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Foto Gazeta Press
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Brasil cai diante da França

SELEÇÃO FAZ BOA CAMPANHA, MAS ACABA ELIMINADA NA DISPUTA DE PÊNALTIS

Brasil e Estados Unidos entram na briga para organizar o Mundial-86, mas a Fifa entende que o México — como em 1970 — oferece as melhores condições. Nem o apoio do presidente norte-americano Ronald Reagan — com a ajuda de Pelé e do secretário de Estado Henry Kissinger — convence a entidade internacional. Dos bastidores para o Jalisco de Guadalajara, a bola sobra nos pés de Sócrates, que marca o único gol contra os espanhóis. Na segunda rodada, outro 1 a 0 (de Careca) na Argélia. Nosso ataque, enfim, deslancha nos 3 a 0 diante da fraca Irlanda do Norte — Careca (2) e Josimar. Os 4 a 0 na Polônia dão muito mais esperança aos (até ali) tricampões.

Nas quartas-de-final, haja coração no 1 a 1 de Brasil x França (Careca e Platini). No tempo normal, Zico bate um pênalti, que o goleiro Bats defende. Na prorrogação, persiste a agonia: 0 a 0. Nos pênaltis, Platini, Sócrates e Júlio César desperdiçam, mas a França se impõe: 4 a 3. Em uma das cobranças francesas, a bola pega na trave, acerta nas costas do goleiro Carlos e toma o rumo do fundo das redes. De novo, nossos tristes personagens vão embora mais cedo.

Nos bastidores, os brasileiros enfrentam problemas de ambiente. No dia em que Edson (ex-Corinthians) se machuca, Telê resolve improvisar Alemão na lateral-direita logo no primeiro treino. Josimar, o reserva imediato, ameaça abandonar a delegação. No entanto, Josimar se fixa como titular. O ex-capitão Oscar, revoltado na suplência, se cala para não complicar ainda mais o circo. Numa noite de folga, Casagrande levanta o champanhe e dedica um “brinde irônico” para Telê.

Maradona encanta o mundo

O talento de Maradona, o Pibe de Oro, leva a Argentina ao bicampeonato. A unanimidade da imprensa internacional o elege o craque da Copa-86. O polêmico gênio marcou os dois gols da vitória (2 a 1) sobre a Inglaterra, nas quartas-de-final da Copa-86. No primeiro, aliás, o mais polêmico do Mundial, ele recorre às mãos para concluir um cruzamento que o árbitro Ali Bennaceur (Tunísia) interpreta como ‘cabeçada’ — a famosa mano de Dios. No segundo, carrega a bola desde a intermediária, dribla todo mundo e, na saída do goleiro Shilton, dá um toque sutil e indefensável. Sem exagero, Maradona carrega o time nas costas para comandar a seleção argentina. No total, faria cinco gols — o mesmo número obtido pelo brasileiro Careca — um a menos do que o artilheiro Lineker (Inglaterra).

Trajetória tumultuada

Diego Armando Maradona é natural de Lanús, província de Buenos Aires, nascido em 30 de outubro de 1960. Aos 16 anos, estréia como titular do Argentino Juniors. Em 1979, é campeão mundial de juniores. Em 1981, transfere-se para o Boca. Em 1982, vai para o Barcelona . Em 1984, o Napoli investe US$ 12 milhões para contratá-lo e, em 1987, conquista o título italiano — o primeiro da história do clube. Em 1989, ganha a Copa da Uefa e, em 1990, mais um scudetto. Em 1991, os exames comprovam o consumo de cocaína antes de um jogo contra o Bari. A Federação Italiana de Futebol não perdoa, pune. Maradona é suspenso pelo período de 15 meses. Mais tarde, repete-se o drama na Copa-94 dos Estados Unidos, mas pelo uso de outras substâncias proibidas. Os dirigentes do Comitê de Disciplina da Fifa — ligadíssimos nas reações do craque, que aparentemente entra em transe na hora de comemorar um dos gols da Argentina — decidem eliminá-lo da Copa.
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