assim, estabelece um
recorde em campeonatos mundiais. Se o genial Puskas dita
o ritmo de uma afinada orquestra, principalmente do meio
para a frente, Kocsis é o matador de um esquema quase
perfeito. |
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