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Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press
Morte na praia francesa

SEM ROMÁRIO E COM O MAL-ESTAR DE RONALDINHO, O BRASIL AMARGA O VICE-CAMPEONATO

Quando se trata de futebol, para o brasileiro é tudo ou nada. Melhor ser eliminado na primeira partida, como no Mundial de 34, do que morrer na praia, como na final de 98, diante dos franceses, os donos da casa, justamente na última Copa do século. Ser vice-campeão, definitivamente, não agrada aos brasileiros — principalmente logo depois de conquistar o tetra nos Estados Unidos.
Sem Romário, cortado antes da viagem, a Seleção não breca os franceses. Nem consegue impedir os dois gols de Zidane (hoje o melhor do mundo) e outro de Petit. Seria, quem sabe, o Mundial de Ronaldinho. Só que o desmaio do Fenômeno balança os alicerces do castelo dos organizadores e ameaça, é claro, a estrutura amarrada aos milhões de dólares investidos pela Nike. O garoto propaganda — o mais caro produto de marketing da patrocinadora oficial da seleção brasileira — precisa entrar em campo para a decisão do título. Não importa se isso possa custar a carreira do craque. Ronaldinho tenta resistir, quase não toca na bola e o Brasil fracassa. Agora, as CPIs vasculham os bastidores dessa decisão no Congresso, mas ninguém assume a responsabilidade — nem o técnico Zagallo, que o escalaria para colocá-lo na arena dos campeoníssimos franceses, os donos absolutos da barulhenta festa de bandeiras azuis. Joga-se a culpa em quem estiver mais perto. O joelho de Ronaldinho volta a estalar e ameaça o futuro do craque da Inter de Milão.
Cercado pelos companheiros, o capitão Deschamps ergue orgulhoso a taça para os céus do Stade de France, enquanto as cortinas verde-amarelas da Era Dunga/Zagallo fecham-se definitivamente no palco de Saint-Denis.

Campanha quase animadora

Pouco se espera da seleção brasileira quando ela embarca para a França. Sem Romário, o salvador da pátria no tetra de 94, e com Ronaldinho em má fase, o costumeiro pessimismo do torcedor tem sua razão de ser. Mas a esperança é a última que morre.

Na estréia contra os escoceses, a vitória por 2 a 1 é um alento. O placar é aberto por César Sampaio — logo ele que cometeria o pênalti bobinho em Gallacher. Collins converte e deixa tudo igual no Stade de France. Mas Boyd (contra) dá uma força aos canarinhos do lado de lá: 2 a 1.

De uma rodada para outra, o Brasil vai ao Estádio La Beaujoire (Nantes) para ver os 3 a 0 — gols de Ronaldinho (que parece desencantar), Rivaldo e Bebeto — diante dos velozes e criativos marroquinos.
No Estádio Velodrome (Marselha), Zagallo põe as mãos na cintura, olha para o placar e parece não acreditar nos 2 a 1 da surpreendente Noruega sobre os tetracampeões. O velho Lobo ‘engole’ calado o desabafo do técnico Egil Olsen, que chora durante a coletiva à imprensa. Estádio Parque dos Príncipes, Paris: nada melhor do que o vulnerável Chile para a reabilitação, com uma goleada de 4 a 1, gols de César Sampaio (dois) e Ronaldinho (dois).

O Brasil ganha da Dinamarca — 3 a 2 — no La Beaujoire, gols de Bebeto e Ronaldinho (dois). Nem sempre Deus é brasileiro, mas ajuda nos 4 a 2 dos pênaltis (1 a 1 no tempo normal) contra os fortes holandeses. Vem, então, a final com a França. A esperança é a última que morre. Mas morre.
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