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Um tango planejado
DITADURA DE JORGE VIDELA COLABORA NA CONQUISTA ARGENTINA.
NOVAMENTE A HOLANDA FICA PELO CAMINHO
A ditatura argentina influi diretamente — de forma explícita
— no título conquistado pelo país do ditador Jorge Rafael
Videla. O Brasil saiu da Copa como “campeão moral”, segundo
definiu o técnico Cláudio Coutinho. Logo na estréia, 1
a 1 diante da Suécia. O árbitro Clive Thomas (País de
Gales) encerra o jogo pouco antes de Edinho acertar a
cabeçada na cobrança do escanteio e marcar inutilmente
o segundo gol. Na rodada seguinte, mais um empate brasileiro
no 0 a 0 contra os espanhóis. Na terceira rodada, enfim,
surge a primeira vitória, apertada, no 1 a 0 sobre a Áustria
— gol de Roberto Dinamite. As duas equipes asseguram a
classificação. Nas quartas-de-final, o Brasil passa pelo
Peru — 3 a 0 — gols de Dirceu (2) e Zico (pênalti). Ficamos
no 0 a 0 contra os argentinos e, em seguida, impusemos
3 a 1 na Polônia — Nelinho e Roberto Dinamite (2). Só
que a estranha goleada argentina sobre o Peru — 6 a 0
— classifica os anfitriões e deixa os brasileiros na dependência
de brigar pelo terceiro lugar. Nelsinho e Dirceu marcaram
os dois gols (2 a 1) contra a Itália.
Mundial da Vergonha
Na verdade, a Argentina começa a conquistar o título
na vergonhosa goleada de 6 a 0 sobre o Peru. Para se classificar,
os anfritiões precisam de quatro gols, mas passam da conta
prevista pela suja matemática. O goleiro argentino Quiroga,
naturalizado peruano, revelaria, alguns anos mais tarde,
a mutreta combinada entre os governos de ambos os países.
Portanto, a história se encarrega de absolver Coutinho,
que teria usado uma aparente desculpa ao se referir ao
invicto Brasil (nenhuma derrota e dois empates) como "campeão
moral". |