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. . . . . . . . . . . . . . . . . 1990 |
| Foto Gazeta Press |
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Brasil cai diante da França
SELEÇÃO FAZ BOA CAMPANHA, MAS ACABA ELIMINADA
NA DISPUTA DE PÊNALTIS
Brasil e Estados Unidos entram na briga para organizar
o Mundial-86, mas a Fifa entende que o México — como em
1970 — oferece as melhores condições. Nem o apoio do presidente
norte-americano Ronald Reagan — com a ajuda de Pelé e
do secretário de Estado Henry Kissinger — convence a entidade
internacional. Dos bastidores para o Jalisco de Guadalajara,
a bola sobra nos pés de Sócrates, que marca o único gol
contra os espanhóis. Na segunda rodada, outro 1 a 0 (de
Careca) na Argélia. Nosso ataque, enfim, deslancha nos
3 a 0 diante da fraca Irlanda do Norte — Careca (2) e
Josimar. Os 4 a 0 na Polônia dão muito mais esperança
aos (até ali) tricampões.
Nas quartas-de-final, haja coração no 1 a 1 de Brasil
x França (Careca e Platini). No tempo normal, Zico bate
um pênalti, que o goleiro Bats defende. Na prorrogação,
persiste a agonia: 0 a 0. Nos pênaltis, Platini, Sócrates
e Júlio César desperdiçam, mas a França se impõe: 4 a
3. Em uma das cobranças francesas, a bola pega na trave,
acerta nas costas do goleiro Carlos e toma o rumo do fundo
das redes. De novo, nossos tristes personagens vão embora
mais cedo.
Nos bastidores, os brasileiros enfrentam problemas de
ambiente. No dia em que Edson (ex-Corinthians) se machuca,
Telê resolve improvisar Alemão na lateral-direita logo
no primeiro treino. Josimar, o reserva imediato, ameaça
abandonar a delegação. No entanto, Josimar se fixa como
titular. O ex-capitão Oscar, revoltado na suplência, se
cala para não complicar ainda mais o circo. Numa noite
de folga, Casagrande levanta o champanhe e dedica um “brinde
irônico” para Telê.
Maradona encanta o mundo
O talento de Maradona, o Pibe de Oro, leva a Argentina
ao bicampeonato. A unanimidade da imprensa internacional
o elege o craque da Copa-86. O polêmico gênio marcou os
dois gols da vitória (2 a 1) sobre a Inglaterra, nas quartas-de-final
da Copa-86. No primeiro, aliás, o mais polêmico do Mundial,
ele recorre às mãos para concluir um cruzamento que o
árbitro Ali Bennaceur (Tunísia) interpreta como ‘cabeçada’
— a famosa mano de Dios. No segundo, carrega a bola desde
a intermediária, dribla todo mundo e, na saída do goleiro
Shilton, dá um toque sutil e indefensável. Sem exagero,
Maradona carrega o time nas costas para comandar a seleção
argentina. No total, faria cinco gols — o mesmo número
obtido pelo brasileiro Careca — um a menos do que o artilheiro
Lineker (Inglaterra).
Trajetória tumultuada
Diego Armando Maradona é natural de Lanús, província
de Buenos Aires, nascido em 30 de outubro de 1960. Aos
16 anos, estréia como titular do Argentino Juniors. Em
1979, é campeão mundial de juniores. Em 1981, transfere-se
para o Boca. Em 1982, vai para o Barcelona . Em 1984,
o Napoli investe US$ 12 milhões para contratá-lo e, em
1987, conquista o título italiano — o primeiro da história
do clube. Em 1989, ganha a Copa da Uefa e, em 1990, mais
um scudetto. Em 1991, os exames comprovam o consumo de
cocaína antes de um jogo contra o Bari. A Federação Italiana
de Futebol não perdoa, pune. Maradona é suspenso pelo
período de 15 meses. Mais tarde, repete-se o drama na
Copa-94 dos Estados Unidos, mas pelo uso de outras substâncias
proibidas. Os dirigentes do Comitê de Disciplina da Fifa
— ligadíssimos nas reações do craque, que aparentemente
entra em transe na hora de comemorar um dos gols da Argentina
— decidem eliminá-lo da Copa. |
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