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Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press
O carrasco Paolo Rossi

A ITÁLIA SURPREENDE OS BRASILEIROS NO ESTÁDIO DE BARCELONA E DESBANCA O FUTEBOL-ARTE DE TELÊ SANTANA

A tragédia dos 3 a 2 da Itália contra o Brasil, no Sarriá, atropela o futebol-arte do técnico Telê Santana no Mundial da Espanha. A tarde é mesmo do carrasco Paolo Rossi, que não vacila na área e marca três. Desde o início da Copa, a campanha do mestre Telê ainda não sugere nenhum fantasma: 2 a 1 na União Soviética (gols de Sócrates e Eder), 4 a 1 na Escócia, 4 a 0 na Nova Zelândia. Chegamos às quartas-de-final: 3 a 1 na Argentina (Zico, Serginho Chulapa e Júnior). Maradona agride Batista e sai expulso. Paramos aqui. A Itália é o limite. O poeta Carlos Drumond de Andrade também lamenta na crônica Perder, Ganhar, Viver... Os principais trechos: “Vi gente chorando na rua... Vi bêbados inconsoláveis... Vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração... Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava como torcedor número 1 do país para viver seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões do governo... Vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhe roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral... Vi as oposições divididas unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo... Vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos agora destinados à ironia do lixo... Vi... Senti tanta coisa nas almas...” De fato, aquela tarde do Sarriá é inesquecível.

As malditas cenas de um filme triste

As cenas dos teipes não mentem jamais. Reveja se quiser. Recuamos ao dia 5 de julho de 1982. Logo aos 5 minutos do primeiro tempo, Paolo Rossi se aproveita de uma bola mal-atrasada pelo volante Toninho Cerezo e põe a Itália em vantagem. Aos 12, Sócrates reacende a esperança brasileira ao empatar. Aos 25, Paolo Rossi modifica o indesmentível placar eletrônico. Aos 23 da segunda fase, Falcão restabelece a igualidade que classificaria o Brasil. Apesar disso, o futebol arte de Telê, ousadamente ofensivo, não se encolhe. Abre espaços e se oferece aos contragolpes da azurra. Aos 29, Paolo Rossi pega uma sobra na falha da zaga e fecha os 3 a 2 que enrolam milhares de bandeiras verde-amarelas.

Vilão e bom mocinho. Antes do Mundial da Espanha, Paolo Rossi se envolve no escândalo da Loteria Esportiva na Itália — a Totocalcio. Cumpre 23 meses de suspensão e volta aos campos no dia 2 de maio, às vésperas da Copa-82.

O Lanerossi é o primeiro clube do carrasco, que se transfere para o Peruggia. Em seguida, defende a Juventus e o Milan. A Juve desembola US$ 4 milhões para contratá-lo. É uma das transações milionárias da época (abril de 1981). Aos 31 anos — e 48 jogos pela seleção — encerra a carreira no Verona. Uma séria contusão no joelho afasta-o dos gramados.
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