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. . . . . . . . . . . . . . . . . 1970 |
| Foto Gazeta Press |
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O melhor do século
O BRASIL DÁ SHOW NO MÉXICO, COM UM TIME
DE ESTRELAS QUE ENCANTA O MUNDO
Os 4 a 1 sobre a Itália, na final, refletem a impecável
campanha do tricampeonato de uma das melhores seleções
brasileiras de todos os tempos. E a caminhada? Ao desembarcar
em Guadalajara, Zagallo decide fixar Rivelino como titular
da ponta-esquerda. Mantém Gerson, um dos líderes do grupo,
na meia-esquerda. Às vésperas da estréia, outra mudança:
Everaldo substitui Marco Antonio na lateral-esquerda.
Na partida contra a Tchecoslováquia, Petras abre a contagem,
mas Pelé, Gerson, Jairzinho e Tostão definem o vira-vira
e a goleada. Que venham a Inglaterra (1 a 0, Jairzinho);
a Romênia (3 a 2, Pelé (2) e Jairzinho); o Peru (4 a 2,
Rivelino, Tostão (2) e Jairzinho); o Uruguai (3 a 2, Clodoaldo,
Jairzinho e Rivelino); finalmente, Félix, Carlos Alberto,
Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Rivelino, Jairzinho,
Tostão e Pelé superam o último desafio contra os italianos.
No primeiro tempo, 1 a 1. Mas, de cara, levamos um susto
no gol de Boninsegna, que abre a contagem. Mas, para uma
seleção equilibrada como a aquela, é só esperar o início
da virada nos gols de Pelé, Gerson, Jairzinho e Carlos
Alberto Torres, o capitão do tri.
Jairzinho, o herdeiro do trono de Garrincha no Botafogo,
arruma um tremendo alvoroço para as defesas adversárias.
É um dos maiores talentos do Mundial, mas o Pelé recebe
o título de Craque da Copa. Apesar de tudo, a seleção
de Zagallo não dependeria apenas de Jairzinho e do Rei.
Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gerson — o maestro do
meio-campo —, Tostão (companheiro de Pelé no ataque) e
Rivelino igualmente recebem rasgados elogios da imprensa
internacional.
As feras de João Saldanha
O técnico João Saldanha monta as primeiras peças da engrenagem
para as eliminatórias, mas tropeça na própria ousadia.
Monta um time de bravos, as “feras do Saldanha”, mas tromba
na ditatura de Médici, que exige Dario no grupo. “O presidente
que se meta no ministério, aqui mando eu”, reage. Mais
tarde, Saldanha sai, Zagallo assume e convoca Dadá Maravilha.
Até que caia, o antigo chefe só arruma confusão. Chama
Pelé de ceguinho e põe o Rei na reserva num amistoso no
Maracanã. O Atlético Mineiro derrota o Brasil num amistoso
(2 a 0) e o técnico Yustrich, o valentão, caçoa como se
o adversário fosse de outro país. Saldanha, não menos
briguento, tenta resolver a rixa na bala, entra armado
no Retiro dos Padres (São Conrado-RJ), mas não encontra
o homão do Flamengo. Os vigias avisam a polícia.
O clima pesa. O presidente da CBD, João Havelange, esquece
as 13 vitórias (apenas uma derrota) e demite Saldanha.
Muitos querem Dino Sani. A maioria prefere Zagallo, que
assume o cargo. O clima pesa contra Saldanha já nas eliminatórias.
Os dirigentes da antiga CBF (Confederação Brasileira de
Desportes) fazem restrições ao estilo irreverente do treinador,
que vale de um estilo pessoal independente. Não aceita
interferências. Não admite intromissões dos cartolas.
Portanto, pagaria um preço caro — a futura queda — pela
forte personalidade. Em um programa de TV na Alemanha,
um repórter pergunda se João não se sentia mal por morar
num país em que massacram os indígenas. Saldanha olha
sério para o entrevistador e manda uma resposta direta...
“Em matéria de massacre, a tecnologia de vocês (alemães)
é muito mais avançada.” |
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