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Foto Gazeta Press
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O melhor do século

O BRASIL DÁ SHOW NO MÉXICO, COM UM TIME DE ESTRELAS QUE ENCANTA O MUNDO

Os 4 a 1 sobre a Itália, na final, refletem a impecável campanha do tricampeonato de uma das melhores seleções brasileiras de todos os tempos. E a caminhada? Ao desembarcar em Guadalajara, Zagallo decide fixar Rivelino como titular da ponta-esquerda. Mantém Gerson, um dos líderes do grupo, na meia-esquerda. Às vésperas da estréia, outra mudança: Everaldo substitui Marco Antonio na lateral-esquerda.

Na partida contra a Tchecoslováquia, Petras abre a contagem, mas Pelé, Gerson, Jairzinho e Tostão definem o vira-vira e a goleada. Que venham a Inglaterra (1 a 0, Jairzinho); a Romênia (3 a 2, Pelé (2) e Jairzinho); o Peru (4 a 2, Rivelino, Tostão (2) e Jairzinho); o Uruguai (3 a 2, Clodoaldo, Jairzinho e Rivelino); finalmente, Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Pelé superam o último desafio contra os italianos. No primeiro tempo, 1 a 1. Mas, de cara, levamos um susto no gol de Boninsegna, que abre a contagem. Mas, para uma seleção equilibrada como a aquela, é só esperar o início da virada nos gols de Pelé, Gerson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, o capitão do tri.

Jairzinho, o herdeiro do trono de Garrincha no Botafogo, arruma um tremendo alvoroço para as defesas adversárias. É um dos maiores talentos do Mundial, mas o Pelé recebe o título de Craque da Copa. Apesar de tudo, a seleção de Zagallo não dependeria apenas de Jairzinho e do Rei. Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gerson — o maestro do meio-campo —, Tostão (companheiro de Pelé no ataque) e Rivelino igualmente recebem rasgados elogios da imprensa internacional.

As feras de João Saldanha

O técnico João Saldanha monta as primeiras peças da engrenagem para as eliminatórias, mas tropeça na própria ousadia. Monta um time de bravos, as “feras do Saldanha”, mas tromba na ditatura de Médici, que exige Dario no grupo. “O presidente que se meta no ministério, aqui mando eu”, reage. Mais tarde, Saldanha sai, Zagallo assume e convoca Dadá Maravilha. Até que caia, o antigo chefe só arruma confusão. Chama Pelé de ceguinho e põe o Rei na reserva num amistoso no Maracanã. O Atlético Mineiro derrota o Brasil num amistoso (2 a 0) e o técnico Yustrich, o valentão, caçoa como se o adversário fosse de outro país. Saldanha, não menos briguento, tenta resolver a rixa na bala, entra armado no Retiro dos Padres (São Conrado-RJ), mas não encontra o homão do Flamengo. Os vigias avisam a polícia.

O clima pesa. O presidente da CBD, João Havelange, esquece as 13 vitórias (apenas uma derrota) e demite Saldanha. Muitos querem Dino Sani. A maioria prefere Zagallo, que assume o cargo. O clima pesa contra Saldanha já nas eliminatórias. Os dirigentes da antiga CBF (Confederação Brasileira de Desportes) fazem restrições ao estilo irreverente do treinador, que vale de um estilo pessoal independente. Não aceita interferências. Não admite intromissões dos cartolas. Portanto, pagaria um preço caro — a futura queda — pela forte personalidade. Em um programa de TV na Alemanha, um repórter pergunda se João não se sentia mal por morar num país em que massacram os indígenas. Saldanha olha sério para o entrevistador e manda uma resposta direta... “Em matéria de massacre, a tecnologia de vocês (alemães) é muito mais avançada.”
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