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. . . . . . . . . . . . . . . . . 1958 |
| Foto Gazeta Press |
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A primeira conquista
O BRASIL É O ÚNICO PAÍS A VENCER
UMA COPA FORA DE SEU CONTINENTE
Aqui, o mundo passaria a respeitar o futebol brasileiro.
A Suécia é indicada como sede pela neutralidade do país
na guerra. Assim, a Fifa adota o mesmo critério utilizado
para a escolha anterior da Suíça. O divino casamento entre
a bola e Pelé iria selar uma eterna cumplicidade. De repente,
o menino, que começa a virar o Rei do planeta, libera
o choro de felicidade nos ombros do goleiro Gilmar. Ah,
mas não é só ele. Incomparável, sim, mas não o único ator
do show. Só quem viu Garrincha bailar na frente dos Joões
— todo lateral parecia um João desengonçado — pode testemunhar.
Djalma Santos, que arremessava um lateral como se desse
um chute, de tão longe que lançava. Didi, que inventou
o chute folha-seca. Nilton Santos, a Enciclopédia. Vavá,
o Peito de Aço. Zagallo, o Formiguinha.
Apelidos, enfim, que reaquecem o repertório dos narradores
Edson Leite, Pedro Luís, Fiori Gigliotti e Geraldo José
de Almeida, as principais feras do rádio esportivo mais
romântico de todos os tempos. Muito tempo depois, Osmar
Santos, absoluto, entraria no circuito.
Sem teipes ou transmissão direta, só o rádio podia contar
que o título é do Brasil contra a Suécia, que organiza
tudo, mas não leva. Vavá (dois), Pelé (dois) e Zagallo
definemos 5 a 2. Até alcançar a final da Copa do Mundo,
os brasileiros passam pela Áustria — 3 a 0, Mazola (dois)
e Nilton Santos — Inglaterra — 0 a 0 — União Soviética
— 2 a 0, Vavá (dois) — País de Gales — 1 a 0, Pelé — e
França — 5 a 2, Vavá, Didi e Pelé (três). O Brasil supera
o penúltimo degrau, vai à final diante dos suecos e se
impõe e goleia fácil no estádio Solna (Raasunda-Estocolmo).
Os mitos ficam na reserva
Nem Pelé nem Garrincha. Os futuros mitos iniciam o Mundial
da Suécia como simples reservas. Contra os autríacos,
o técnico Vicente Feola escala Gilmar; De Sordi, Bellini,
Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazola,
Dida e Zagallo. Diante dos ingleses, Feola repete o time.
Pelé e Garrincha — a exemplo de Zito — estréiam nos 2
a 0 contra os soviéticos. Entre lendas e folclores, contam
que os líderes do grupo teriam exigido a presença de ambos
nas vagas de Joel e Dida. Zito substitui Dino Sani. Feola
cede. Discutir o quê? A Seleção embala e dispara. Logo,
Vavá aparece na equipe. Djalma Santos entra somente na
finalíssima. De Sordi sai da lateral-direita. Daqueles
que começam como titulares, Mazola também dança. O francês
Just Fontaine marca 13 dos 126 gols do torneio. Recorde,
aliás, que o transforma no principal artilheiro da história
das Copas. No entanto, Pelé, franzino e esguio, encanta
os torcedores. É o rei das manchetes, que destacam o futebol
arte do menino e dos novos monstros sagrados do futebol.
Todos enaltecem o trabalho do chefe da delegação, Paulo
Machado de Carvalho, o “marechal da vitória”. Os jornalistas
Ary Silva, Flávio Iazzetti e Paulo Planet Buarque o ajudam
a montar o planejamento. Bastaria acionar a estrutura
inteligentemente preparada. Na base da conversa ao pé
do ouvido, o marechal motiva o grupo. Cria e recria estímulos
individuais ou coletivos. E não é que ele sugere as camisas
azuis — e não mais as amarelas — para que o Brasil dê
sorte na final contra os suecos? Diz aos jogadores que
a cor da manta de Nossa Senhora santificaria os jogadores.
Será que não foi isso mesmo? |
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